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Kristin: Abrantes reclama mais apoios seis meses após comboio de tempestades e cheias (c/áudio)

23/07/2026 às 11:22

Seis meses depois da passagem da depressão Kristin e das cheias que atingiram o concelho, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, voltou a alertar para a insuficiência dos apoios financeiros atribuídos pelo Estado, sublinhando que o município recebeu apenas cerca de um milhão de euros, valor muito distante dos mais de 16 milhões de euros de prejuízos estimados.

Num ponto de situação feito aos jornalistas, à margem da reunião do executivo municipal, o autarca explicou que o município continua a desenvolver intervenções para recuperar estradas, pontões, parques, zonas de lazer, espaços públicos e outras infraestruturas afetadas, mas reconheceu que a dimensão dos danos exige um apoio financeiro muito superior.

"Estamos a fazer tudo para recuperar o mais rapidamente possível estradas, pontões, parques e zonas de lazer. Mas, seis meses depois, os apoios não chegaram à velocidade que pretendíamos nem são suficientes para responder às necessidades", afirmou.

 

Segundo Manuel Jorge Valamatos, os prejuízos abrangem diversas áreas, desde vias municipais e espaços públicos até ao açude de Abrantes, os Aquapólios Norte e Sul, parques infantis e numerosas linhas de água.

Apenas um milhão recebido

O presidente revelou que, até ao momento, o município apenas recebeu cerca de um milhão de euros, composto por um apoio geral de aproximadamente 700 mil euros para responder às primeiras necessidades e por financiamentos específicos destinados a intervenções na linha de água de Rio de Moinhos e numa albufeira da Escola Profissional de Mouriscas.

Apesar disso, continua por financiar a maioria das intervenções necessárias.

"Temos muitos milhões de euros de prejuízos, quer da depressão Kristin quer das cheias, que ainda não têm qualquer apoio financeiro concreto", lamentou.

Estado também tem responsabilidades

Manuel Jorge Valamatos recordou que nem todas as intervenções dependem da Câmara Municipal.

Nas estradas nacionais, a responsabilidade cabe à Infraestruturas de Portugal, enquanto grande parte das linhas de água são competência da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

"O município está a fazer o seu trabalho, mas também queremos que o Estado, através das diferentes entidades, responda às responsabilidades que lhe cabem", afirmou.

 

Entre as situações mais preocupantes apontou as ribeiras da Sentieiras, Rio Torto e Coalhos, onde existem estruturas muito danificadas que necessitam de intervenção urgente.

EN2 e EN118 têm calendário definido

O autarca confirmou que a Infraestruturas de Portugal já apresentou um calendário para as obras na EN118, entre Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo, bem como para a EN2, na zona do Espinhaço de Cão.

Manuel Jorge Valamatos espera agora que esse calendário seja cumprido, considerando que a situação da EN2 constitui uma das maiores preocupações devido ao impacto na mobilidade e na economia regional.

"É uma artéria muito importante para o concelho e para toda a região e está condicionada há demasiado tempo", afirmou.

Martinchel–Constância entre as obras mais complexas

Entre as estradas municipais, o presidente destacou a ligação Martinchel–Constância como uma das intervenções mais difíceis.

O objetivo passa, numa primeira fase, por garantir circulação alternada, seguindo-se uma intervenção estrutural na encosta sobre o rio Zêzere para evitar novos deslizamentos de terras.

 

Segundo explicou, muitas das derrocadas verificadas no concelho não resultaram diretamente da tempestade Kristin nem das cheias, mas da saturação dos solos após semanas consecutivas de chuva intensa.

Outra via prioritária (na foto) é a estrada entre Carvalhal e Sobral de Basto. 

Habitações tiveram resposta

No que respeita às habitações particulares afetadas pela depressão Kristin, Manuel Jorge Valamatos referiu que, em articulação com a CCDR Lisboa e Vale do Tejo, foi possível apoiar praticamente todas as situações elegíveis.

Em muitos casos, as reparações foram igualmente asseguradas através das seguradoras.

"O problema maior continua a ser o domínio público, onde temos estradas, pontões, parques infantis, iluminação pública, linhas de água e outras infraestruturas que exigem investimentos muito elevados", referiu.

Reunião com a ministra do Ambiente continua por realizar

O presidente revelou também que a aguardada reunião com a ministra do Ambiente já foi adiada por três vezes.

O objetivo desse encontro passa por encontrar soluções para financiar as intervenções nas linhas de água e noutras infraestruturas cuja responsabilidade pertence ao Estado.

"Compreendemos as dificuldades da agenda governativa, mas esta reunião tornou-se absolutamente urgente", afirmou.

Monumento partilhado entre Abrantes e Sardoal

Questionado sobre o monumento localizado na fronteira entre Abrantes e Sardoal que também sofreu danos com a tempestade, Manuel Jorge Valamatos explicou que ambos os municípios procuram conjuntamente soluções de financiamento.

Segundo o autarca, antes mesmo da tempestade já existia intenção de valorizar aquele espaço, sendo agora necessário conjugar a recuperação dos danos provocados pela Kristin com a requalificação da área envolvente.

Jardim do Castelo reabriu

O presidente destacou igualmente a reabertura do Jardim do Castelo, entretanto devolvido à população.

Apesar da normalização progressiva dos espaços públicos, alertou que continuam pendentes intervenções estruturais, nomeadamente na muralha do Castelo, onde será necessária uma obra de consolidação acompanhada pela CCDR para garantir a estabilidade do talude e a segurança dos visitantes.

Município espera novos financiamentos

Manuel Jorge Valamatos acredita que alguns investimentos poderão ser enquadrados em futuros programas de financiamento, designadamente através do Portugal 2030.

Entre as intervenções identificadas estão o açude de Abrantes, o pontão de Casais de Revelhos, a estrada Martinchel–Constância, obras nas linhas de água, os Aquapólios Norte e Sul e a recuperação da muralha do Castelo.

Ainda assim, considera indispensável que o Governo disponibilize apoios extraordinários.

"Tivemos mais de 16 milhões de euros de prejuízos e, até agora, apenas recebemos cerca de um milhão de euros. Precisamos urgentemente de mais apoio financeiro para recuperar o concelho", concluiu.

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