Os Bombeiros Municipais de Sardoal celebraram 73 anos de serviço às populações, numa cerimónia em que o reconhecimento pelo trabalho dos operacionais se cruzou com alertas sobre as dificuldades enfrentadas pela corporação.
O comandante Nuno Morgado começou por destacar a dedicação dos bombeiros ao longo do último ano, particularmente exigente devido aos fenómenos meteorológicos extremos e aos incêndios rurais.
Recordou a resposta às sucessivas tempestades e a participação dos bombeiros de Sardoal em operações de combate a incêndios em várias regiões do país, sem comprometer a capacidade de intervenção no Médio Tejo.
Nuno Morgado, comandante Bombeiros Sardoal

Mas foi na análise das condições em que trabalham os bombeiros municipais que Nuno Morgado deixou algumas das críticas mais contundentes.
O comandante considera que os corpos de bombeiros pertencentes às autarquias continuam a ser prejudicados em vários mecanismos de financiamento e distribuição de equipamentos, quando comparados com outras corporações.
Deu como exemplos a ausência de compensação financeira pela participação de operacionais numa missão internacional no Chile, a distribuição de equipamentos de proteção individual e os apoios destinados a compensar o aumento dos combustíveis.
Nuno Morgado considera injustificada esta diferenciação entre corporações que desempenham as mesmas missões de proteção e socorro.
Nuno Morgado, comandante Bombeiros Sardoal
O comandante apelou diretamente à Liga dos Bombeiros Portugueses para que intervenha junto do Governo e da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, defendendo que todos os corpos de bombeiros devem beneficiar dos mesmos mecanismos de apoio, independentemente da natureza da entidade que os detém.
Uma situação que, no seu entender, representa uma discriminação difícil de compreender.
Nuno Morgado, comandante Bombeiros Sardoal

Para além das questões de financiamento, o comandante dos Bombeiros Municipais de Sardoal apontou várias prioridades para o futuro próximo da corporação.
Entre elas estão o reforço dos efetivos, tanto profissionais como voluntários, a renovação de viaturas e o avanço das obras de remodelação e ampliação do quartel.
Nuno Morgado revelou que o projeto das instalações já recebeu parecer favorável da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, sendo agora necessário avançar com a candidatura e os procedimentos para a execução da empreitada.
Nuno Morgado, comandante Bombeiros Sardoal
Apesar das preocupações, Nuno Morgado reconheceu o apoio do atual executivo municipal, liderado por Pedro Rosa, sublinhando que a autarquia tem procurado responder às necessidades da corporação, mesmo perante os constrangimentos existentes no concelho.
O presidente da Câmara Municipal de Sardoal acompanhou as preocupações manifestadas pelo comandante.
Pedro Rosa defendeu que o financiamento dos corpos de bombeiros profissionais dos municípios não pode ficar exclusivamente dependente dos orçamentos das autarquias.
O autarca alertou para a necessidade de um modelo nacional que reconheça os encargos permanentes com pessoal, formação, instalações, equipamentos e capacidade de resposta operacional.
Pedro Rosa, presidente CM Sardoal
Pedro Rosa garantiu também que o município continuará empenhado em encontrar soluções para as necessidades identificadas pelo comandante Nuno Morgado.
O presidente da Câmara aproveitou a cerimónia para recordar os desafios que marcaram o ano de 2026, com particular destaque para a tempestade Kristin, que atingiu o território a 28 de janeiro e levou à declaração de situação de calamidade em vários municípios, incluindo Sardoal.
O autarca lembrou os danos provocados pelo vento e pela precipitação intensa, as árvores caídas, os condicionamentos nas estradas e a necessidade de garantir a segurança das populações.
Uma resposta que, segundo Pedro Rosa, demonstrou que a proteção civil exige preparação permanente e não apenas capacidade de reação quando ocorre uma emergência.
Predro Rosa, presidente CM Sardoal

O presidente da Câmara destacou igualmente o trabalho desenvolvido pelo Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, considerando que a proximidade ao território tem permitido uma resposta operacional eficaz.
Pedro Rosa defendeu a importância de preservar este modelo de coordenação, valorizando o conhecimento das características da região e a articulação entre os diferentes agentes.
Pedro Rosa, presidente CM Sardoal
As críticas às desigualdades no financiamento dos bombeiros municipais tiveram resposta do representante da Liga dos Bombeiros Portugueses.
O comandante Nélio Gomes assegurou que a Liga representa todas as tipologias de corpos de bombeiros, sejam profissionais, voluntários, mistos ou privativos.
Reconheceu, no entanto, que persistem dificuldades na relação com a Administração Central, nomeadamente na interpretação das regras que determinam quais as entidades que podem receber determinados apoios.
Nélio Gomes, Liga Bombeiros

Também João Pitacas, segundo comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, reconheceu as dificuldades apontadas pelo comandante dos bombeiros de Sardoal.
Destacou o investimento na formação, a disponibilidade operacional da corporação e a colaboração permanente nas missões de socorro dentro e fora da região.
João Pitacas sublinhou ainda que o balanço do dispositivo de combate aos incêndios rurais no Médio Tejo foi positivo, destacando a ausência de vítimas graves ou mortais no território durante as fases de maior empenhamento operacional.
João Pitacas, 2.º comandante ANEPC

A cerimónia dos 73 anos ficou ainda marcada por palavras de reconhecimento dirigidas aos familiares dos bombeiros.
O comandante Nuno Morgado e o presidente Pedro Rosa lembraram os sacrifícios de quem acompanha, fora do quartel, a exigência de uma missão que implica ausências, chamadas inesperadas e situações de risco.
Pedro Rosa considerou que o serviço prestado pelos bombeiros é também possível graças ao apoio permanente das famílias.
Pedro Rosa, presidente CM Sardoal

As comemorações dos 73 anos dos Bombeiros Municipais de Sardoal incluíram ainda a entrega de medalhas de assiduidade e de crachás de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, distinguindo operacionais com percursos de serviço entre os 10 e mais de 36 anos.
Foram atribuídas medalhas de assiduidade a dez elementos da corporação, distribuídas pelos graus prata e ouro.
Medalhas de Assiduidade

10 anos — Prata Rui Quintas Alexandre e Isabel David Esperto

15 anos — Ouro Bruno Lavrador

20 anos — Ouro César Marques, Rúben Branco, Anselmo Lopes e Júlio Anastácio

25 anos — Ouro Miguel Simples e José Carlos Alves

30 anos — Ouro João Frade
Um dos momentos de maior simbolismo foi a atribuição de três crachás de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, distinguindo carreiras de várias décadas dedicadas à proteção e socorro.



Foram homenageados Luís Marques, Paulo Luís e Nuno Santos, pelo serviço prestado à corporação, pela dedicação à causa dos bombeiros e pela transmissão de conhecimentos às gerações mais recentes.
Nélio Gomes, Liga Bombeiros
Foram assim distinguidos os bombeiros que, ao longo de décadas, contribuíram para a história de uma corporação que celebra 73 anos ao serviço do concelho de Sardoal e das populações do Médio Tejo.
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