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Alferrarede: Padre António José Clemente foi ordenado presbítero em Lisboa

23/07/2026 às 12:00

A Província Portuguesa da Congregação da Missão (Padres Vicentinos) viveu, no passado dia 18 de julho, um momento de particular alegria com a ordenação presbiteral do Padre António José Clemente, CM, natural de Alferrarede, concelho de Abrantes, e filho da Diocese de Portalegre-Castelo Branco.

A celebração decorreu na Igreja de São Tomás de Aquino, em Lisboa, e foi presidida por D. Nélio Pereira Pita, CM, Bispo Auxiliar de Braga e membro da Congregação da Missão, que, pela imposição das mãos e pela oração de ordenação, conferiu o presbiterado ao Diácono António José Clemente. Na mesma Eucaristia foram ordenados diáconos os missionários vicentinos Pedro Júlio Miranda, CM, e Vilarino Calisto, CM, da Vice-Província de Moçambique.

Participou também na celebração D. Augusto César, Bispo Emérito de Portalegre-Castelo Branco e também membro da Congregação da Missão, juntamente com sacerdotes provenientes de várias dioceses e congregações religiosas. A numerosa assembleia tornou visível a comunhão da Igreja em torno dos novos ministros ordenados e da missão que agora lhes é confiada.

Entre os participantes, encontravam-se pessoas vindas de diferentes pontos do país, representantes dos vários ramos da Família Vicentina, familiares, amigos e membros das comunidades onde o Padre António José Clemente já viveu ou exerceu o seu serviço pastoral, desde Chaves até ao Funchal.

Foi particularmente significativa a presença de um numeroso grupo da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Alferrarede, terra natal do novo sacerdote, pertencente à Diocese de Portalegre-Castelo Branco. A comunidade onde cresceu e aprofundou a sua fé quis acompanhá-lo neste momento decisivo da sua vida e vocação.

António José Nunes Clemente nasceu e concluiu o ensino secundário em Abrantes. Prosseguiu os estudos na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, onde obteve a licenciatura em Direito, em 2007, e o mestrado em Direito, em 2009. Após a formação académica, desempenhou funções como jurista em diversos serviços da Administração Pública e junto dos gabinetes de vários membros do Governo de Portugal.

Paralelamente ao seu percurso profissional, foi-se envolvendo de forma cada vez mais intensa na vida pastoral da sua paróquia e da diocese de origem. A sua participação na Juventude Mariana Vicentina, na qual chegou a exercer o serviço de Presidente Nacional, permitiu-lhe aprofundar a espiritualidade vicentina, participar em várias missões e servir os mais pobres.

Esta experiência de apostolado e de proximidade à Família Vicentina levou-o progressivamente a reconhecer o chamamento de Deus ao ministério como missionário vicentino. Em 2017, ingressou no seminário da Província Portuguesa da Congregação da Missão, em Lisboa, e iniciou os estudos teológicos na Universidade Católica Portuguesa, prosseguindo posteriormente o Mestrado Integrado em Teologia, no Porto.

Entre 2020 e 2021 realizou o Seminário Interno, ou Noviciado, que concluiu com a emissão do Bom Propósito. Ao longo do seu percurso formativo, viveu e colaborou em várias comunidades vicentinas do país, nomeadamente no Porto, Chaves, Salvaterra de Magos, Funchal, Felgueiras e Viseu.

Em 2023 foi instituído leitor, no Porto, e, em 2024, acólito, em Felgueiras. No dia 25 de janeiro de 2025 emitiu os votos perpétuos na Congregação da Missão. Foi ordenado diácono no dia 8 de dezembro de 2025, na Sé Catedral do Porto, por D. Manuel Linda, Bispo do Porto.

Para o seu ministério presbiteral, o Padre António José Clemente escolheu como lema “Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos pobres” (cf. Lc 4, 18). Estas palavras, profundamente ligadas ao carisma de São Vicente de Paulo e à missão da Congregação da Missão, exprimem o desejo de viver o sacerdócio como serviço missionário, levando o Evangelho especialmente aos pobres e às periferias humanas e espirituais.

Em plena sintonia com este lema, D. Nélio Pita partiu, na homilia, das palavras do profeta Isaías – “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu” – para recordar que a unção atravessa toda a vida cristã, desde o Batismo e a Confirmação até ao sacramento da Ordem. Referindo-se à unção das mãos do novo presbítero, o bispo descreveu-as como “mãos frágeis, mãos vazias, mãos por vezes feridas”, mas, ainda assim, necessárias para que continue a realizar-se a obra de santificação do Povo de Deus.

A expressão “é para sempre” marcou vários momentos da homilia. D. Nélio Pita recordou ao novo sacerdote que a ordenação imprime um carácter permanente e o compromete, para toda a vida, com um caminho de progressiva identificação com Cristo, sumo sacerdote e bom pastor.

Dirigindo-se também aos novos diáconos, o bispo apresentou a passagem de Isaías como um verdadeiro programa de vida e de missão: anunciar uma mensagem de esperança, curar as feridas de uma humanidade dilacerada, proclamar a liberdade aos cativos e anunciar o tempo da graça do Senhor.

Esta missão possui uma ressonância particular na espiritualidade da Congregação da Missão, fundada por São Vicente de Paulo para a evangelização dos pobres e a formação do clero. Como recordou D. Nélio, a profecia de Isaías, assumida como lema vicentino — “Enviou-me a evangelizar os pobres” — deve tornar-se uma regra de vida para cada missionário.

O bispo ordenante exortou os novos ministros a colocarem Cristo no centro do seu modo de ser e de agir, vivendo as cinco virtudes próprias da espiritualidade vicentina: simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo. Estas virtudes, afirmou, são traços que ajudam a desenhar no coração humano a imagem de Cristo e a permanecer fiel à missão recebida.

Um dos apelos mais fortes da homilia foi o de compreender o ministério não como privilégio, mas como serviço: “Ser escolhido não é ser privilegiado, mas aceitar ser servo de todos; não é estar acima, mas caminhar ao lado, seguindo o bom pastor”.

D. Nélio Pita convidou ainda os novos ordenados a colocarem o amor antes de qualquer técnica ou competência pastoral, citando o arquiteto Antoni Gaudí: “Para fazer as coisas bem, primeiro o amor. Depois a técnica”. O primeiro dever do sacerdote e do diácono, sublinhou, será sempre amar, inclusive quando esse amor implicar renúncia, sacrifício e entrega.

No final, o bispo garantiu aos novos ministros que não estarão sozinhos no exercício da missão. O Senhor que os chamou continuará a conceder-lhes a graça da fidelidade, através da comunhão da Igreja, da família dos batizados e, de modo particular, da Família Vicentina.

A ordenação do Padre António José Clemente constitui um particular motivo de ação de graças para a Diocese de Portalegre-Castelo Branco, que viu nascer e crescer na fé mais um dos seus filhos, agora chamado a servir a Igreja como sacerdote e missionário vicentino.

Atualmente, o novo presbítero integra a comunidade dos Padres Vicentinos de Viseu e encontra-se ao serviço pastoral da Diocese de Viseu, colaborando na Paróquia do Campo e lecionando Educação Moral e Religiosa Católica no Colégio da Imaculada Conceição. A partir do próximo mês de setembro, estará ao serviço da Diocese do Porto, como reitor do Santuário de Santa Quitéria, em Felgueiras.

Notícia e fotos do Gabinete de Comunicação da Província Portuguesa da Congregação da Missão

 

 

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