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Abrantes: Exposição celebra 30 anos do Atelier do Massimo com mais de uma centena de obras de alunos (c/áudio)

18/07/2026 às 20:00

A Galeria Municipal de Arte de Abrantes, QUARTEL, inaugurou este sábado a exposição "30 anos – A linha do tempo", uma retrospetiva que assinala as três décadas de atividade do Atelier do Massimo. Patente até 30 de janeiro de 2027, a mostra reúne 120 obras de outros tantos alunos, selecionadas pelo pintor italiano Massimo Esposito, fundador do atelier, e constitui uma viagem pela evolução artística de centenas de pessoas que, ao longo dos últimos 30 anos, passaram pelas suas aulas.

A exposição apresenta trabalhos realizados em diferentes épocas, organizados de forma cronológica, permitindo ao visitante acompanhar a história do atelier desde os primeiros desenhos produzidos nos anos 90 até às obras mais recentes. Estão representadas várias técnicas, desde o desenho a grafite, carvão e sanguínea à pintura a óleo, aguarela, acrílico, lápis de cor e técnicas mistas, espelhando também a evolução das abordagens artísticas desenvolvidas pelos alunos ao longo das últimas três décadas.

Na cerimónia de inauguração, o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Abrantes, Luís Filipe Dias, destacou o significado da exposição para a cidade e para a vida cultural do concelho, considerando que se trata de uma celebração da arte, da cultura e das pessoas que ajudaram a construir este percurso.

"O município de Abrantes tem o privilégio de se associar a estas três décadas de trabalho. Hoje é um dia feliz para Abrantes, para os abrantinos e para a cultura portuguesa", afirmou.

O autarca lembrou que os 121 autores representados constituem apenas uma parte dos cerca de 600 alunos que passaram pelo atelier desde a sua criação, evidenciando o impacto que o projeto teve na formação artística da comunidade.

Luís Filipe Dias deixou ainda o desafio para que este percurso seja novamente assinalado dentro de dez anos, desejando que o Atelier do Massimo continue a crescer.

"Fica aqui o desafio para que daqui a dez anos estejamos novamente a celebrar. O Máximo tem construído uma grande família em Abrantes e o município continuará a colaborar para que a cultura continue a crescer."

Na sua intervenção, o vereador descreveu Massimo Esposito como um verdadeiro "operário do pincel", expressão que utilizou para ilustrar a dedicação diária do artista ao ensino da pintura e ao desenvolvimento da atividade cultural em Abrantes.

Das primeiras alunas às novas gerações

Um dos momentos mais emotivos da inauguração foi protagonizado por duas das primeiras alunas do atelier, Isabel Borda d'Água e Ana Paula Remédios, que recordaram a importância que a aprendizagem da pintura teve nas suas vidas.

Isabel Borda d'Água explicou que desde criança sonhava aprender a pintar, mas só encontrou essa oportunidade quando surgiu a escola de pintura criada por Massimo Esposito.

"Eu pensava que ia aprender a pintar, mas primeiro aprendi a desenhar. Passámos um ano inteiro a desenhar, a fazer sombras, a estudar formas. Só depois começámos a pintar. Hoje percebo que essa aprendizagem foi fundamental."

 

Mais do que as técnicas, destacou o ambiente humano criado no atelier.

"Conheci ali pessoas que ficaram minhas amigas para a vida. O atelier era um espaço onde aprendíamos, convivíamos e crescíamos juntos."

Também Ana Paula Remédios recordou o período em que frequentou o atelier como um momento marcante.

"Depois de um dia de trabalho vinha para aqui aprender. Era um tempo reservado para mim. Ainda hoje continuo a pintar e incentivo todas as pessoas, sobretudo quem chega à reforma, a experimentar esta experiência."

A antiga aluna salientou igualmente a capacidade de Massimo Esposito para criar um ambiente positivo durante as aulas.

"Para além da técnica, o Máximo põe-nos sempre bem-dispostos. Saíamos das aulas com outro espírito."

"Mais do que alunos, tentei criar amigos"

Visivelmente emocionado, Massimo Esposito agradeceu aos alunos, antigos e atuais, à família e à Câmara Municipal pelo apoio prestado na concretização da exposição.

O artista recordou que o projeto nasceu há três décadas quando apresentou ao então presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Nelson de Carvalho, uma proposta para criar uma escola de pintura.

"Na altura disseram: vamos experimentar durante alguns meses. Passaram 30 anos."

O pintor fez questão de agradecer aos alunos, considerando que são eles os verdadeiros responsáveis pelo sucesso do atelier.

"Sem vocês isto não podia acontecer. Esta exposição mostra aquilo que vocês fizeram. Eu gosto de apresentar estas obras quase como se fossem minhas, mas são vossas."

 

Num dos momentos mais emocionantes da intervenção, agradeceu ainda o apoio da esposa e do amigo António Cartaxo, que, segundo revelou, o ajudou a ultrapassar um período particularmente difícil da sua vida.

Massimo Esposito convidou igualmente todos os visitantes a deixarem comentários no livro da exposição. "A crítica ajuda-nos sempre a crescer."

"Uma vida inteira representada dentro de um edifício"

Em entrevista à Rádio Antena Livre, o pintor explicou que a exposição representa muito mais do que uma seleção de pinturas.

"Isto é uma vida inteira representada dentro de um edifício."

Questionado sobre aquilo que os visitantes irão encontrar, respondeu de forma simples.

"Beleza. Beleza e empenho. O empenho dos alunos. São trabalhos feitos com amor, com o coração aberto e com vontade de aprender."

Segundo explicou, muitos dos antigos alunos regressaram agora ao Quartel para rever trabalhos realizados há décadas.

"É uma satisfação enorme encontrar pessoas que tinham nove ou dez anos quando começaram e que hoje aparecem aqui já com filhos crescidos, mas continuam a lembrar-se das aulas."

Massimo Esposito revelou que, ao longo destes 30 anos, o atelier contou com cerca de 600 alunos, número que considera demonstrativo do interesse existente pelas artes visuais em Abrantes.

"Trinta anos e cerca de seiscentos alunos não são brincadeira. Mostram que existe uma grande vontade de aprender arte."

Alunos dos 5 aos 82 anos

A exposição reúne trabalhos de alunos com idades entre os cinco e os 82 anos, provenientes não apenas de Abrantes, mas também de localidades como Mouriscas, Tramagal, Sardoal, Ponte de Sor e outros concelhos da região.

Segundo Massimo Esposito, um dos aspetos mais interessantes da mostra é precisamente a diversidade de gerações e de linguagens artísticas.

Enquanto os primeiros anos do atelier eram marcados quase exclusivamente pela pintura a óleo, atualmente os alunos experimentam diferentes materiais e técnicas.

"Hoje procuram muito mais experimentar. Há desenho, carvão, grafite, aguarela, óleo, técnicas mistas… Cada um segue o caminho com que mais se identifica."

O pintor rejeita uma metodologia rígida de ensino.

"Eu não imponho um caminho. Tento perceber o objetivo de cada aluno e ajudá-lo a chegar lá."

Acrescenta que muitos chegam ao atelier sem qualquer experiência.

"Há pessoas que entram sem saber desenhar um risco e acabam por fazer trabalhos lindíssimos. É preciso paciência, tempo e método."

A pintura como aprendizagem e bem-estar

Instalação de Massimo Esposito, único trabalho que não é dos alunos do Atelier

Ao longo da entrevista, Massimo Esposito destacou também o papel terapêutico que a pintura tem desempenhado junto de muitos alunos.

Segundo explicou, o atelier recebe crianças, jovens e adultos com diferentes perfis, incluindo pessoas com perturbações do espectro do autismo, hiperatividade ou que atravessam momentos difíceis das suas vidas.

"A arte ajuda muito. Vi isso sobretudo depois da pandemia. Quando terminou o confinamento houve um aumento muito grande de inscrições. As pessoas precisavam de voltar a criar, a conviver."

Além da componente artística, considera que o atelier funciona igualmente como espaço de encontro.

"Há sempre tempo para conversar, tomar um café, beber um vinho do Porto. É muito agradável viver e conviver."

Exposição será acompanhada por atividades até janeiro

Durante os cerca de seis meses em que estará patente, a exposição será complementada por um programa de workshops, oficinas, palestras e ações de mediação cultural, destinado a escolas, famílias e público em geral.

Entre as atividades previstas estão demonstrações de pintura a óleo, oficinas de cerâmica fria e outras iniciativas que procuram aproximar a comunidade da prática artística.

Para Massimo Esposito, esse continua a ser o principal objetivo do projeto iniciado há três décadas.

"É muito bonito visitar um museu ou uma galeria. Mas é igualmente importante praticar. Há trinta anos que me dedico precisamente a isso: ensinar as pessoas a desenhar, a pintar e a descobrir que todos podem criar."

Galeria de Imagens

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