A cantora Lady Gaga, entre os favoritos para os 68.º Prémios Grammy, foi a primeira distinguida com um galardão, o de Melhor Gravação Dance/Pop, pelo tema electropop “Abracadabra”, do seu álbum de estética gótica-chique “Mayhem”.
A cerimónia, apresentada pelo humorista sul-africano Trevor Noah, começa às 17:00 locais (01:00 de segunda-feira, em Lisboa), mas a entrega dos 95 prémios arrancou ao início da tarde.
A estrela pop Lady Gaga, de 39 anos, vencedora de 14 Grammys e este ano com sete nomeações, o ‘rapper’ Kendrick Lamar (com nove nomeações e 22 Grammys) e o ícone do ‘reggaeton’ e do ‘trap’ latino Bad Bunny (seis nomeações e três Grammys) disputam as três principais categorias: Canção do Ano, Gravação do Ano e Álbum do Ano.
Nenhum deles, nem qualquer dos outros artistas nomeados (Justin Bieber, Sabrina Carpenter, Leon Thomas, o duo Clipse e Tyler, the Creator), ganhou alguma vez o prémio de Álbum do Ano.
Graças a “GNX”, uma retrospetiva da sua carreira e uma homenagem à cena ‘rap’ da Califórnia, de onde é natural, Kendrick Lamar, de 38 anos, pode esperar juntar o seu nome a uma lista ainda relativamente pequena de vencedores de hip-hop, a seguir a Lauryn Hill e OutKast.
Se Bad Bunny ganhar, “Debí Tirar Más Fotos” tornar-se-á o primeiro álbum em espanhol a receber este prémio. O álbum apresenta ritmos tradicionais porto-riquenhos, terra natal do artista de 31 anos, e evoca a colonização da ilha das Caraíbas, que se encontra desde 1898 sob jurisdição dos Estados Unidos.
Na categoria de Canção do Ano e Gravação do Ano, que reconhecem, respetivamente, a composição e a produção de um tema, não faltam grandes sucessos.
Concorrendo com “Abracadabra”, “DtMF” de Bad Bunny e “Luther” de Kendrick Lamar (com a participação da cantora de R&B SZA), o êxito da ‘K-pop’ “Golden”, da banda sonora do filme de animação “KPop Demon Hunters”, poderá arrecadar esta noite um prémio, depois de ter em janeiro recebido o prémio de Melhor Canção Escrita para Audiovisual, nos Globos de Ouro.
A faixa está também nomeada para os Óscares, cuja cerimónia de entrega se realiza a 15 de março, na categoria de Melhor Canção Original.
Mas as honras poderão igualmente ir para “Manchild”, de Sabrina Carpenter, “APT.”, de Rosé e Bruno Mars, ou “Wildflower”, de Billie Eilish.
O R&B também está a viver um ressurgimento, com Leon Thomas, de 32 anos, e Olivia Dean, de 26, entre os nomeados para Artista Revelação do Ano.
Lady Gaga, Sabrina Carpenter, Bruno Mars, Justin Bieber e Lauryn Hill vão atuar na cerimónia, que vai homenagear o ‘rocker’ Ozzy Osbourne, que morreu em julho.
Kendrick Lamar, o primeiro ‘rapper’ distinguido com o Prémio Pulitzer, foi o grande vencedor da cerimónia do ano passado, arrecadando cinco prémios pelo seu êxito “Not Like Us”.
Uma semana depois, Lamar foi a atração principal do espetáculo do intervalo da Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano. Este ano, a 08 de fevereiro, o cabeça de cartaz será Bad Bunny - uma oportunidade única para o ver em solo norte-americano, fora de Porto Rico, já que a sua atual digressão não passa pelos Estados Unidos continentais, para proteger os seus fãs de possíveis rusgas da imigração, explicou.
A sua consagração nos Grammys deste ano “demonstraria ainda mais a crescente influência das culturas latino-americanas nos Estados Unidos”, segundo o musicólogo Lauron Kehrer.
A presença do ‘reggaeton’, do ‘rap’ e da ‘K-pop’ nas principais categorias dos Grammys reflete a adaptação dos prémios à “atmosfera” da indústria musical, e não um desejo de “promover a mudança”, observou ainda o musicólogo.
A Recording Academy (Academia de Gravação dos EUA), que atribui os prémios, acolheu este ano 3.800 novos membros, para “refletir a vitalidade do diversificado panorama musical atual”, segundo o seu presidente, Harvey Mason Jr..
Metade deles tem 39 anos ou menos, e 58% são pessoas não-caucasianas. Os membros da Academia Latina de Gravação, que distingue a música hispânica, foram também convidados a participar.
Lusa