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Mau Tempo: Depois das cheias, analisam-se os estragos na região. O balanço ao dia de hoje (C/ Áudio)

9/02/2026 às 12:50
Foto de Arquivo

A proteção civil não registou durante a noite ocorrências significativas relacionadas com o mau tempo e houve uma ligeira melhoria da situação nas zonas inundadas.

José Costa, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, disse que “foi uma noite calma, apesar de ter chovido muito até à meia-noite. Registaram-se 29 ocorrências dispersas por todo o território do continente. No que diz respeito às zonas inundadas, houve uma ligeira melhoria”, adiantou .

Entre 28 de janeiro e a manhã de hoje, na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, foram registadas 24.225 ocorrências, que mobilizaram 83.546 operacionais, com o apoio de 32.195 meios terrestres, segundo a mesma fonte.

A subidas dos caudais, principalmente dos rios Douro, Mondego, Tejo, Sado e Guadinana no final da semana passada causaram grandes inundações nas zonas envolventes.

Apesar de uma melhoria do estado do tempo no domingo, estão previstos para terça e quarta-feira novos episódios de chuva forte e persistente devido a uma massa de ar com características tropicais, pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Este domingo, o comandante nacional da ANEPC, Mário Silvestre, a alertou para um agravamento das condições meteorológicas na terça-feira na região Norte, sobretudo na zona do Minho e do Porto.

De acordo com Mário Silvestre, o risco significativo de inundações mantém-se nos rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, enquanto os rios Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana continuam sob risco de cheia.

Um total de 56 mil clientes da E-Redes continua sem abastecimento de energia elétrica em Portugal continental devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição, informou hoje a empresa.

Num balanço feito esta manhã, a empresa indicou que “estão por alimentar cerca de 48 mil clientes na zona da depressão Kristin".

Leiria é o distrito mais afetado com 36 mil, seguido de Santarém com oito mil, Coimbra e Castelo Branco com dois mil cada, segundo a E-Redes.

No anterior balanço realizado pela empresa, no domingo, o número de clientes afetados era de cerca de 58 mil clientes no continente e estavam por alimentar cerca de 50 mil clientes na zona da depressão Kristin.

Destes, a maioria, 38 mil, em Leiria, seguindo-se mais oito mil em Santarém, dois mil em Coimbra e outros dois mil em Castelo Branco.

A circulação ferroviária na Linha da Beira Baixa, entre o Entroncamento e Castelo Branco, que estava suspensa devido ao mau, da última semana de janeiro, foi retomada, informou hoje a CP – Comboios de Portugal pelas 06:00.

A CP indica que devido a diversas ocorrências provocadas pelo mau tempo, desde 28 de janeiro, continua suspensa a circulação na Linha do Douro, entre Régua e Pocinho, a Linha do Oeste e Urbanos de Coimbra.

Mantém-se com constrangimentos a Linha do Norte, estando a ser efetuados os serviços de longo curso de forma parcial e serviços regionais entre Entroncamento e Soure e entre Tomar e Lisboa.

Na Linha da Beira Alta, o serviço intercidades entre Coimbra e Guarda realiza-se com recurso a material circulante diferente do habitual.

O Exército Português comunicou que mantém o seu empenhamento no apoio às populações afetadas pelas cheias, em coordenação com as autoridades competentes, assegurando uma resposta contínua, integrada e ajustada às necessidades identificadas no terreno.

Ao dia de hoje, o Exército tem 1.645 militares empenhados, garantindo missões de engenharia, remoção de escombros e limpeza, desobstrução, contenção de caudais, patrulhamento de proximidade, comunicações, energia/iluminação, transportes, apoio sanitário e intervenção psicológica.

Para assegurar esta capacidade, estão mobilizadas 146 viaturas táticas ligeiras, 128 viaturas táticas pesadas, 21 máquinas de engenharia e 16 geradores, bem como módulos de comunicações, complementados por meios pre-posicionados para emprego rápido sempre que necessário.

No período mais recente, regista-se incremento do emprego de Módulos de Construções em Altura de Engenharia Militar, mantendo as operações de contenção de caudais nas bacias hidrográficas do Tejo e Mondego, bem como, a capacidade de resposta para a evacuação de povoações isoladas e o apoio com módulos de energia e iluminação.

O esforço desenvolvido traduziu-se, na proteção e recuperação de habitações, com 207 lonas/telas de proteção temporária de telhados e 89 coberturas reparadas de habitações; no restabelecimento de acessos e apoio logístico, com 292 toneladas de carga transportada e 380 km de itinerários/estradas abertos; e na recuperação de condições de segurança, com 621 toneladas de escombros removidos.

Foram ainda disponibilizadas 1.826 camas, realizadas 833 patrulhas, apoiadas 235 situações de dificuldade social e 73 intervenções efetuados pelo módulo de apoio psicológico, bem como assegurado apoio de lavandaria, com 1.650 kg de roupa lavada.

Em operações de resposta imediata, foram também transportadas 530 pessoas, instalados 220 metros de barreiras de contenção e utilizados 11.980 sacos de areia, reforçando a proteção de pessoas e bens nas zonas mais vulneráveis.

E cerca de 2000 voluntários encontram-se no terreno a apoiar as populações afetadas, numa operação coordenada pela Proteção Civil do Corpo Nacional de Escutas (CNE), em estreita articulação com a Proteção Civil, as câmaras municipais e as juntas de freguesia.

Os escuteiros voluntários do Corpo Nacional de Escutas estão distribuídos por vários municípios, desempenhando um papel de apoio de segunda linha, com ações centradas na distribuição de alimentos, apoio direto às populações, descarga de bens essenciais e limpezas em zonas afetadas. A gestão das tarefas e prioridades é assegurada localmente pelos Delegados Regionais de Proteção Civil do Corpo Nacional de Escutas, que trabalham em conjunto com cada município, de acordo com as necessidades identificadas.

 

Na região

Para nos fazer um ponto da situação no concelho, no Médio Tejo e no distrito, falámos com Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém.

Começando por Abrantes, Manuel Jorge Valamatos fala de “uma sensação difícil de descrever”. Isto porque, apesar do rio estar a descer e a voltar à sua normalidade, e isso é um bom sinal, por outro lado, “deixa uma destruição incrível”. É, portanto, “uma grande destruição em estruturas públicas, em espaços públicos, em infraestruturas públicas e claro, também grande destruição, grande sujidade nas habitações de algumas pessoas. Se por um lado é bom ver o Tejo a voltar ao seu espaço normal, também esta imagem de grande destruição é perfeitamente angustiante”.

Questionado se o caudal do ri poderá voltar a subir, devido à previsão de chuva para esta semana, o autarca diz que “não é essa a informação que temos neste momento. Sabemos que vai haver chuva, mas a quantidade de precipitação não será tanta como já foi nos últimos dias. A informação que eu tenho neste momento da Agência Portuguesa do Ambiente e dos Comandos Subregionais, é que vamos ter menos chuva, os caudais do rio e das ribeiras vão baixar e a situação tende a voltar à normalidade. É evidente que ainda estamos numa situação muito crítica, ainda estamos com níveis quer das ribeiras, quer do rio Tejo e do rio Zêzere com muita quantidade de água, as barragens também têm pouca capacidade de encaixe e estão cheias. Portanto, é evidente que temos que estar numa situação de alerta, continuamos ainda muito vigilantes, mas claro, acho que pela informação que tenho, vamos começar a preparar-nos para voltar à normalidade”.

Ao nível do Médio Tejo, os constrangimentos ainda “são muitos, sobretudo, claro, nos concelhos ribeirinhos, porque é importante perceber que ainda nem sequer tínhamos saído da Depressão Kristin e começámos também com este processo das inundações e das cheias”.

Manuel Jorge Valamatos indica que “todos os municípios que têm relação com o Tejo e com o Zêzere, obviamente, todos estão numa situação de começar a perceber os estragos, que começam a ser visíveis, quer em espaços públicos, quer na agricultura, quer nas atividades económicas. Há empresas, sobretudo no setor do turismo, que tiveram muitos prejuízos e para retomar a atividade vamos precisar de algum tempo. Temos ainda muito trabalho pela frente para conseguir voltar àquilo que é absolutamente normal”.

Esta situação significa que o Médio Tejo foi uma das regiões mais afetadas pelo mau tempo, com os concelhos a norte, mais florestais, a sentirem os efeitos da chuva e dos ventos fortes, e os mais a sul, os ribeirinhos, a lidarem com os efeitos das cheias. E há concelhos a terem que lidar com as duas situações.

As informações que temos é que os caudais vão baixar, só que na Lezíria, em particular, os campos estão muito inundados, estão muito saturados, e até essa água escoar toda, ainda vamos precisar de muitos dias. Não é um processo rápido, sobretudo nos processos ligados à agricultura. Na agricultura, nas outras áreas económicas e mesmo na vida das famílias, é preciso quantificar bem, procurar os mecanismos de apoio para conseguir ajudar as nossas famílias e as estruturas públicas a regressar à vida do nosso dia-a-dia de forma normal”, disse Manuel Jorge valamatos.

 

Manuel Jorge Valamatos 

No concelho de Abrantes, já se encontra aberta ao trânsito o troço da EN 118 entre Rossio ao Sul do Tejo e Tramagal permitindo também o acesso à estrada do Celão, sendo esta uma opção para S. Miguel do Rio Torto.

Encontram-se ainda encerradas a EN118, entre Rossio ao Sul do Tejo e Pego, devido a estrada submersa, sendo possível, no entanto, circular com precaução pela Estrada do Serrado (Coalhos) e Cabrito e a Estrada em Arrifana (na Alameda da Igreja de S. Miguel) para S. Miguel do Rio Torto.

As escolas do concelho reabriram esta segunda-feira, retomando o seu funcionamento normal, com exceção da Escola Básica de Alvega.

Em Constância, os níveis dos caudais desceram substancialmente, estando a Praça Alexandre Herculano já sem água.

Em Vila Nova da Barquinha já se encontram reabertos os serviços municipais localizados na zona ribeirinha, após estarem reunidas as condições de segurança para trabalhadores e utilizadores.

O Município está a proceder à limpeza das vias, com o apoio dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha, com o objetivo de reabrir à circulação rodoviária a Rua do Tejo, Rua do Sal e Rua da Barca.

Apesar destes trabalhos, apela-se à população para que não circule, para já, nos passeios junto ao Parque Ribeirinho, uma vez que o pavimento permanece muito escorregadio, representando risco para os peões.

As limpezas de manutenção irão prosseguir, com a devida prudência, tendo em conta a previsão de chuva para os próximos dias.

O espetáculo “Sempre que a revista canta”, agendado para o próximo sábado, dia 14 de fevereiro, foi cancelado, uma vez que, devido à situação atual, não se encontram reunidas as condições para a sua realização.

Assim que possível, a Câmara irá comunicar uma nova data para a realização do evento. Todos os bilhetes já reservados mantêm-se válidos para a próxima sessão.

O Município de Mação informa que, devido à subida significativa dos caudais do rio Tejo, as condições são de risco elevado nas zonas ribeirinhas do concelho, em particular nas imediações da barragem, dos passadiços e das margens do rio.

Nestas circunstâncias, não é seguro permanecer, circular ou realizar visitas a estas áreas, incluindo a ponte da barragem, onde o aumento do caudal, a força da corrente e a possibilidade de variações súbitas do nível da água representam um perigo sério para pessoas e bens.

A Proteção Civil Municipal apela à população para que evite deslocações e passeios à zona do rio Tejo enquanto se mantiverem estas condições, adotando uma postura de prevenção e responsabilidade.

C/ Lusa

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