Esta quarta-feira fez uma semana da passagem por Portugal, e pela região, da mais destrutiva tempestade que alguma vez atingiu Portugal. Pelo menos, desde que há registos.
Se Leiria ou Marinha Grande foram das regiões mais afetadas, também a região do Médio Tejo e alguns concelhos do distrito de Castelo Branco tiveram prejuízos avultados. Prejuízos públicos e privados.
Os concelhos mais fustigados foram Ourém e Ferreira do Zêzere, mas todos os outros concelhos tiveram prejuízos avultados.
Em Abrantes foi o norte do concelho com mais problemas. Com o vento houve destruição de telhados de casas, pinheiros e outras árvores arrancas ou partidas, edifícios públicos que tiveram problemas estruturais com o vento. Postes de eletricidade partidos ou tombados, outros das redes de telecomunicações e até um painel de betão do monumento Cristo Rei, em Carvalhal, partiu a meio.
Há,de acordo com o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, três pessoas desalojadas e muito trabalho de desobstrução de vias e de criação de condições para ser retomada a vida das pessoas.
Mação com 50 deslocados ou desalojados

Em Mação, uma semana depois da “turbulência” o Município fez um balanço geral, com a mensagem de esperança no regresso da vida quotidiana, mas ainda com constrangimentos, principalmente a norte do concelho.
De acordo com esse resumo, a 28 de janeiro, “todas as estradas, particularmente na zona centro/norte do Concelho de Mação tinham árvores, postes e detritos vários. Hoje, todas as estradas do concelho estão desobstruídas.”
Já um dos maiores problemas sentidos após a destruição foi a falta de eletricidade. Esta quarta-feira, segundo dados do Município 99,9% das casas têm energia e todas têm água.
De acordo com o mesmo relatório, nalgumas aldeias a eletricidade continuava a ser assegurada por geradores, havendo expetativa de resolução definitiva ainda esta quarta-feira.
Já nas comunicações, houve vários dias de quase apagão total. Em muitas freguesias e localidades persistem falhas nas comunicações e continuam a existir marcas profundas da tempestade nas ruas, nos equipamentos e, sobretudo, nas casas das pessoas.
Outra nota aponta para a necessidade de limpeza de muitos cemitérios que tiveram árvores caídas que tiveram de ser removidas. Foram atingidos e danificados os cemitérios de Mação, Santos, Envendos, Carvoeiro, Amêndoa e Cardigos.
Há registo de um apoio de lonas, num verdadeiro esforço de entreajuda, através do da Proteção Civil do Médio Tejo, em parceria com outras Câmaras, algumas também afetadas, mas solidárias.
Há ainda a indicação de que desde esta terça-feira 19 militares do RAME (Regimento de Apoio Militar e Emergência de Abrantes), estão no terreno em duas frentes.
A gestão das lonas está a ser feita através das Juntas de Freguesia, a quem o presidente da Câmara Municipal solicitou apoiou na gestão e entrega das mesmas, numa primeira fase (mais urgente) para casas de primeira habitação e depois para outras situações.
No concelho de Mação há registo de 52 pessoas que ficaram sem condições para ficar na sua casa. São 41 habitações que não oferecem as condições mínimas de habitabilidade. Estas pessoas estão deslocadas ou mesmo desalojadas. As deslocadas encontram-se em casas de familiares ou em anexos/garagens com condições razoáveis. As pessoas desalojadas estão em IPSS’s, casas cedidas por populares ou também em anexos com essas condições.
Ainda segundo o Município de Mação estas 41 habitações referenciadas são as que implicaram a retirada dos moradores, porque há dezenas de casas de primeira habitação afetadas, mas com condições de habitabilidade.
A Escola de Cardigos foi, à imagem da freguesia, a que sofreu danos estruturais consideráveis, mas cuja resolução já está a ser providenciada.
Vila de Rei em recuperação, mas há muito trabalho pela frente

Também o Município de Vila de Rei continua empenhado na recuperação dos fortes estragados causados pela tempestade Kristin no concelho.
Uma semana depois dos ventos destruidores o Município dá conta que continuam os trabalhos, em articulação com a E-Redes, na recuperação da distribuição de energia elétrica, apesar de constrangimentos da meteorologia e outros contratempos. A Zona Industrial já tem luz; o serviço de água foi reposto na totalidade; as comunicações ainda com muitas falhas em todo o território.
Após desobstruídas as estradas, há muitos locais em que ainda é preciso fazer limpeza, sem falar do interior da floresta. Nesse contexto já foram criados pontos de recolha de material lenhoso e entulho (não podem estar misturados) nos seguintes locais na zona industrial do Souto (depois do lagar); Milreu (junto ao campo de futebol); Silveira (junto ao cemitério); e Zevão (entrada do estradão).
Ainda segundo a informação o Município encontra-se a aceitar donativos de telhas, telhões e materiais de construção. Os materiais deverão ser entregues junto ao edifício da Junta de Freguesia de Vila de Rei
Há também a explicação de que a equipa de Ação Social do Município se encontra no terreno, procedendo à verificação de todos os casos isolados e de extrema vulnerabilidade que se encontram sinalizados ou vão sendo reportados.
Há a registar um número muito elevado de habitações particulares que se encontram destelhadas e em situação de fragilidade social, mas tem sido assegurado o acompanhamento das pessoas em situação de vulnerabilidade e sem condições de habitabilidade.
Todos os equipamentos escolares estão em pleno funcionamento, assim como os equipamentos desportivos, promovendo que, a pouco e pouco, seja retomada a normalidade.
Presidente da República esteve em Ourém
Na terça-feira, 3 de fevereiro, realizou-se no Posto de Comando Municipal, em Ourém, mais um briefing operacional no âmbito da resposta aos danos provocados pela depressão Kristin no concelho, com a presença do Secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, e a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Antes do ponto de situação de fim de dia, o Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, reuniu, juntamente com outros autarcas de concelhos afetados, com o Secretário de Estado da Proteção Civil.
No balanço apresentado, destacou-se a reposição quase total do abastecimento de água, mantendo-se, no entanto, constrangimentos relevantes ao nível do fornecimento de energia elétrica e das comunicações, sobretudo na zona norte do concelho, bem como milhares de habitações com danos significativos ao nível das coberturas.
O Presidente da Câmara Municipal sublinhou que a prioridade continua a centrar-se na resposta às necessidades mais imediatas da população, com especial atenção às famílias mais vulneráveis e às situações de maior risco social, reiterando a necessidade de reposição célere dos serviços essenciais.
Já esta quarta-feira, Marcelo Rebelo de Sousa, realizou nova visita ao Posto de Comando Municipal e visitou algumas zonas afetadas do concelho, assim como a sede do Agrupamento de Escolas de Caxarias.
Ferreira do Zêzere continua a recuperar muito lentamente

O Município de Ferreira do Zêzere indica que, apesar do empenho contínuo dos serviços municipais, das entidades parceiras e das equipas técnicas mobilizadas, subsistem impactos significativos que exigem uma resposta articulada e solidária. A boa novidade é que esta quinta-feira, 5 de fevereiro, todas as escolas do concelho vão retomar as atividades letivas.
Quanto aos problemas, o Município liderado por Bruno Gomes, indica que 60% do concelho permanece sem acesso à rede elétrica, sem previsão de retoma da normalidade.
As necessidades logísticas e materiais permanecem elevadas, sendo as de maior urgência: materiais de construção, lonas, cordéis, luvas de trabalho e lanternas.
Já no que diz respeito a telhas, o município solicita o contacto de empresas produtoras destes materiais, de forma a poder cruzar as capacidades de produção com o levantamento de necessidades feito no terreno.