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A. MatosCar
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Abrantes: Festival comunitário do Souto recorre a 'crowdfunding' para evitar cortes na programação

16/06/2026 às 15:33
Foto de Arquivo

A organização da Festa do Futuro, festival comunitário que decorre em agosto na aldeia do Souto, no concelho de Abrantes, lançou uma campanha de financiamento coletivo para evitar cortes na programação da 3.ª edição, anunciou a associação promotora.

“Ficámos neste momento só com o apoio do Finabrantes, que são 5.600 euros e com o qual não nos é possível fazer a Festa do Futuro na sua plenitude programática e, por isso, começámos esta angariação de fundos”, disse hoje à Lusa a presidente da associação cultural Além Mundus, promotora do evento, Carolina Serrão.

A campanha de ‘crowdfunding’, lançada na plataforma PPL, pretende reunir cerca de 5.000 euros para assegurar a componente musical do festival, marcado para os dias 1 e 2 de agosto, na aldeia do Souto, no norte do concelho de Abrantes.

Criada em 2024 pela associação Além Mundus, a Festa do Futuro apresenta-se como um festival comunitário que junta cultura, arte, reflexão ambiental e participação cidadã, envolvendo habitantes, associações e agentes culturais da região na construção do programa.

Depois de uma 1.º edição dedicada ao tema “Coletivo” e de uma 2.ª centrada na “Floresta”, o mote deste ano será a “Água”.

Segundo Carolina Serrão, a perda de apoios anteriormente atribuídos por entidades públicas, na sequência de alterações nos modelos de financiamento, deixou a organização dependente do apoio municipal obtido através do programa Finabrantes.

“Há uma data de apoios que caíram e que nós não tivemos direito”, afirmou, indicando que a verba atualmente garantida permite assegurar apenas parte da programação prevista para este ano.

A responsável explicou que estão em causa sobretudo os concertos e os custos associados ao aluguer de equipamento de som e luz, considerados os encargos mais elevados da iniciativa.

“O que fica em causa é a maior parte desta programação, nomeadamente a programação musical, que é a que é mais cara”, declarou.

Segundo a organização, o apoio municipal já garantiu a realização de várias iniciativas como espetáculos de teatro e dança, oficinas, caminhadas temáticas, uma mostra de curtas-metragens, uma exposição dedicada às tempestades que afetaram o país e a criação de um mural comunitário sobre o tema da água.

“Se cada pessoa der um bocadinho, cada pessoa dá dentro das suas possibilidades e conseguimos chegar aos 5 mil euros que nós precisamos para ter esta parte da programação musical”, afirmou Carolina Serrão.

Sem o valor em falta, a organização poderá ser obrigada a reduzir significativamente a programação prevista, admitiu, alertando para o impacto que isso teria na dinâmica local.

“Sem música vamos ter menos pessoas e, se tivermos menos pessoas, toda a gente vai sair prejudicada”, afirmou.

A organização considera que o festival tem também um impacto económico relevante na aldeia do Souto e nas localidades vizinhas, envolvendo associações locais, comerciantes, artesãos e pequenos produtores.

Este ano, a iniciativa volta a incluir uma feira de artesanato e artigos em segunda mão, com cerca de duas dezenas de expositores, além da participação de várias associações locais.

A edição de 2026 vai promover atividades de reflexão sobre fenómenos climáticos extremos, recursos hídricos e território.

“Vamos ter uma exposição sobre a tempestade Kristin e sobre as tempestades que assolaram o centro do país. Vamos falar sobre a água, sobre as cheias, sobre a barragem de Castelo de Bode e refletir sobre todas estas questões”, adiantou.

Para Carolina Serrão, o festival assume-se como um instrumento de dinamização dos territórios do interior.

“A nossa ideia é trabalhar no interior, dinamizar esta zona, trazer pessoas para aqui e mostrar que o interior também merece ter iniciativas, eventos e vida”, declarou.

A campanha de financiamento decorre até 13 de julho e tinha hoje já ultrapassado os 2.100 euros, cerca de 39% da meta definida.

O programa da 3.ª edição será apresentado a 19 de julho, na aldeia de Matagosa, freguesia do Carvalhal, também no concelho de Abrantes.

Lusa

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