A Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) vai criar um operador de transportes rodoviários, com uma frota de 146 veículos, dos quais 75% serão novos e 16 elétricos, num investimento global de cerca de 21 milhões de euros.
O projeto, que foi apresentado hoje pelo primeiro secretário da CIMLT, António Torres, na reunião de Câmara de Santarém, surge após anos de impasses com operadores privados e processos judiciais, e prevê que a nova empresa, detida a 100% pelos 11 municípios da Lezíria, inicie operações no ano letivo de 2027, após um período de transição com os atuais operadores.
“Queremos garantir um serviço público eficiente, sustentável e com qualidade”, afirmou António Torres, sublinhando que a idade média da frota será inferior a três anos no arranque, face aos atuais 20 anos.
A aposta na renovação da frota inclui a aquisição de 16 autocarros elétricos, já com candidatura aprovada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), permitindo uma redução estimada de 800 toneladas de CO2.
Os transportes urbanos de Santarém serão totalmente elétricos, e haverá veículos elétricos para ligações intermunicipais, como Santarém–Cartaxo–Azambuja ou Samora Correia–Benavente–Vila Franca de Xira.
O investimento será financiado por um empréstimo de longo prazo de 21 milhões de euros, a pagar em 12 anos, e pelo programa “Incentiva + Transportes”, que atribui à CIMLT seis milhões de euros anuais para redução tarifária e investimentos.
O capital social da empresa será de 3,8 milhões de euros, subscrito pelos 11 municípios que pertencem à Lezíria do Tejo, com Santarém a assumir cerca de 800 mil euros.
A operação da nova empresa prevê cerca de cinco milhões de quilómetros anuais, incluindo 8% em vazio (deslocações sem passageiros), e a manutenção das atuais oficinas e terminais rodoviários.
A estrutura contará ainda com 183 trabalhadores, incluindo 148 motoristas, e três diretores (geral, financeiro e de operação), além de um conselho de administração composto por três presidentes de câmara, sem remuneração.
Em termos tarifários, a CIMLT quer simplificar a oferta, prevendo três tipos de passe: urbano em Santarém (10 euros), rede intermunicipal (20 euros) e rede com ligação a Lisboa (40 euros).
Segundo António Torres, o projeto coloca a Lezíria “num patamar competitivo face a outras regiões”, com um custo por quilómetro de 2,34 euros, inferior ao praticado na Área Metropolitana de Lisboa (2,80 euros).
“Estamos a falar de um modelo mais vantajoso e com forte componente ambiental”, concluiu.
O presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, João Leite, afirmou, também na reunião de Câmara, que o processo “chega a um ponto de maturidade bastante avançado”, depois de anos de discussão envolvendo vários presidentes de câmara.
“Faltava apenas alguns municípios tomarem esta decisão”, disse, sublinhando que o tema foi alvo de “mais de duas dezenas de questões” da sua parte, na fase inicial, que “na sua grande maioria foram esclarecidas”.
João Leite revelou ainda ter contactado outras regiões com modelos distintos, como Leiria, que combina gestão intermunicipal e concessão urbana, e o Oeste, que avança para uma parceria público-privada com 51% de capitais públicos.
"O nosso foco é que a empresa seja financeiramente sustentável e dê a resposta que desejamos às populações”, afirmou, reconhecendo que “o serviço atual está longe do ideal”.
A Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) é uma entidade pública criada em 2008 que agrega 11 municípios da região da Lezíria do Tejo (Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém, numa área de cerca de 4 275 km² e com cerca de 236 mil habitantes.
Lusa