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Abrantes: Festival de Filosofia debate poder da verdade e desafios da desinformação

30/10/2026 às 16:07

O Festival de Filosofia de Abrantes regressa de 18 a 21 de novembro com uma reflexão sobre “O poder da verdade”, reunindo investigadores, jornalistas e artistas para debater a desinformação, a inteligência artificial e o pensamento crítico.

“Num tempo em que a desinformação e a manipulação narrativa procuram enfraquecer o rigor dos factos, esta edição propõe uma reflexão sobre a verdade”, refere a Câmara Municipal de Abrantes, organizadora do evento, num comunicado hoje divulgado.

A nona edição do Provocare, que decorre na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes, no distrito de Santarém, inclui seis painéis de debate, sessões com estudantes, exposições e um espetáculo de encerramento, com entrada gratuita.

O município pretende abordar a verdade “não apenas como um valor abstrato, mas como uma força viva, capaz de sustentar a liberdade e guiar a ação humana”, juntando participantes de áreas como filosofia, ciência, comunicação, política e cultura.

A abertura oficial está marcada para 19 de novembro, Dia Mundial da Filosofia, às 17:00 (ver programa), com a presença do presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, seguindo-se uma intervenção de José Maria Pimentel intitulada “A verdade ao espelho: O poder de olhar de frente (sem dramas)”.

Às 18:00, o painel “Se todos têm a sua verdade, a verdade existe?” reúne Luís Paixão Martins, Mafalda Anjos, Rita Figueiras e Rui Tavares, numa discussão sobre relativismo, convicções pessoais e a possibilidade de encontrar uma base factual comum.

Na mesma noite, Joana Rita Sousa, Luís Duarte Madeira, Pedro Coelho e Susana Batista discutem a sobrecarga informativa e os seus efeitos na atenção e no conhecimento, no debate “Hiperinformados, profundamente ignorantes e com ansiedade máxima”.

Em 20 de novembro, a programação prossegue com “Ciência, subjetividade e existência”, que junta Álvaro Balsas, Inês Pereira Rodrigues, Joana Lobo Antunes e Luísa V. Lopes, para refletir sobre o conhecimento científico, a certeza e o autoengano.

À noite, o painel “A ditadura do simulacro: O digital como padrão e o mundo físico como cópia imperfeita” analisa a influência das redes sociais, dos algoritmos e da inteligência artificial na perceção da realidade, com David Erlich, Filipa Jardim Silva, Joana Gonçalves de Sá e Sara Pereira.

No dia 21, a relação entre arte e autenticidade é debatida por Catarina Pombo Nabais, João Maria André, Luísa Sobral e Luís de Matos, seguindo-se uma conversa sobre a morte e o significado da vida, com Alexandre Borges, João Carlos Onofre Pinto, José Manuel Heleno e Olga Pombo.

O festival encerra nesse dia, às 22:00, com “Um Toque Divinal”, espetáculo de Huba Mateus que conjuga corpo, voz e textos de intervenção social.

O programa começa, contudo, a 18 de novembro, com a “Assembleia da Verdade I”, envolvendo alunos de dois agrupamentos de escolas de Abrantes e da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, após residências filosóficas dinamizadas por Joana Rita Sousa.

Na manhã seguinte, a “Assembleia da Verdade II” reúne estudantes da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes e participantes da Universidade da Terceira Idade, com uma intervenção do filósofo e antigo presidente da Câmara Nelson Carvalho.

Entre 18 e 21 de novembro, haverá também uma feira do livro de filosofia e a exposição “Rostos Suspensos: Máscaras de Delphim Miranda e Poemas de João Maria André”, na biblioteca municipal, estando prevista entrada gratuita no Museu Ibérico de Arqueologia e Arte.

Em 2025, o festival foi dedicado ao tema “O poder da palavra: pensar, agir, transformar”, tendo como principal convidado e homenageado o filósofo José Gil.

Lusa

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