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Constância: Neil deGrasse Tyson desafia jovens do EuRoc a explorar o espaço sem aceitar limites (c/áudio)

17/10/2026 às 10:11

O astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson esteve em Constância para participar na abertura do EuRoC, a competição europeia de foguetões que decorre no Campo Militar de Santa Margarida.

Perante estudantes universitários, engenheiros e investigadores, um dos mais conhecidos divulgadores científicos do mundo deixou uma mensagem centrada na curiosidade, na inovação e na necessidade de continuar a explorar o desconhecido.

Numa intervenção marcada pelo humor e por referências à história da ciência, Neil deGrasse Tyson começou por recordar que, em criança, também construía pequenos foguetões.

Mas foi através de uma viagem imaginária à pré-história que procurou explicar a importância da exploração para o desenvolvimento da humanidade.

O astrofísico descreveu jovens que, há 30 mil anos, queriam sair das cavernas para descobrir o mundo, mas eram impedidos pelos mais velhos, que defendiam ser necessário resolver primeiro os problemas existentes no interior.

Para Tyson, o mesmo argumento continua a ser utilizado por quem considera que a humanidade não deve investir na exploração espacial enquanto existirem problemas por resolver na Terra.

Neil deGrasse Tyson

Ao longo da intervenção, Neil deGrasse Tyson percorreu alguns dos grandes momentos da evolução dos transportes, desde os cavalos aos caminhos de ferro, passando pelos automóveis e pelos aviões.

Recordou o primeiro voo dos irmãos Wright, em 1903, e os progressos que permitiram, poucas décadas depois, a utilização comercial de aviões a jato.

O cientista sublinhou que estes avanços não resultaram apenas do conhecimento científico, mas também da engenharia e da existência de uma cultura capaz de acolher novas ideias.

Defendeu, por isso, que as organizações devem dar espaço às novas gerações, em vez de permanecerem presas a formas antigas de pensar.

 

Neil deGrasse Tyson

Um dos momentos centrais da conferência foi dedicado à forma como a exploração espacial alterou a perceção da humanidade sobre o planeta.

Neil deGrasse Tyson recordou as primeiras viagens dos astronautas à órbita terrestre e, sobretudo, a missão Apollo 8, em 1968, quando a Terra foi fotografada a partir da Lua.

Segundo o astrofísico, essas imagens tiveram um impacto profundo na consciência coletiva, mostrando um planeta sem fronteiras visíveis e aparentemente isolado no espaço.

Tyson associou essa mudança de perspetiva ao crescimento da consciência ambiental e à necessidade de compreender os problemas globais, como as alterações climáticas e a poluição.

 

Neil deGrasse Tyson

O astrofísico dirigiu depois um apelo aos jovens participantes no EuRoC.

Reconhecendo a importância dos projetos que desenvolvem e dos foguetões que constroem, defendeu que a próxima geração de engenheiros aeroespaciais deve estabelecer objetivos que ultrapassem a colocação de satélites em órbita terrestre.

Para Neil deGrasse Tyson, a exploração da Lua, de Marte e de outros destinos deve continuar a fazer parte das ambições da humanidade.

 

Neil deGrasse Tyson

A intervenção teve também uma referência especial a Portugal e à sua história.

Neil deGrasse Tyson evocou a época dos Descobrimentos e a viagem de circum-navegação iniciada por Fernão de Magalhães, estabelecendo uma ligação entre a exploração marítima portuguesa de há 500 anos e a atual exploração espacial.

O astrofísico imaginou como reagiria Fernão de Magalhães se pudesse conhecer a existência da Agência Espacial Portuguesa.

E considerou que o navegador ficaria orgulhoso por ver o país a dar continuidade à tradição de procurar novos destinos.

Neil deGrasse Tyson

Neil deGrasse Tyson terminou a conferência com uma reflexão sobre a capacidade do espaço para unir a humanidade.

Defendeu que a exploração espacial não deve servir apenas os interesses de um país, mas contribuir para uma visão comum de todos os habitantes da Terra.

E deixou aos estudantes a ideia de que os projetos desenvolvidos no EuRoC são apenas o início de uma viagem muito mais longa.

Uma viagem que, nas palavras do astrofísico, não deve terminar na órbita terrestre, porque o universo oferece possibilidades que vão muito além dos limites atualmente conhecidos.

A intervenção terminou com uma citação do escritor T. S. Eliot, segundo a qual o fim de toda a exploração será regressar ao ponto de partida e conhecê-lo verdadeiramente pela primeira vez.

Uma mensagem que encerrou a participação de Neil deGrasse Tyson na abertura do EuRoC, em Constância, onde os jovens engenheiros foram desafiados a continuar a descobrir novos horizontes.

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