Depois de um dia de sábado com caudais estáveis, o nível das águas do Rio Tejo vai voltar a subir durante a noite e madrugada.
A informação foi avançada à Antena Livre pelo presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, que recebeu a indicação da Agência Portuguesa do Ambiente. Não será uma subida grande, mas vai subir e importa que as pessoas das zonas ribeirinhas estejam atentas.
Segundo o autarca os níveis serão da ordem dos 6.000 m3/s, valor inferior aos 8.000 m3/3 que se registaram na tarde desta quinta-feira.
O presidente da Câmara de Abrantes disse ainda que a Proteção Civil vai monitorizar o rio e afluentes durante a noite, mas alertou as pessoas para os cuidados a ter nas estradas que possam ter inundações ou lençóis de água por via dos aumentos de caudal das várias ribeiras.
Manuel Jorge Valamatos

Às 18 horas foram encerradas ao trânsito a EN2 entre o cruzamento de S. Macário/Arreciadas e Bemposta e a EN118 entre Rossio ao Sul do Tejo e Tramagal, não sendo já possível passar na estrada do Celão.
Continuam encerradas ao trânsito a EN118, entre Rossio ao Sul do Tejo e Pego, devido à estrada submersa, sendo possível, no entanto, circular com precaução pela Estrada do Serrado (Coalhos) e Cabrito, e a Estrada Arrifana (Alameda da Igreja de S. Miguel) – S. Miguel do Rio Torto.
Há ainda nota de que a EN2 esteve cortada entre a Rotunda do Olival e a Av. Dr. Francisco Sá Carneiro (av. do Ciclo) porque a Infraestruturas de Portugal esteve a fazer uma intervenção de remoção das barreiras caídas naquela via.
De referir que o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, já esta noite fez uma publicação na rede social Facebook onde alertava para uma ligeira subida dos caudais. Recorde-se que em Constância há que ter em conta os caudais do Tejo e do Zêzere, pelo que as contas são diferentes.
“Pela informação disponibilizada pela APA, prevê-se um ligeiro aumento dos caudais debitados pelas barragens, e consequente aumento dos níveis registados no rio Tejo, podendo verificar-se o caudal de 7500 m3/s em Almourol durante a madrugada e manhã. Reiteramos o aviso para que as pessoas não se desloquem para zonas inundáveis.”
Montenegro destaca articulação com Espanha que tem evitado “males maiores”
O primeiro-ministro destacou hoje a articulação permanente com Espanha, nas últimas quatro semanas, que “tem sido fundamental” para evitar “males maiores”, exemplificando com o rio Douro, mas advertiu que essa gestão está “num pico de sensibilidade”.
“Essa gestão é uma gestão que neste momento está num pico de sensibilidade porque, quer Portugal quer Espanha, estão a viver o mesmo problema e, portanto, temos de fazer de forma coordenada essa gestão”, afirmou Luís Montenegro, depois de ter estado na zona ribeirinha do Peso da Régua a observar o caudal do rio Douro, que subiu significativamente nas últimas semanas.
O primeiro-ministro aproveitou esta visita ao sul do distrito de Vila Real para destacar a “grande interação” que se tem verificado com Espanha em relação à gestão dos caudais dos rios ibéricos.
“Esta é uma das coisas que eu não tenho destacado e queria aproveitar aqui no Peso da Régua para destacar, que é uma articulação permanente, que já leva quase quatro semanas, também de permanente contacto entre o Governo português e o Governo espanhol, as entidades que em cada país têm responsabilidade na gestão dos recursos hídricos e daqueles que têm impacto na gestão dos caudais dos rios, e isso tem sido absolutamente fundamental para evitar males maiores por esta altura”, salientou.
Considerando que “é o caso do que tem sucedido no Rio Douro e, em particular, (…) no Peso da Régua”. Aqui, o rio inundou o cais fluvial da Régua, onde há três edifícios que estão submersos, mas tem-se conseguido evitar que galgue a principal avenida da cidade, a João Franco.
“A gestão das descargas das barragens, das barragens espanholas, das barragens já do território português, tem permitido gerir com alguma serenidade, que é uma palavra que o presidente da câmara tem utilizado com frequência no diálogo que tem mantido comigo, uma situação que noutros anos, até com menos impacto de precipitação tem tido até efeitos piores nesta zona”, salientou, falando do autarca da Régua, José Manuel Gonçalves.
E, portanto, frisou, “esta coordenação é absolutamente fundamental nas zonas onde há espaço para ter esta gestão”.
Luís Montenegro reconheceu, no entanto, que há “grande pressão” e que “há zonas e há barragens que estão já a atingir os limites da sua capacidade”.
“Há descargas que têm de ser feitas mesmo quando a pressão é menor. É outra das coisas que nós estamos a fazer há várias semanas. Nós estamos a ter descargas monitorizadas até algumas cheias provocadas nas últimas semanas, precisamente para libertar capacidade, para nos dias, como é o caso do dia de hoje, em que há mais precipitação, haver maior capacidade de retenção, precisamente nas barragens”, explicou.
Fazendo questão de destacar que, apesar de o país “estar a viver momentos de grande drama e dificuldade em muitas regiões, há também um trabalho de acautelar, de minimizar esses impactos”.
“Não tem sido, em muitos casos, possível suster o efeito da subida das águas. Sabemos, repito, hoje em particular na bacia do Tejo, no rio Sado, no rio Mondego e em rios que confluem com estes, há uma pressão elevadíssima e, portanto, aí temos uma gestão de emergência de salvaguardar a vida das pessoas, de as poder retirar dos locais mais atingidos, de poder também contar com a sua colaboração”, referiu.