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Abrantes: RAME assinala 10 anos de existência com juramento de bandeira de 130 militares (c/áudio)

2/11/2026 às 12:13

O Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), sediado em Abrantes, assinalou o seu 10.º aniversário com uma cerimónia militar marcada pelo juramento de bandeira de 130 soldados-recrutas.

A sessão contou com a presença do comandante das Forças Terrestres, tenente-general Luís Monsanto, e do presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, e ficou marcada pelo reconhecimento do papel do Regimento no apoio às populações, na resposta a catástrofes e na formação de militares.

Criado a 1 de novembro de 2016, no Quartel de São Lourenço, o Regimento de Apoio Militar de Emergência celebrou uma década de atividade, numa cerimónia que juntou militares, antigos comandantes, representantes de entidades civis e militares, familiares e amigos dos soldados que prestaram juramento de bandeira.

O momento mais simbólico da cerimónia foi precisamente o compromisso assumido pelos 130 militares do 5.º Curso de Formação Geral Comum de Praças do Exército, que, perante a Bandeira Nacional, juraram defender Portugal, a sua liberdade e independência, mesmo com o sacrifício da própria vida.

A cerimónia incluiu a interpretação do Hino Nacional pela formação militar, a leitura dos deveres militares previstos no Regulamento de Disciplina Militar, o juramento de bandeira, discursos oficiais e a imposição de condecorações.

 

Na intervenção alusiva ao aniversário, o comandante do RAME, Coronel Siborro Leitão, recordou que a unidade nasceu da convicção de que o Exército tem responsabilidades que ultrapassam a defesa do território e da soberania nacional, nomeadamente na proteção das populações, na cooperação civil-militar e na formação de militares.

Dez anos depois, considerou que essa missão está consolidada, reconhecendo o trabalho dos anteriores comandantes e de todos os militares e civis que contribuíram para a afirmação do Regimento.

O comandante destacou a atividade operacional desenvolvida ao longo do último ano, nomeadamente a participação do Exército na resposta às intempéries e na prevenção e combate aos incêndios rurais.

Durante a campanha de verão, o RAME assegurou diretamente 106 patrulhas de vigilância e deteção de incêndios e, através do Centro de Operações de Apoio Militar de Emergência, acompanhou e controlou 3.014 patrulhamentos, envolvendo 6.380 militares e cerca de 314 mil quilómetros percorridos.

A atividade incluiu ainda a monitorização de destacamentos de engenharia responsáveis pela desobstrução de cerca de mil quilómetros de itinerários florestais, bem como a intervenção de pelotões de rescaldo e de meios de engenharia no apoio ao combate aos incêndios, num esforço que envolveu aproximadamente 700 militares.

O  Siborro Leitão salientou também a intervenção na resposta às tempestades, com mobilização de militares e equipamentos, e o trabalho desenvolvido na formação especializada em apoio militar de emergência.

 

Coronel Siborro Leitão

Na área da formação de praças, o RAME incorporou, ao longo de 2026, um total de 468 soldados, mais 20% do que no período homólogo de 2025. Destes, 130 participaram no juramento de bandeira integrado nas comemorações do aniversário.

O comandante das Forças Terrestres, tenente-general Luís Monsanto, considerou que o RAME conseguiu ultrapassar o ceticismo e as dificuldades que marcaram os primeiros anos de existência, afirmando-se como uma unidade de referência na atuação do Exército.

O responsável militar destacou a importância de uma resposta rápida, coordenada e eficaz em situações de emergência, acidentes graves e catástrofes, considerando que a proteção das populações constitui uma das dimensões essenciais da missão das Forças Armadas em território nacional.

Luís Monsanto sublinhou igualmente a necessidade de continuar a investir na qualificação dos militares, na modernização dos equipamentos e na melhoria dos procedimentos operacionais.

Outro dos projetos destacados foi a preparação do Manual de Apoio Militar de Emergência, que se encontra em fase de conclusão e pretende uniformizar conceitos, procedimentos e formas de atuação, reforçando a coordenação entre os diferentes intervenientes.

 

Tenente-General Luís Monsanto

O comandante das Forças Terrestres reconheceu ainda a importância da cooperação entre o Exército, as autarquias, as forças de segurança e os agentes de proteção civil, numa atuação que permite reforçar a capacidade nacional de resposta a situações de exceção.

A celebração do 10.º aniversário ficou também marcada pelo juramento de bandeira dos soldados-recrutas, um dos momentos mais solenes da vida militar.

Antes do compromisso, foram recordados os deveres previstos no Regulamento de Disciplina Militar, entre os quais a obediência, a disponibilidade, a lealdade, a honestidade, a correção e o aprumo.

 

Deveres 

Perante a Bandeira Nacional, os militares assumiram o compromisso de servir as Forças Armadas, cumprir os deveres militares e defender Portugal.

Juramento

Dirigindo-se aos soldados-recrutas, o comandante do RAME destacou que o juramento representa simultaneamente o fim de uma etapa de formação e o início de uma responsabilidade maior perante o Exército e os portugueses.

Também Luís Monsanto dirigiu uma mensagem aos novos militares, classificando o juramento como um pacto de coragem, honra e entrega, apelando à lealdade, à determinação e ao orgulho no serviço à Pátria.

Numa intervenção mais pessoal, fora do discurso preparado, o comandante das Forças Terrestres recordou que o juramento de bandeira é um momento que permanece na memória de quem o vive, mesmo várias décadas depois.

A cerimónia integrou ainda a imposição de condecorações a militares e a um trabalhador civil, como reconhecimento do desempenho profissional, dedicação e serviços prestados.

Foram atribuídas a Medalha de Mérito Militar de 4.ª classe e condecorações da Medalha de D. Afonso Henriques – Mérito do Exército, de 2.ª e 4.ª classes.

Entre os distinguidos estiveram o sargento-ajudante Walter Samuel Martins Ivo, o major Dino Alexandre Alves Bento, o cabo-adjunto Cláudio Miguel Espadinha da Silva e o assistente operacional Carlos Alberto Sequeira Pereira.

As comemorações do 10.º aniversário reafirmaram também a ligação do RAME ao concelho de Abrantes, onde a unidade está instalada desde a sua criação e mantém relações de cooperação com o Município, instituições locais e agentes de proteção civil.

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