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Médio Tejo: Calor extremo coloca sub-região em reforço de prontidão. Proteção Civil apela à prevenção e ao evitar de comportamentos de risco

1/07/2026 às 08:07

A subida acentuada das temperaturas, os avisos meteorológicos emitidos para grande parte do país e o agravamento do perigo de incêndio rural levaram a estrutura sub-regional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) do Médio Tejo a reforçar os níveis de prontidão para os próximos dias.

De acordo com o comandante sub-regional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil no Médio Tejo, David Lobato, a região encontra-se atualmente em estado de prontidão de nível 1, mas a previsão é de que a partir de 1 de julho seja ativado o nível 2, acompanhando a evolução das condições meteorológicas.

"Em princípio, aquilo que são as previsões para os próximos dias aponta para isso. Neste momento estamos com o estado de prontidão de nível 1 e, em princípio, amanhã passaremos para o nível 2. Vamos ver o que nos reservam quinta e sexta-feira, mas possivelmente teremos de incrementar ainda mais o nível."

Apesar das temperaturas elevadas e do agravamento do risco de incêndio, o comandante salienta que o estado da vegetação ainda não atingiu os níveis mais críticos, graças à precipitação registada durante o inverno.

"Ainda não estamos nos níveis máximos de seca. Tivemos um inverno bastante chuvoso e estamos num nível intermédio. No entanto, as partículas finas da vegetação já começam a apresentar valores mais preocupantes e isso reflete-se diretamente no perigo de incêndio."

Reforço de meios no terreno

A partir desta terça-feira, 1 de julho, a sub-região do Médio Tejo entra também no nível Delta (nível 4 de prontidão) do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR).

O reforço traduz-se na disponibilidade de 21 equipas de combate a incêndios rurais, apoiadas por três equipas de apoio logístico, mantendo-se igualmente operacionais as Equipas de Intervenção Permanente da sub-região, os sapadores florestais e os meios da Guarda Nacional Republicana, todos com um reforço do respetivo estado de prontidão.

"Vamos esperar que nada seja preciso. A prevenção é o nosso maior aliado e, desde que não existam comportamentos de risco, estou convicto de que as coisas vão correr bem."

Acessos florestais praticamente desobstruídos

Na preparação para a época mais crítica de incêndios, uma das prioridades passou pela recuperação dos caminhos florestais afetados pela tempestade que atingiu a região no início do ano.

Segundo David Lobato, os municípios mais afetados foram Mação, Sardoal, Tomar, Abrantes e Ourém.

Enquanto Mação, Sardoal, Tomar e Abrantes têm praticamente concluída a desobstrução dos acessos, Ourém continua os trabalhos, que deverão terminar até ao final da semana.

"Nos restantes municípios, entre 98 e 99% dos caminhos estão desobstruídos. Agora está-se a trabalhar na recuperação de alguns caminhos afetados pelas chuvas. Estamos a falar de milhares de quilómetros e esse trabalho tem de ser feito de forma gradual."

O comandante elogia o esforço desenvolvido pelas autarquias

"Os municípios têm feito um trabalho extraordinário. Ainda não terminámos tudo, mas o objetivo é que, muito em breve, todos os principais acessos estejam operacionais."

Queimas proibidas e trabalhos agrícolas exigem cuidados redobrados

Face ao agravamento das condições meteorológicas, a utilização do fogo será fortemente condicionada.

David Lobato adiantou que os municípios deverão proibir a realização de queimas a partir desta tarde, apelando à população para adiar qualquer utilização do fogo até existirem condições mais favoráveis.

"Aquilo que pedimos é que não se faça uso do fogo e que se aguardem melhores condições para realizar as queimas."

Também os trabalhos agrícolas e florestais exigem especial prudência, sobretudo durante as horas de maior calor e quando existe vento.

"Os trabalhos devem ser feitos, sempre que possível, durante o período da manhã. Quem utiliza máquinas deve ter sempre extintores e água disponíveis para conseguir extinguir imediatamente qualquer foco de incêndio."

O comandante lembra que muitas ignições resultam da utilização de equipamentos agrícolas ou florestais em condições meteorológicas adversas.

"A economia tem de continuar a funcionar e os trabalhos têm de ser realizados, mas devem acontecer nos períodos de menor perigosidade. Com vento e temperaturas elevadas, uma pequena ignição propaga-se rapidamente e torna-se muito mais difícil controlar o incêndio."

Apelo à responsabilidade

Com vários distritos sob aviso devido ao calor intenso e ao perigo elevado de incêndio, a Proteção Civil deixa um apelo claro à população.

"Acima de tudo, pedimos que não sejam adotados comportamentos de risco. Há situações que não conseguimos controlar, como o incendiarismo, mas tudo o que depende da ação humana pode e deve ser evitado. A prevenção continua a ser a melhor forma de proteger pessoas, bens e a floresta."

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