A Universidade Politécnica de Tomar prepara a segunda edição do Marketing Fest, um encontro dedicado ao marketing, comunicação, publicidade e novas tendências digitais, que pretende reunir profissionais, especialistas, empresas e estudantes. Depois do sucesso da primeira edição, a organização quer consolidar o evento e contribuir para afirmar Tomar como uma referência nacional na área do marketing. O programa inclui um debate sobre a promoção territorial e a capacidade de transformar o Médio Tejo numa marca mais forte e reconhecida.
O Marketing Fest regressa a Tomar para a segunda edição, depois de uma estreia que superou as expectativas da organização, com o auditório lotado e uma participação significativa de estudantes, escolas e profissionais do setor.
Em entrevista à Antena Livre, Vasco Santos, professor da Universidade Politécnica de Tomar e um dos responsáveis pela iniciativa, explicou que o evento nasceu da aposta da instituição nas áreas do marketing, comunicação, design, multimédia e audiovisuais.
A ideia passou por criar um encontro que cruzasse estas diferentes áreas de conhecimento, aproximando o ensino superior das empresas e dos profissionais que trabalham diariamente no setor.
"Queríamos começar a posicionar Tomar também como capital do marketing. Tínhamos esse desígnio e começámos a construir essa imagem, essa identidade, esse posicionamento", afirmou Vasco Santos.
O professor revelou que a designação Marketing Fest foi objeto de um processo de registo de marca nacional junto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), tendo a organização recebido a confirmação do registo em dezembro do ano passado.
O balanço da primeira edição foi considerado muito positivo, com uma adesão que obrigou inclusivamente a disponibilizar a transmissão do evento noutro auditório, para permitir que mais pessoas acompanhassem os trabalhos.
"Tivemos o auditório lotado, muitas escolas a participar e também inscrições de profissionais. Percebemos que seria um evento para ter várias edições", recordou.
Profissionais experientes e novos talentos no mesmo palco
A segunda edição pretende reunir profissionais de marcas, agências de publicidade, especialistas em comunicação digital e novos talentos que começam agora a afirmar-se no mercado de trabalho.
Segundo Vasco Santos, a escolha dos convidados procura equilibrar a experiência de profissionais com percursos consolidados e as perspetivas de quem entrou recentemente nestas áreas.
O objetivo é promover a troca de experiências e diferentes visões sobre um setor que atravessa profundas transformações, impulsionadas sobretudo pelas novas tecnologias e pelas mudanças nos hábitos de comunicação e consumo.
"O mundo está a mudar, muda todos os dias. Há um mundo que é vertiginoso hoje em dia, tudo muda em espaço de minutos", salientou.
Para o docente, é fundamental que os estudantes compreendam que o mercado de trabalho se constrói através da experiência acumulada, mas também da capacidade de inovação das novas gerações.
O Marketing Fest dirige-se a profissionais, empresários e público interessado nestas matérias, embora tenha particular atenção aos estudantes da Universidade Politécnica de Tomar e das escolas da região do Médio Tejo, nomeadamente dos cursos profissionais ligados à comunicação, marketing e áreas criativas.
Influenciadores digitais e criadores de conteúdos em debate
Um dos painéis previstos vai abordar as diferenças entre influenciadores digitais e criadores de conteúdos, duas atividades que ganharam crescente importância na economia digital, mas que nem sempre são corretamente distinguidas.
Vasco Santos explicou que um influenciador digital é, por regra, também um criador de conteúdos, mas nem todos os criadores de conteúdos podem ser considerados influenciadores.
A diferença está sobretudo na capacidade de influência sobre uma comunidade, que não depende exclusivamente do número de seguidores, mas também da interação e da relação estabelecida com o público.
"Um influenciador já entra num outro patamar de influência, não só no número de seguidores, mas também no tipo de interação que esses seguidores têm", explicou.
O professor destacou que estas atividades representam novas oportunidades profissionais e exigem conhecimentos técnicos e competências específicas.
Profissões como gestor de redes sociais, criador de conteúdos ou especialista em comunicação digital, que há alguns anos poderiam parecer pouco convencionais, são hoje parte integrante da atividade de muitas empresas.
O debate pretende também proporcionar às empresas da região uma oportunidade para compreenderem melhor estas ferramentas e a forma como podem ser utilizadas nas estratégias de comunicação e promoção dos seus produtos e serviços.
Médio Tejo precisa de uma marca territorial mais forte?
Uma das novidades desta segunda edição será um painel dedicado ao branding territorial, ou seja, à construção e promoção da identidade dos territórios enquanto marcas.
A discussão pretende analisar a forma como cidades e regiões podem valorizar os seus recursos, produtos, património, cultura e identidade para atrair visitantes, investimento e novos residentes.
Vasco Santos considera que o marketing territorial não deve ser entendido apenas como uma responsabilidade das câmaras municipais, envolvendo também empresas, instituições de ensino, associações e outros agentes económicos e sociais.
Na entrevista à Antena Livre foi colocada a questão de saber se o Médio Tejo, enquanto território que integra 11 municípios e tem em Abrantes, Tomar e Torres Novas três importantes centros urbanos, já possui uma marca suficientemente forte ou se continua a ser promovido de forma fragmentada.
O professor revelou que esta é precisamente uma das questões que a organização pretende colocar em discussão durante o encontro.
"Vai ser tema, porque é basicamente uma das questões que nós, a organização, já preparámos", confirmou.
Vasco Santos reconheceu que existem localidades e produtos com forte notoriedade individual, mas considera importante refletir sobre a capacidade de promover o conjunto da região.
Entre os exemplos referidos estão o Convento de Cristo, em Tomar, a Palha de Abrantes e outros produtos tradicionais, assim como os eventos e recursos turísticos que distinguem diferentes concelhos.
O professor utilizou a imagem de um puzzle para explicar o desafio da promoção regional.
"São peças muito específicas, muito próprias, muito diferentes, mas na mesma malha territorial. Então, como é que nós juntamos estas peças todas para que o puzzle se possa vender o mais possível?", questionou.
O docente considera que o debate poderá ajudar a identificar estratégias comuns para aumentar a notoriedade do Médio Tejo, tanto no mercado nacional como internacional.
A organização está também a preparar convites dirigidos a autarcas da região, procurando envolver os responsáveis municipais nesta reflexão.
Marketing territorial não serve apenas para atrair turistas
Vasco Santos sublinhou que a promoção de um território deve ir além da divulgação turística.
Uma estratégia de marketing territorial pode contribuir para captar empresas e investimentos, atrair novos residentes, valorizar produtos locais e reforçar o sentimento de pertença das populações.
O docente considera que todos os intervenientes de um território podem contribuir para a construção dessa identidade, desde as instituições públicas às empresas, associações e cidadãos.
A valorização dos produtos endógenos, das tradições e do património pode, assim, funcionar como elemento diferenciador de uma região num contexto de crescente concorrência entre territórios.
A realização do Marketing Fest surge também numa nova fase da instituição de ensino superior de Tomar, que assumiu o estatuto de Universidade Politécnica a partir de 1 de agosto.
Vasco Santos, docente UNIVPT
Vasco Santos considera que encontros desta natureza reforçam a ligação entre o ensino superior e o tecido empresarial, permitindo aos estudantes conhecer melhor as exigências do mercado de trabalho e estabelecer contactos com profissionais.
O professor destacou a importância de as instituições de ensino superior desenvolverem parcerias, protocolos e projetos conjuntos com empresas, particularmente as que estão instaladas nos territórios onde desenvolvem a sua atividade.
Esta aproximação pode também contribuir para criar oportunidades de emprego e ajudar a fixar jovens qualificados na região.
Segundo Vasco Santos, muitos estudantes procuram conciliar a formação académica com a atividade profissional, sendo particularmente importante a existência de oportunidades de trabalho próximas das instituições onde estudam.
O Marketing Fest pretende, por isso, funcionar também como espaço de encontro entre a formação académica e a realidade empresarial, estimulando novas oportunidades de colaboração.
Organização admite ambição nacional
Depois da adesão registada na primeira edição, a organização pretende continuar a fazer crescer o Marketing Fest, embora Vasco Santos reconheça que esse desenvolvimento terá de ser gradual.
Questionado sobre a possibilidade de o encontro se transformar num grande evento nacional dedicado ao marketing, o professor admitiu que essa ambição existe, mas que será necessário aumentar a capacidade de acolhimento.
"Regionalmente já o é. Nacional poderá vir a sê-lo, sendo que teremos de ter um auditório muito maior", afirmou.
Para já, a prioridade passa por consolidar a segunda edição e continuar a melhorar o formato, os conteúdos e a capacidade de atração do encontro.
A organização pretende que Tomar ganhe progressivamente notoriedade como ponto de encontro entre profissionais, estudantes, empresas e especialistas das áreas do marketing e da comunicação.
No final da entrevista à Antena Livre, confrontado com a questão de saber se o marketing é apenas uma moda ou uma área determinante para o futuro, Vasco Santos respondeu de forma categórica:
"É o passado, é o presente e é o futuro."