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Exército: Jovens recrutas juram Bandeira no RAME e assumem compromisso de servir Portugal (c/áudio)

25/07/2026 às 11:03

O Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), em Abrantes, recebeu a cerimónia de Juramento de Bandeira dos soldados recrutas do 4.º Curso de Formação Geral Comum de Praças do Exército de 2026, um dos momentos mais marcantes da formação militar e que simboliza o compromisso solene de servir Portugal, defender a Constituição e cumprir os deveres militares.

Perante familiares, amigos, entidades civis e militares, os jovens recrutas prestaram o mais solene compromisso da carreira militar, jurando "guardar e fazer guardar a Constituição e as leis da República, servir as Forças Armadas e defender a Pátria, mesmo com o sacrifício da própria vida".

"Abrantes e o RAME continuarão a cruzar a sua história"

Na alocução dirigida aos presentes, o comandante da Companhia de Formação, capitão Nelson Bugalho, destacou a importância do Juramento de Bandeira na vida militar e agradeceu a presença das entidades civis e militares.

Dirigindo-se ao comandante da Brigada Mecanizada, brigadeiro-general António Fernandes de Oliveira, sublinhou a estreita ligação entre as duas unidades.

"A sua presença representa um sinal inconfundível de que o RAME e a Brigada Mecanizada não apenas coexistem na mesma área geográfica de influência, mas prosperam sinergicamente e em permanente mútuo apoio como unidades irmãs e fraternas."

Ao comandante do RAME, coronel Siborro Leitão, agradeceu a aposta permanente na formação de novos militares.

"O RAME constitui hoje um dos mais importantes polos de formação do Exército, sendo o berço de gerações de soldados de Portugal."

O oficial dirigiu ainda palavras de reconhecimento aos representantes do Município de Abrantes e das freguesias presentes na cerimónia, destacando a forte ligação entre o quartel e a cidade.

"Este Regimento tem o seu epicentro em Abrantes e Abrantes é o epicentro de Portugal. A história desta cidade e deste antigo Quartel de São Lourenço tem-se cruzado no passado e continuará certamente a cruzar-se no futuro. Esta casa é também dos abrantinos."

Homenagem às famílias: "São as mãos invisíveis que sustentam estes soldados"

Um dos momentos mais emotivos da intervenção foi dedicado às famílias dos recrutas. Nelson Bugalho recordou que o ingresso no Exército é um desafio não apenas para quem veste a farda, mas também para pais, avós, padrinhos, familiares e amigos.

"Estes jovens tiveram coragem para dar o primeiro passo para integrar o Exército Português, mas foram vocês que lhes deram a força para continuar."

 

No discurso descreveu o papel das famílias como essencial para o sucesso da formação.

"Vocês são as mãos invisíveis e insubstituíveis que pousam nos ombros destes jovens militares. São as vossas mãos que os impedem de cair, que lhes limpam as lágrimas e que levantam os seus pés fatigados para continuarem em frente."

O capitão pediu que esse apoio se mantenha durante o restante período de instrução.

"Continuem a acompanhá-los. O sucesso desta formação será também mérito vosso.

Reconhecimento aos instrutores

O comandante da Companhia de Formação fez igualmente questão de homenagear os instrutores responsáveis pela preparação dos recrutas.

Considerou que estes militares são verdadeiros mestres na vida dos jovens soldados, responsáveis por transmitir valores que perdurarão para sempre.

"O vosso trabalho é discreto, mas os resultados estão à vista de todos. Obrigado não apenas por formarem bons militares, mas melhores pessoas."

 

"A honra não se ensina, vive-se"

Dirigindo-se aos soldados recrutas, Nelson Bugalho escolheu uma palavra para marcar esta fase da formação: honra.

"A honra não se ensina. Aprende-se. Não é uma meta, é um caminho."

O oficial explicou que os militares iniciam, desde o primeiro dia de instrução, um percurso assente nos valores da responsabilidade, disciplina, lealdade e compromisso para com Portugal.

Para ilustrar o significado da honra, recordou a história de uma bandeira nacional preservada durante anos pelo primeiro-cabo João Lopes de Almeida, capturado pelas forças indianas durante a invasão de Goa, em 1961.

Mesmo em cativeiro, o militar conseguiu esconder e preservar a bandeira portuguesa, entregando-a posteriormente ao Exército, onde permanece atualmente.

Para Nelson Bugalho, esse exemplo deve inspirar as novas gerações.

"Percorram também o vosso caminho da honra. Honrem os vossos familiares, os vossos amigos, os vossos instrutores e esta família intemporal a que chamamos Pátria."

Os deveres militares

Antes do Juramento de Bandeira, o adjunto do comandante do Batalhão de Formação, sargento-chefe João Silva, leu vários artigos do Regulamento de Disciplina Militar, recordando os princípios que orientam a condição militar.

Entre os deveres destacados estiveram a obediência, disponibilidade permanente para o serviço, lealdade, honestidade, correção e aprumo, sublinhando que os militares devem estar preparados para cumprir a missão "mesmo com o sacrifício da própria vida".

A conquista da boina

Após o juramento realizou-se a imposição das boinas, símbolo da integração plena na comunidade militar.

Segundo foi recordado na cerimónia, a boina utilizada pelo Exército Português teve origem nos Caçadores Especiais, em 1960, tornando-se desde então um dos principais símbolos da condição militar.

"Quem usa esta boina assumiu publicamente o compromisso de guardar Portugal", foi referido durante a cerimónia.

Distinção dos melhores recrutas

Foram igualmente distinguidos os soldados que mais se destacaram durante esta fase da formação.

O soldado recruta melhor classificado foi João Cruz, 20 anos, natural de Viseu. O soldado recruta do 1.º pelotão teve 17,88 valores e tem como objetivo seguir a carreira de sargento e servir Portugal em missões no estrangeiro.

Na categoria de Mérito Escolar, foi distinguido o Soldado Recruta Rodrigo José Rodrigues, de 21 anos, natural da Guarda, que concluiu esta fase da formação com 18,48 valores. O militar afirmou que a sua principal motivação para ingressar no Exército foi "o cultivo de valores raros na sociedade civil" e a possibilidade de integrar futuras Forças Nacionais Destacadas.

Na categoria de Mérito Pessoal, foi distinguido o Soldado Recruta Odair Alexandre Rodrigues Vaz, de 23 anos, natural da Amadora, com 18,67 valores, destacando como principal motivação "a disciplina e a honra de servir Portugal em território nacional e além-fronteiras".

Já na distinção de Desembaraço Físico, foi premiado o Soldado Recruta Tomás Ramos Sobral, de 22 anos, natural de Sintra, cuja motivação para ingressar no Exército passa por construir uma carreira militar.

Com o Juramento de Bandeira cumprido, os soldados do 4.º Curso de Formação Geral Comum de Praças prosseguem agora a formação militar, assumindo oficialmente o compromisso de servir Portugal e integrando, a partir deste momento, a comunidade militar do Exército Português.

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