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Ferrovia: Associação Move Beiras considera «minimalista» transbordo rodoviário na Linha da Beira Baixa

22/03/2026 às 13:46

A Associação Move Beiras manifestou hoje a sua “profunda indignação e repúdio” pela solução de transbordo rodoviário “minimalista” iniciada no dia 16 de março na Linha da Beira Baixa, entre a Guarda e Abrantes.

“Só agora, mais de um mês após as tempestades que interromperam a linha, é que surge uma solução minimalista de mobilidade, através de um transbordo rodoviário com duração de, pelo menos, seis meses!!!”, critica a organização em comunicado enviado à agência Lusa.

A CP – Comboios de Portugal disponibiliza desde 16 de março um serviço rodoviário de substituição aos comboios Intercidades entre Guarda-Abrantes, e vice-versa, e Regionais entre Mouriscas A (Abrantes) e Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.

A circulação na Linha da Beira da Baixa está interrompida desde 11 de fevereiro devido ao desmoronamento de um talude entre Belver, no concelho de Gavião, e Barca da Amieira (Mação).

A Move Beiras, sediada na localidade de Benespera, no concelho da Guarda, considera que esta alternativa de transporte não serve os interesses das populações da Beira Interior e exige a sua correção para que “ninguém seja deixado para trás”.

“O transbordo rodoviário entre a Guarda e Abrantes acrescenta cerca de 30 minutos à viagem, penalizando e deixando de fora passageiros com mobilidade reduzida (ao não permitir cadeiras de rodas) ou que transportem bicicletas”, é referido no documento.

Para a associação fundada em 2022 para promover a utilização do comboio nas Linhas da Beira Baixa e Beira Alta, existiam alternativas ferroviárias “mais racionais”, como a utilização de uma automotora entre a Guarda e Vila Velha de Ródão “para a cobrir as necessidades do serviço Intercidades, reduzindo o transbordo ao mínimo indispensável”.

“Num momento em que se fala de sustentabilidade e da escalada dos preços dos combustíveis, trocar o comboio por autocarros, com a linha em boa parte operacional, é um flagrante contrassenso ambiental”, lamenta a associação.

No comunicado, a Move Beiras alerta ainda que o serviço de transbordo “ignora estações e apeadeiros no troço Guarda-Covilhã que passaram a receber paragem dos comboios Intercidades e Regionais em 2021”.

“É uma inaceitável discriminação, pois esse modelo, justificado pelas características da linha e com impacto mínimo no tempo de viagem (menos de 10 minutos), está consagrado no Plano Ferroviário Nacional, aprovado já por esta tutela”, é recordado.

A manter-se a situação, a Move Beiras diz que as populações da Beira Interior descobrem agora que, “afinal, existem passageiros de segunda e de terceira classe”.

“De segunda classe, porque tiveram de esperar este tempo por uma resposta para garantir a sua mobilidade, e de terceira, porque Caria, Belmonte- Manteigas, Maçainhas, Benespera e Barracão-Sabugal foram excluídas do transbordo ao Intercidades”.

A Move Beira alega que esta decisão “aprofunda ainda mais o isolamento do interior” e coloca em causa a mobilidade das populações dos concelhos da Guarda, Sabugal, Belmonte, Manteigas e Penamacor, “que continuam privadas de 6 das 10 ligações diárias que tinham até 11 de fevereiro e com horários e enlaces indecentes para deslocações desde e para Lisboa”.

“Numa região onde a mobilidade continua longe de ser garantida, retirar ou degradar o serviço ferroviário significa isolar pessoas, dificultar o acesso ao trabalho, à educação e aos serviços de saúde, e acelerar ainda mais o abandono do interior”, é sublinhado.

A Move Beiras tem por objetivo valorizar “as pessoas e os territórios percorridos pelas Linhas da Beira Baixa e Beira Alta, através da utilização do comboio”.

Lusa

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