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Mação: Município avança para compra da antiga Fábrica Mirrado por 1,13 milhões de euros (c/áudio)

1/10/2026 às 12:00
Fotos: Joaquim Diogo | Kimagem

A Câmara Municipal de Mação aprovou a aquisição das antigas instalações da Fábrica Mirrado por 1,13 milhões de euros, com o objetivo de transformar o complexo num espaço multiusos para feiras, exposições, congressos, espetáculos e outras iniciativas. A proposta foi aprovada por maioria, com a abstenção dos vereadores do PSD, seguindo-se a assinatura de um contrato-promessa de compra e venda com a família proprietária. A concretização do negócio depende agora da aprovação da Assembleia Municipal.

A decisão foi tomada esta quarta-feira numa reunião extraordinária do executivo municipal. Logo depois, o presidente da Câmara, José Fernando Martins, reuniu com a família proprietária para a assinatura do contrato-promessa.

«É um processo que está agora a começar», afirmou o autarca à Antena Livre, lembrando que a aquisição das antigas instalações da Mirrado e a criação de um pavilhão multiusos faziam parte do programa eleitoral do Partido Socialista.

O assunto já tinha estado em cima da mesa na semana anterior, mas ficou pendente devido à falta de um documento e a um pedido dos vereadores para realizarem uma visita às instalações.

Ultrapassadas essas questões, a Câmara aprovou agora a aquisição, embora José Fernando Martins sublinhe que ainda falta um passo fundamental.

«Carece de autorização da Assembleia Municipal. Terá que ser aprovada ainda em Assembleia Municipal», explicou, acrescentando que a aquisição definitiva está prevista apenas para o próximo ano, permitindo ao Município preparar os respetivos instrumentos orçamentais.

O acordo alcançado com os proprietários estabelece um preço de 1 milhão e 130 mil euros pela antiga fábrica e terrenos anexos.

O complexo tem uma dimensão considerável. Segundo José Fernando Martins, as cadernetas prediais apontam para cerca de 17 mil metros quadrados de área coberta, aos quais acrescem terrenos que permitirão criar estacionamento e zonas destinadas a eventos ao ar livre.

A dimensão do espaço levou o presidente da Câmara a defender uma intervenção faseada.

Depois da aquisição será necessário elaborar o projeto, que José Fernando Martins pretende que seja «amplamente discutido na sociedade», e procurar fontes de financiamento para executar as obras.

O autarca admite, por isso, que ainda existe um caminho longo até à conclusão do futuro equipamento.

«Não é comprar hoje e daqui a uns meses estar pronto a ser utilizado», alertou.

Ainda assim, considera que as características do complexo permitem dividir a intervenção em várias fases e começar a utilizar partes recuperadas enquanto prosseguem os trabalhos nas restantes áreas.

«Toda a área coberta que se apresenta lá agora e toda a estrutura daquele edificado permite-nos realizar ali o investimento de forma faseada», explicou, admitindo que, com um planeamento adequado, algumas áreas possam começar a ser utilizadas ainda durante a execução do projeto.

O objetivo da Câmara é criar um equipamento permanente capaz de receber feiras, exposições, congressos, concertos e outras iniciativas de maior dimensão.

José Fernando Martins aponta como exemplo a Feira Mostra de Mação, que há décadas obriga à montagem de estruturas temporárias.

O futuro espaço permitiria, segundo o autarca, «terminarmos um bocadinho com aquele improviso» associado ao aluguer de tendas e à instalação temporária de infraestruturas de eletricidade, água e outros serviços sempre que se realizam grandes eventos.

Para o presidente da Câmara, a aquisição representa, caso receba luz verde da Assembleia Municipal, «um grande passo para o futuro da vila de Mação e do concelho de Mação».

José Fernando Martins evita, contudo, classificar a intervenção como um projeto limitado ao atual mandato.

«Para mim não há projetos de mandato, há projetos para Mação», afirmou, considerando a criação de um espaço desta natureza «um velho sonho» e uma necessidade do concelho.

A operação é também encarada pelo Município como uma intervenção de regeneração urbana.

José Fernando Martins revelou que, durante a visita realizada às instalações antes da reunião de Câmara, encontrou novos sinais de vandalismo relativamente a uma deslocação anterior.

Vidros partidos, portas danificadas e sinais de entrada no edifício demonstram, segundo o presidente, que o antigo complexo industrial começa a entrar num processo de degradação.

José Fernando Martins, presidente CM Mação

O autarca destaca ainda a localização das antigas instalações, próximas do núcleo urbano mas com espaço suficiente para acolher um equipamento de grande dimensão.

«Vamos regenerar aquele espaço e vamos transformá-lo num espaço irreconhecível ao serviço da população do concelho de Mação», afirmou.

Uma fábrica ligada à história de Mação

A aquisição envolve um dos espaços mais marcantes da história industrial do concelho.

A atividade da Fábrica Mirrado remonta a 1889. Durante décadas foi uma das principais empregadoras de Mação e desempenhou um papel relevante na economia e na fixação de população no território.

Um despacho governamental de 1978, publicado numa altura em que a empresa atravessava dificuldades financeiras, referia que a fábrica empregava então 113 trabalhadores, numa vila com pouco mais de mil habitantes.

A importância da Mirrado ultrapassou, no entanto, esse período. A fábrica produziu para os mercados nacional e internacional e atraiu trabalhadores provenientes de outras regiões do país, incluindo da Covilhã, ficando também associada à construção de habitações destinadas aos seus funcionários.

O historiador Paulo Falcão Tavares tem apontado a Mirrado como uma das grandes referências da industrialização de Mação, estimando que, ao longo da sua história, tenham passado pela empresa milhares de trabalhadores.

Mais de um século depois do início da atividade industrial, o antigo complexo poderá agora ganhar uma nova função. Se a Assembleia Municipal aprovar a aquisição, a antiga Fábrica Mirrado dará lugar a um novo espaço multiusos, recuperando para utilização pública uma área fortemente ligada à memória económica e social de Mação.

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