Um gelado de azeite, mel e borrachão da Beira Baixa, pipocas com sabor a azeitona, um refrigerante prebiótico de bagas de sabugueiro e um espumante produzido a partir de mirtilos foram os quatro produtos distinguidos na 8.ª edição do Prémio Food Fab Lab, promovido pelo Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, em Abrantes.
A iniciativa recebeu 17 candidaturas e distinguiu projetos que procuram transformar produtos tradicionais em novas oportunidades de negócio, valorizando os recursos agrícolas nacionais e apostando na inovação alimentar.
Os quatro projetos vencedores foram selecionados entre oito finalistas, após uma avaliação que teve em consideração o potencial de mercado, a inovação e a experiência de degustação.
Mais do que distinguir produtos, o concurso pretende apoiar o seu desenvolvimento técnico e comercial, através da disponibilização de serviços especializados do Food Fab Lab do Tagusvalley.
Os prémios não são atribuídos em dinheiro, mas através de serviços que permitem aos promotores aperfeiçoar receitas, realizar análises, desenvolver novos produtos e encontrar soluções para melhorar a sua presença no mercado.
Os vencedores apresentam diferentes níveis de desenvolvimento empresarial. Alguns produtos já estão comercializados e procuram aumentar a distribuição, enquanto outros pretendem aperfeiçoar as suas características e explorar novos canais de venda.
Entre os projetos distinguidos encontram-se propostas que recuperam sabores tradicionais, aproveitam recursos agrícolas regionais e procuram responder a novas tendências de consumo.
Gelado de azeite, mel e borrachão da Beira Baixa vence prémio de Degustação

Um gelado que junta três produtos tradicionais da região de Castelo Branco conquistou o prémio na categoria de Degustação.
A proposta, apresentada por Ludovico Dias, combina azeite, mel e borrachão da Beira Baixa, um bolo seco tradicional do território albicastrense.
O objetivo é transportar para o universo dos gelados sabores associados à gastronomia regional, criando uma sobremesa que valoriza os produtos locais e, simultaneamente, permite divulgá-los junto de novos consumidores.
Em declarações à Antena Livre, Ludovico Dias explicou que o produto nasceu da intenção de reunir ingredientes característicos de Castelo Branco numa única receita.
O borrachão, menos conhecido fora da região, é um dos elementos diferenciadores do gelado, contribuindo para uma ligação direta à tradição gastronómica local.
A proposta integra a marca Primorosa, que tem vindo a desenvolver uma gama de gelados inspirados em produtos e especialidades de diferentes regiões portuguesas.
Entre as variedades já desenvolvidas encontram-se gelados de queijo de ovelha amanteigado com bica de azeite e vinho do Porto, amêndoa torrada de Idanha-a-Nova, nozes de Vila Velha de Ródão, maçã assada de Alcobaça, pera rocha do Oeste e laranja do Algarve.
A estratégia passa por criar uma identidade associada aos territórios, utilizando ingredientes regionais para desenvolver sabores que se diferenciem das opções tradicionais.
A empresa está também a preparar o crescimento da sua capacidade de produção e da presença no mercado.
Segundo Ludovico Dias, a unidade industrial em Castelo Branco encontra-se em fase final de preparação e conta com uma equipa de seis trabalhadores.
A capacidade de produção indicada pelo empresário é de 800 quilos diários de gelado de bola e 12 mil gelados de pau por dia.
O objetivo é alargar a distribuição a todo o território nacional durante 2027 e avançar para o mercado ibérico em 2028.
A comercialização deverá passar por restaurantes, hotéis, lojas gourmet, algumas cadeias de hipermercados e outros espaços de consumo.
Apesar da aposta em sabores regionais, o empresário reconhece que os gelados tradicionais, como chocolate, morango, baunilha e nata, continuam a representar a maior parte do mercado.
Os produtos associados à gastronomia regional destinam-se sobretudo a consumidores que procuram experiências diferentes e sabores ligados à identidade dos territórios.
A passagem de Ludovico Dias pelo Tagusvalley abriu também a possibilidade de desenvolver novos sabores inspirados na doçaria tradicional de Abrantes.
Durante a cerimónia, foi lançado o desafio de transformar a Palha de Abrantes em gelado, uma vez que a tigelada já existe.
O presidente da Câmara aceitou bem a ideia e o empresário anunciou a intenção de desenvolver as duas receitas, comprometendo-se a apresentá-las no Tagusvalley quando estiverem concluídas.
A iniciativa enquadra-se na estratégia da empresa de estabelecer parcerias com municípios e comunidades intermunicipais para criar produtos que valorizem a gastronomia de cada território.
Ludovico Dias | Gelado premiado, expansão da empresa e desafio de Abrantes

A distinção na categoria de Degustação permitirá à empresa recorrer aos serviços especializados do Food Fab Lab para continuar a desenvolver produtos e aperfeiçoar novas propostas.
Ludovico Dias manifestou ainda a intenção de voltar a participar no concurso com outros sabores inovadores, considerando que o apoio técnico disponibilizado pelo Tagusvalley pode contribuir para o crescimento da marca.
Azeitocas: pipocas com sabor a azeitona conquistam prémio de Potencial de Mercado

Transformar a azeitona, um dos alimentos mais tradicionais da gastronomia portuguesa e mediterrânica, num snack moderno e fácil de consumir foi a ideia que deu origem às Azeitocas.
O produto, desenvolvido por Sílvia Costa, consiste em pipocas com sabor a azeitona, comercializadas sob a marca Dr. Pires.
A proposta conquistou o prémio na categoria de Potencial de Mercado, distinguindo-se pela possibilidade de levar um produto tradicional a novos públicos e contextos de consumo.
Em declarações à Antena Livre, Sílvia Costa explicou que a ideia surgiu da sua ligação familiar ao setor da comercialização de azeitonas e da experiência profissional na área do marketing.
A empresária considerou que existia espaço para transformar a forma como a azeitona é apresentada e consumida, sobretudo junto dos públicos mais jovens.
Em vez de estar associada quase exclusivamente à mesa, como aperitivo ou acompanhamento de refeições, a azeitona poderia passar a integrar um produto prático, transportável e adequado ao consumo em diferentes momentos do dia.
O desenvolvimento da receita revelou-se, no entanto, mais complexo do que inicialmente imaginava.
O principal desafio técnico foi conseguir combinar dois ingredientes com características muito diferentes: a pipoca, que deve manter-se seca e crocante, e a azeitona, naturalmente húmida e rica em gordura.
Para ultrapassar esta dificuldade, a empresa recorre a um processo de liofilização da azeitona, permitindo obter um ingrediente em pó que é incorporado no produto.
As Azeitocas utilizam milho português e foram desenvolvidas com a preocupação de manter uma lista de ingredientes simples.
Segundo a promotora, o produto apresenta também características nutricionais que pretende valorizar, nomeadamente o teor de fibra e a presença de vitamina E.
Sílvia Costa explicou que as reações dos consumidores têm sido positivas, apesar da surpresa inicial provocada pela combinação pouco habitual.
Quem experimenta as pipocas sem conhecer previamente o produto tende a mostrar curiosidade, sobretudo quando identifica claramente o sabor da azeitona.
A estratégia comercial das Azeitocas passa por procurar canais de distribuição diferentes dos habituais.
Sílvia Costa pretende testar a comercialização em máquinas de venda automática, nomeadamente em locais de grande circulação de pessoas, como hospitais, e em espaços próximos de cinemas.
A ideia é posicionar o produto como uma alternativa aos snacks tradicionais, oferecendo uma opção salgada que possa ser consumida no trabalho, na escola ou em momentos de lazer.
A empresária admite igualmente oportunidades no setor da restauração, em serviços de catering e em eventos.
Nestes contextos, as pipocas de azeitona podem funcionar como uma alternativa à apresentação convencional das azeitonas, com a vantagem de dispensarem caroços e serem mais fáceis de consumir.
O prémio conquistado no Tagusvalley deverá permitir aperfeiçoar o produto e desenvolver novas variedades.
Entre os objetivos está intensificar o sabor da azeitona e experimentar combinações inspiradas nos temperos tradicionalmente utilizados, como orégãos e laranja.
Sílvia Costa | Como nasceram as Azeitocas e os próximos passos da marca

A promotora considera que o apoio técnico do Food Fab Lab poderá ser importante para melhorar a formulação e preparar o crescimento comercial de um produto que pretende dar uma nova utilização a um dos ingredientes mais representativos da alimentação mediterrânica.
Refrigerante de bagas de sabugueiro conquista prémio de Inovação

Um refrigerante prebiótico produzido a partir de bagas de sabugueiro foi o vencedor da categoria de Inovação da 8.ª edição do Prémio Food Fab Lab.
O produto, desenvolvido pela empresa Beebit, foi apresentado por Kevin Silva e pretende valorizar um recurso agrícola tradicional da região do Douro, associando-o a uma categoria de bebidas que tem vindo a ganhar espaço nos mercados nacional e internacional.
A proposta combina a utilização das bagas de sabugueiro com o desenvolvimento de um refrigerante funcional, apresentado como tendo baixo teor de calorias e açúcares e um elevado teor de fibra.
Segundo Kevin Silva, o objetivo foi encontrar uma nova aplicação para um produto agrícola que, apesar de existir em Portugal, ainda é relativamente pouco conhecido do público em geral.
O empresário é natural da região do Douro, da zona de Tabuaço, território onde a produção de sabugueiro tem expressão.
A ligação à região esteve na origem da escolha da matéria-prima, procurando criar um produto que contribuísse para valorizar a atividade agrícola local.
Para desenvolver a bebida, a Beebit estabeleceu uma parceria com a empresa regional Indumape, fornecedora de baga e sumo de sabugueiro.
A partir desta matéria-prima foi desenvolvida a receita de um refrigerante prebiótico, procurando responder à procura de bebidas alternativas aos refrigerantes convencionais.
A inovação está na combinação entre um ingrediente agrícola tradicional e uma nova forma de consumo, orientada para o mercado das bebidas funcionais.
Kevin Silva explicou à Antena Livre que a empresa procurou desenvolver uma bebida diferenciadora, com características nutricionais que possam despertar o interesse dos consumidores.
O responsável destaca o baixo teor de açúcar e calorias, bem como a adição de fibra, embora os eventuais benefícios para a saúde dependam das características e quantidades efetivamente presentes no produto.
Ao contrário de outros projetos ainda em fase de desenvolvimento, o refrigerante Beebit já começou a ser comercializado.
Segundo Kevin Silva, a distribuição encontra-se, para já, concentrada sobretudo na região de origem, através de restaurantes e unidades hoteleiras.
O produto também pode ser adquirido através do canal de venda online da empresa.
O próximo objetivo é alargar a presença comercial a outras regiões do país e tornar a marca mais conhecida junto dos consumidores.
O prémio de Inovação conquistado em Abrantes deverá contribuir para aperfeiçoar a receita e melhorar as características do produto.
Kevin Silva considera que o acompanhamento técnico do Food Fab Lab permitirá continuar a trabalhar na formulação da bebida e encontrar soluções para aumentar a sua competitividade.
Kevin Silva | Valorização do sabugueiro e crescimento da Beebit

Para a empresa, a distinção representa uma oportunidade de desenvolver um produto que procura estabelecer uma ligação entre a agricultura regional, a inovação alimentar e as novas tendências do setor das bebidas.
Espumante de mirtilos Myrtillus conquista primeiro Prémio Food Fab Lab

O grande vencedor da 8.ª edição do Prémio Food Fab Lab foi o Myrtillus, uma bebida espumante produzida a partir de mirtilos, apresentada por Jorge Pinto.
O produto destacou-se na avaliação global do concurso, que considerou a inovação, o potencial de mercado e a experiência de degustação.
A bebida pretende oferecer uma alternativa diferenciada aos espumantes tradicionais, utilizando o mirtilo como matéria-prima e recorrendo a um processo de fermentação para desenvolver as suas características.
Em declarações à Antena Livre, Jorge Pinto explicou que a origem do projeto está ligada à necessidade de valorizar a produção de um pomar de mirtilos com cerca de dois hectares.
Inicialmente, a fruta destinava-se sobretudo à exportação. No entanto, a dificuldade em escoar parte da produção em condições economicamente vantajosas levou os responsáveis a procurar novas soluções.
Entre as alternativas estavam a venda da fruta a preços reduzidos, a comercialização direta ou a transformação num produto de maior valor acrescentado.
A opção passou pelo desenvolvimento de uma bebida fermentada à base de mirtilos.
O projeto começou com uma bebida de menor teor alcoólico e mais doce, tendo evoluído através de alterações no processo de fermentação e na formulação.
Ao longo dos anos, os responsáveis foram aperfeiçoando a receita até chegarem ao produto atualmente comercializado.
Jorge Pinto explicou que assumiu a representação e desenvolvimento do projeto em 2023, altura em que foi também realizada uma renovação da imagem da marca, procurando conferir-lhe um posicionamento mais sofisticado.
O objetivo é apresentar uma bebida de caráter premium, mas mantendo um preço que permita aos consumidores conhecer e experimentar o produto.
Uma das características que Jorge Pinto destaca é a experiência de degustação, que considera diferente da proporcionada pelos espumantes tradicionais produzidos a partir de uva.
O responsável reconhece que o primeiro contacto com a bebida pode provocar alguma surpresa, precisamente por se tratar de um produto ainda pouco habitual no mercado.
Ao contrário de outros vencedores, que pretendem aumentar significativamente a produção, o projeto Myrtillus aposta numa estratégia de crescimento controlado.
Segundo Jorge Pinto, a capacidade de produção está diretamente relacionada com a quantidade de mirtilos disponível no pomar.
Em condições normais, a produção poderá situar-se entre três mil e cinco mil garrafas, um volume que o responsável considera adequado à dimensão do projeto.
A intenção não passa por uma expansão industrial de grande escala, mas antes pela valorização de uma produção limitada e diferenciada.
O responsável considera que a manutenção da qualidade é essencial para afirmar a marca e evitar que o aumento da quantidade produzida comprometa as características da bebida.
Na produção é utilizada a variedade de mirtilo Duke, cuja colheita decorre habitualmente durante o mês de junho.
O processo produtivo envolve operações em Guimarães e Lousada, contando com a colaboração de parceiros especializados, entre os quais a empresa A2B.
Jorge Pinto destacou a importância destas parcerias para ultrapassar dificuldades técnicas e desenvolver uma bebida que apresenta características diferentes dos produtos vínicos convencionais.
Prémio permitirá estudar as características do mirtilo após a fermentação
Uma das principais razões que levaram o projeto Myrtillus a participar no concurso foi a possibilidade de recorrer aos serviços técnicos e laboratoriais do Tagusvalley.
Jorge Pinto pretende utilizar o prémio para realizar análises ao produto e compreender melhor o impacto do processo de fermentação nas características do mirtilo.
O objetivo é perceber até que ponto determinados compostos presentes na fruta se mantêm na bebida depois das duas fermentações utilizadas no processo produtivo.
Esta avaliação poderá fornecer informação importante para o aperfeiçoamento do produto e para uma melhor caracterização das suas propriedades.
O responsável considera ainda que a ligação ao Tagusvalley poderá abrir portas a novos contactos empresariais e oportunidades de colaboração.
Jorge Pinto | Origem do Myrtillus, produção limitada e objetivos do prémio

Inserir a entrevista de Jorge Pinto, incluindo a história do aproveitamento dos mirtilos, a evolução da bebida, a estratégia de produção e as análises que pretende desenvolver com o apoio do Tagusvalley.
A conquista do primeiro Prémio Food Fab Lab distingue, assim, um projeto que nasceu da necessidade de encontrar uma alternativa para a valorização da produção agrícola e que evoluiu para uma bebida com identidade própria.
Food Fab Lab reforça ligação entre inovação, produtos regionais e empresas

A 8.ª edição do Prémio Food Fab Lab contou com 17 candidaturas, das quais oito foram selecionadas para a fase final de avaliação.
A escolha dos quatro vencedores teve em consideração três dimensões: a experiência de degustação, o grau de inovação e o potencial de mercado.
O primeiro prémio foi atribuído ao projeto que mais se destacou na avaliação conjunta destes critérios.
O júri reuniu representantes de entidades ligadas à investigação, indústria alimentar, nutrição, ensino superior e desenvolvimento empresarial.
Entre as instituições representadas estiveram o Colab4Food, PortugalFoods, Associação Portuguesa de Nutrição, Casa Mendes Gonçalves, Universidade Politécnica de Santarém, TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e SGS.
Através deste concurso, o Tagusvalley pretende apoiar o desenvolvimento de novos produtos alimentares, colocando à disposição dos promotores competências técnicas e laboratoriais que podem ser determinantes para melhorar receitas, processos produtivos e estratégias de comercialização.

Os quatro projetos premiados demonstram diferentes formas de valorizar produtos agrícolas e gastronómicos portugueses: transformar a doçaria tradicional em gelados, dar uma nova apresentação à azeitona, aproveitar o sabugueiro numa bebida funcional ou utilizar o mirtilo na produção de uma bebida espumante.
Em comum, apresentam a intenção de criar valor económico a partir de matérias-primas e tradições regionais, recorrendo à inovação para encontrar novos mercados.
A edição deste ano terminou com quatro produtos distinguidos, mas também com novas possibilidades de colaboração, incluindo o desafio lançado em Abrantes para transformar dois dos doces mais conhecidos do concelho, a Tigelada e a Palha de Abrantes, em novos sabores de gelado.
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