Abrantes assinalou este domingo, como assinala todos os anos a 14 de junho, o seu Dia, o feriado municipal.
Foi a 14 de junho de 1916 que a vila de Abrantes subiu para a categoria de cidade, depois de ter recebido o foral por D. Afonso Henriques em 1179 e, mais tarde, durante a reforma administrativa de D. Manuel I, a vila recebeu um novo foral a 1 de junho de 1510 com confirmação em 1518.
A cerimónia oficial teve lugar no Museu de Arte Contemporânea Charter’s de Almeida e contou com quatro momentos distintos. Desde logo o hastear das bandeiras ao som da portuguesa, interpretada por Fábio Pires (piano) e Maria Paulo (voz), passando pela atribuição homenagem aos funcionários do município e escolas que completaram 25 anos de serviço ou que se aposentaram. Depois a atribuição da medalha de mérito a seis instituições de voluntariado e o discurso do presidente da Câmara Municipal.

Manuel Jorge Valamatos começou por evocar os 110 anos de elevação de Abrantes a cidade. “Esta é uma data que nos enche de orgulho. Ao longo deste caminho, Abrantes afirmou-se como uma cidade pela sua história, pelo seu dinamismo das suas empresas, pela sua vida associativa, pela sua cultura, pela sua localização, pelo seu património, pela sua ligação ao Rio Tejo, mas sobretudo pelo trabalho das suas gentes e pela força das instituições.”
O autarca frisou, no entanto, que Abrantes tem muito mais história anterior à sua elevação a cidade.
Já os últimos 50 anos foram vividos com poder local democrático. Para Valamatos “uma das maiores conquistas de abril e uma das forças que mais contribuiu para transformar o território. Com eleições em que o voto é secreto e o medo não é argumento.”
O presidente deixou alguns desejos, por exemplo, “que Abrantes seja mais visitada, que seja mais vivida e que seja mais reconhecida, mas queremos também reforço e orgulho dos abrantinos na sua terra e criar melhores condições para atrair e fixar jovens e pessoas. Essa estratégia não se esgota na cultura, nem em qualquer obra isolada.”
Destacou algumas obras em curso ou a começar, como a habitação: “assumimos uma resposta firme e seguramente um dos maiores desafios do nosso tempo. Estamos a criar cerca de 60 fogos para arrendamento a custos acessíveis, a reabilitação do Parque Habitacional Municipal e 71 candidaturas ao programa Primeiro Direito mostra bem a dimensão do investimento que estamos a fazer no âmbito da habitação.”
Destacou de seguida a atribuição da medalha de mérito municipal às instituições que classificou como “um gesto de reconhecimento público a quem serve Abrantes e os abrantinos. Todos ajudam a construir uma comunidade mais atenta, mais solidária, mais humana e mais capaz de responder às dificuldades da vida. Cada uma, à sua maneira, lembra-nos que uma cidade não se constrói apenas com equipamentos, obras ou mesmo investimentos.”
Nos dias de hoje, o autarca deixou outra mensagem num tempo em que tantas vezes se fala de afastamento, de individualismo ou mesmo de indiferença: “estas instituições mostram precisamente o contrário. Mostram-nos que em Abrantes há pessoas que se organizam, que ajudam, que cuidam, que preservam memória, que apoiam o que é mais preciso e que não ficam indiferentes perante as dificuldades dos outros.”

Sílvia Bagorro, a presidente do Banco Alimentar contra a Fome destacou, à Antena Livre, que a instituição já tem 28 anos, a assinalar em novembro. “Sinto-me privilegiada por ser eu a receber esta medalha, no entanto, eu faço em nome de todas as direções, dos sócios fundadores e toda a gente que já passou pelo Banco Alimentar. É um reconhecimento do município e sinto-me lisonjeada e convida por esta homenagem.”
A Cruz Vermelha Portuguesa, Núcleo de Abrantes e Tomar, também foi agraciada com a Medalha de Mérito Municipal, e o responsável, Nuno Dias, quis destacar que há uma data rendada que está a ser assinalada. São 50 anos da presença em Abrantes da Cruz Vermelha. “De facto, temos muitas áreas onde tentamos trabalhar e tentamos desenvolver na nossa comunidade, desde as crianças e jovens, aos séniores, aos feridos. Temos um conjunto de respostas na comunidade que vão precisamente ao encontro daquilo que são as necessidades. Obviamente isto faz-se com o trabalho de parceria com as outras entidades e só assim é que nos faz sentido estarmos todos alinhados com as instituições e as outras organizações sociais.”
O Núcleo de Abrantes da Liga Portuguesa contra do Cancro foi igualmente agraciada pelo Município, e a coordenadora, Paula Vilaverde, explicou à reportagem da Antena Livre ser “uma honra estar em representação de uma instituição como a Liga Portuguesa contra o Cancro. E depois, realmente, é ser reconhecido um trabalho, que embora tivéssemos uma funcionária e uma psicóloga que têm feito um trabalho extraordinário, a maioria também é feita por voluntárias que não o seu tempo, pessoas vulneráveis, e realmente ver este reconhecimento é fantástico.”
Paula Vilarverde destacou disse não ter “palavras, porque realmente ver este reconhecimento é ótimo, e conseguir chegar às pessoas, e também nos vai projetar, vai-nos dar a conhecer, também com este reconhecimento, eu acho que pessoas que não sabem que nós existimos aqui vão agora saber que existimos, e isto também nos dá outra dinâmica agora.”
Outra instituição destacada foi a Liga dos Combatentes de Abrantes, tendo o seu presidente, coronel Fernando Lourenço referido que a medalha “é, nem mais, nem menos, o reconhecimento do trabalho que ao longo dos anos, de 100 anos de trabalho que nesta cidade a Liga dos Combatentes vem desenvolvendo, no apoio aos seus associados. Não só de Abrantes, mas também dos outros conceitos ao redor, portanto, sentimo-nos muito honrados com esta distinção.”
O Rotary Clube de Abrantes foi igualmente distinguido, mas foram os fundadores, Augusto Morgado e José Rodrigues que receberam a medalha das mãos do presidente da Câmara. À Antena Livre Hália Santos, presidente do clube, vincou que o clube não seria nada se não tivesse sido esta iniciativa e esta vontade destes homens, que em 1980 decidiram fazer o Rotary Club em Abrantes. Depois notou que há muito trabalho que é feito “sem que as pessoas até se apercebam, porque nós somos um grupo de profissionais, e todos nós temos o nosso trabalho, e todos nós damos o nosso melhor para que de facto a comunidade possa estar um bocadinho melhor também.”
Foi ainda agraciada a Liga dos Amigos do Hospital de Abrantes, tendo o seu presidente Jorge Santos saído logo após o final da cerimónia.
Os convidados deslocaram-se depois para a Praça Barão da Batalha para assistir ao concerto “Filarmonias de Abrantes” que juntou os executantes das quatro bandas filarmónicas de Abrantes [Rio de Moinhos, Rossio ao Sul do Tejo, Alvega e Mouriscas] que foram dirigidos pelos quatro maestros num concerto de quase uma hora e meia com muita qualidade.
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