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Empresas: Presidente da Nersant quer novo mandato para reforçar competitividade empresarial de Santarém

21/07/2026 às 16:18

O atual presidente da associação empresarial Nersant, Rui Serrano, recandidata-se ao cargo nas eleições de sexta-feira propondo um mandato centrado na competitividade das empresas, com prioridades na habitação para trabalhadores, energia, simplificação administrativa e acesso aos fundos europeus.

"Nestes últimos oito meses, sinto que iniciámos um caminho e um caminho não se interrompe a meio", disse hoje à Lusa Rui Serrano, justificando a recandidatura com a necessidade de “consolidar a recuperação financeira” da associação empresarial da região de Santarém, com sede em Torres Novas, e “reforçar o seu papel na nova NUT II Oeste e Vale do Tejo”, que agrega as CIM do Médio Tejo, Lezíria e Oeste.

O dirigente, que assumiu a presidência da associação empresarial em novembro de 2025, após a saída de António Pedroso Leal, concorre em lista única às eleições de sexta-feira para um mandato de três anos (2026-2028), considerando essa circunstância "um sinal de confiança e de continuidade" por parte dos associados.

Entre as prioridades para o próximo mandato, Rui Serrano aponta a criação de condições para fixar trabalhadores na região, defendendo políticas de habitação acessível, maior mobilidade casa-trabalho e apoios às pequenas e médias empresas para reduzirem os custos energéticos e investirem em autoconsumo.

Defende igualmente uma redução dos custos de contexto que afetam as empresas, através de processos de licenciamento mais céleres, menos burocracia, maior previsibilidade fiscal e pagamentos públicos atempados, bem como um melhor aproveitamento dos futuros instrumentos europeus de financiamento para promover investimento e emprego.

"Sem habitação não há fixação de pessoas e sem pessoas não há crescimento empresarial", sustentou, defendendo que a Nersant deve assumir-se como parceira ativa das empresas, dos municípios e das restantes instituições na construção de soluções para o território.

No balanço dos cerca de oito meses de mandato, Rui Serrano destacou a resposta da associação aos efeitos da tempestade Kristin, a promoção internacional da região na feira MIPIM, em Cannes, o reforço da proximidade às empresas através do Roadshow Ribatejo Invest e a renovação da identidade institucional da Nersant.

Sobre a tempestade Kristin, que atingiu a região poucos meses após a sua tomada de posse, o presidente da Nersant afirmou que provocou "danos significativos" em instalações, equipamentos, 'stocks' e capacidade produtiva de muitas empresas, sobretudo nos setores da agroindústria e da construção, estimando que entre 70% e 80% das paragens iniciais tenham resultado da interrupção do fornecimento de eletricidade e das comunicações.

Na sequência desse episódio, a associação elaborou o "Livro Negro da Calamidade Empresarial", documento que serviu de base à defesa de apoios extraordinários para as empresas afetadas e à apresentação, em conjunto com outras associações empresariais, de propostas de incentivos não reembolsáveis para os territórios atingidos.

Embora considere que as medidas entretanto aprovadas pelo Governo responderam às necessidades mais imediatas, Rui Serrano defendeu que continuam a fazer falta apoios a fundo perdido para empresas com prejuízos de maior dimensão, lamentando que "a recuperação das capacidades produtivas" tenha deixado de estar no centro das preocupações.

Quanto à situação financeira, Rui Serrano afirmou que a venda do antigo pavilhão de exposições da Nersant, em Torres Novas, por 1,905 milhões de euros, permitiu reduzir o financiamento de curto prazo em cerca de 860 mil euros e o de longo prazo em 187 mil euros, deixando a associação com uma autonomia financeira superior a 60%.

Segundo o dirigente, a associação terminou 2025 com 3.208 associados, mais 81 do que no ano anterior, crescimento que considera demonstrativo da confiança das empresas no trabalho desenvolvido.

Entretanto, a Assembleia Geral da Nersant, realizada na segunda-feira, aprovou por maioria o Relatório de Gestão, Balanço e Contas de 2025, registando-se uma abstenção.

O exercício encerrou com um resultado líquido positivo de 1.052.423,59 euros, valor influenciado por uma operação extraordinária relacionada com a alienação de património, incluindo a venda do Pavilhão Nersant.

Os associados aprovaram ainda, por unanimidade, a aplicação do resultado em Fundo Associativo, reforçando a capacidade da associação para desenvolver novos projetos de apoio às empresas da região.

Lusa

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