Os municípios de Abrantes e Sardoal vão emitir uma informação conjunta a interditar o acesso ao Miradouro do Cristo Rei da Matagosa, depois dos estragos provocados pela tempestade Kristin.
A recuperação do monumento deverá ser preparada através de uma candidatura a fundos de financiamento, envolvendo as duas autarquias, as juntas de freguesia de Carvalhal e Santiago de Montalegre e a TAGUS.
O assunto foi levantado pelo vereador do Chega, Nuno Serras, na reunião da Câmara de Abrantes, tendo o presidente Manuel Jorge Valamatos confirmado que estão a ser estudadas soluções para recuperar o monumento.
O tema teve novos desenvolvimentos na reunião da TAGUS, realizada ainda durante a tarde de terça-feira.
Uma torre derrubada, outra ainda de pé, mas com fissuras, destroços espalhados pelo terreno e acessos degradados.

É este o cenário descrito pelo vereador do Chega, Nuno Serras, no Miradouro do Cristo Rei da Matagosa, um dos pontos turísticos situados na zona de fronteira entre os concelhos de Abrantes e Sardoal.
Durante o período antes da ordem do dia da reunião do executivo municipal de Abrantes, o vereador alertou para os riscos de segurança e pediu esclarecimentos sobre a estabilidade da estrutura que permanece de pé.
Nuno Serras defendeu a divulgação dos relatórios técnicos, a remoção dos destroços e a definição de um calendário para recuperar o espaço.
O vereador, que visitou recentemente o local, lamentou o estado em que se encontra o monumento e os respetivos acessos.
Nuno Serras, vereador CHEGA CM Abrantes

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes reconheceu a importância do Cristo Rei da Matagosa, tanto do ponto de vista patrimonial como turístico.
Manuel Jorge Valamatos explicou que a recuperação está a ser preparada em articulação com o município de Sardoal, procurando uma oportunidade de financiamento através da TAGUS.
As duas autarquias estão a identificar as fragilidades do monumento e das acessibilidades, com o objetivo de apresentar uma candidatura conjunta.
O presidente da Câmara admitiu, no entanto, que será necessário procurar outras soluções caso não seja possível enquadrar a intervenção nos apoios financeiros disponíveis.
Manuel Jorge Valamatos rejeitou que a situação atual do Cristo Rei resulte apenas da falta de manutenção.
O autarca atribuiu grande parte da destruição à tempestade Kristin, que provocou danos significativos no norte do concelho.
Recordou que Abrantes contabiliza prejuízos próximos dos 20 milhões de euros, incluindo danos em estradas, infraestruturas e monumentos, entre os quais uma derrocada nas muralhas do Castelo.
O presidente da Câmara revelou ainda que está a ser estudada a possibilidade de incluir a recuperação do Cristo Rei no Fundo de Emergência Municipal.
Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

O vereador Luís Dias acrescentou que a recuperação do Cristo Rei da Matagosa já estava a ser preparada antes da tempestade de fevereiro.
Segundo o autarca, existiam levantamentos técnicos sobre o estado de conservação do monumento e as necessidades de intervenção nos acessos.
O projeto envolvia já os municípios de Abrantes e Sardoal, as juntas de freguesia de Carvalhal e Santiago de Montalegre e a TAGUS, embora existam também questões relacionadas com a propriedade de alguns terrenos.
Luís Dias revelou que, na reunião da TAGUS prevista para essa mesma tarde, seria discutida a abertura de um aviso de financiamento para a conservação e valorização do património rural, natural e cultural.
Uma oportunidade que poderá permitir avançar com a recuperação de um espaço associado à Grande Rota do Zêzere e à Estrada Nacional 2.
Luís Filipe Dias, vereador PS CM Abrantes

E houve desenvolvimentos depois da reunião do executivo municipal.
Na tarde de terça-feira, após uma reunião da TAGUS, foi confirmada a intenção de os municípios de Abrantes e Sardoal divulgarem uma informação conjunta a interditar o acesso ao Miradouro do Cristo Rei da Matagosa.
Ficou também definido que a preparação do projeto de recuperação será articulada entre as duas câmaras municipais, as juntas de freguesia de Carvalhal e Santiago de Montalegre e a TAGUS.
A intervenção terá como ponto de partida um anteprojeto anteriormente discutido, mas terá agora de incorporar os danos adicionais provocados pela tempestade Kristin.
O programa de financiamento e o calendário das obras continuam por definir.

Miradouro antes da Tempestade Kristin
Também não foi anunciado um prazo para a remoção dos destroços ou para a conclusão da avaliação da estabilidade da estrutura que permanece de pé.
Para já, a prioridade passa pela segurança dos visitantes e pela preparação de uma solução conjunta que permita recuperar o Cristo Rei da Matagosa e devolver ao espaço as condições de visitação.