O Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo, em Mação, foi um dos 40 museus portugueses selecionados para receber financiamento do programa ProMuseus, entre 97 candidaturas apresentadas a nível nacional.
O projeto, com um valor de cerca de 42 mil euros, prevê a criação de novos recursos educativos e de uma experiência sensorial destinada a tornar o património museológico mais acessível, nomeadamente a pessoas cegas ou com deficiência visual. A implementação está prevista para 2027.
O presidente da Câmara Municipal de Mação, José Fernando Martins, participou na quarta-feira, 4 de novembro, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, na cerimónia de assinatura do contrato de financiamento do programa ProMuseus, promovido no âmbito da Rede Portuguesa de Museus.
Em declarações à Antena Livre, esta quinta-feira, o autarca explicou que o programa dispõe de uma dotação global de cerca de um milhão de euros para apoiar projetos de valorização dos museus portugueses.
A candidatura de Mação representa um investimento de aproximadamente 42 mil euros, destinado ao desenvolvimento de um programa educativo e sensorial que pretende alargar as possibilidades de acesso ao património.
«É muito bom para Mação, mas é o reconhecimento de todos os projetos que estão feitos e desenvolvidos em Mação e, essencialmente, das pessoas que nele trabalham», destacou José Fernando Martins.
O projeto aprovado organiza-se em quatro componentes: a produção de um atlas com 20 objetos representativos do património do museu, a elaboração de um manual de mediação para orientar atividades pedagógicas, a criação de um jogo de grande formato e o desenvolvimento de um dispositivo itinerante de caráter sensorial.
Uma das principais novidades será a criação de uma experiência numa sala escura, onde os visitantes poderão explorar objetos representativos do património museológico através de outros sentidos, para além da visão.
Segundo José Fernando Martins, esta componente pretende reforçar a inclusão social e facilitar o contacto de pessoas cegas ou com deficiência visual com as coleções do museu.
«O que se pretende é aqui a inclusão, a inclusão social, trabalhar muito a parte dos invisuais para poderem identificar esses objetos e ver como é que eles podem, pelos próprios, visitar o museu e desfrutar daquilo que é o museu», explicou.
A iniciativa parte de experiências já desenvolvidas pela instituição, nomeadamente a imersão virtual associada às gravuras rupestres de Ocreza e anteriores atividades sensoriais.
O objetivo é combinar o rigor científico com a acessibilidade, a aprendizagem multissensorial e a criatividade, criando novas formas de interpretar e conhecer o património arqueológico.
Os recursos produzidos poderão também ser utilizados fora do museu, em escolas, centros culturais, outros espaços museológicos e instituições ligadas à educação e à cultura.
O presidente da Câmara de Mação adiantou que a intenção é implementar o projeto durante o próximo ano, embora reconheça que poderão surgir dificuldades ao longo do processo.
«O objetivo é que o projeto seja implementado durante o próximo ano. Muitas vezes existem contrariedades, existem dificuldades, mas o objetivo é exatamente este», afirmou.
Para José Fernando Martins, a aprovação da candidatura constitui um reconhecimento nacional do trabalho desenvolvido pelo museu e pelas suas equipas.
José Fernando Martins, presidente CM Mação

O autarca considera que a instituição tem conseguido manter uma dinâmica de inovação, procurando desenvolver novas atividades e experiências para além das exposições permanentes e temporárias.
Para além do projeto financiado pelo ProMuseus, o Município de Mação está a trabalhar na definição de um novo plano estratégico para o museu.
José Fernando Martins revelou que está prevista uma decisão sobre a alteração da exposição permanente, que se mantém há cerca de dez anos.
O objetivo passa por atualizar a oferta museológica e reforçar o papel da instituição na valorização do património e na promoção turística do concelho.
«Pretende-se que não seja um museu apenas de uma exposição, mas que seja um museu proativo, um museu criativo, que esteja de braços dados e de mãos dadas com a comunidade», sublinhou.
O presidente da Câmara revelou ainda que existe a ambição de criar um novo espaço ou ampliar as atuais instalações do museu, de forma a responder ao crescimento das atividades e dos projetos.
«Temos aqui um outro sonho, que é um novo espaço, uma nova ampliação para podermos concretizar tudo isto e mais alguma coisa que venha a seguir», afirmou.
O autarca adiantou que já existem algumas ideias em estudo, mas não apresentou ainda um calendário ou valores de investimento para uma eventual ampliação.
A aprovação da candidatura ao ProMuseus representa, assim, mais uma etapa na estratégia municipal de valorização do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo, com particular destaque para a acessibilidade, a inclusão e a criação de novas experiências educativas dirigidas a diferentes públicos.