O Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), sediado em Abrantes, assinalou o seu 10.º aniversário com uma cerimónia militar marcada pelo juramento de bandeira de 130 soldados-recrutas.
A sessão contou com a presença do comandante das Forças Terrestres, tenente-general Luís Monsanto, e do presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, e ficou marcada pelo reconhecimento do papel do Regimento no apoio às populações, na resposta a catástrofes e na formação de militares.
Criado a 1 de novembro de 2016, no Quartel de São Lourenço, o Regimento de Apoio Militar de Emergência celebrou uma década de atividade, numa cerimónia que juntou militares, antigos comandantes, representantes de entidades civis e militares, familiares e amigos dos soldados que prestaram juramento de bandeira.
O momento mais simbólico da cerimónia foi precisamente o compromisso assumido pelos 130 militares do 5.º Curso de Formação Geral Comum de Praças do Exército, que, perante a Bandeira Nacional, juraram defender Portugal, a sua liberdade e independência, mesmo com o sacrifício da própria vida.
A cerimónia incluiu a interpretação do Hino Nacional pela formação militar, a leitura dos deveres militares previstos no Regulamento de Disciplina Militar, o juramento de bandeira, discursos oficiais e a imposição de condecorações.

Na intervenção alusiva ao aniversário, o comandante do RAME, Coronel Siborro Leitão, recordou que a unidade nasceu da convicção de que o Exército tem responsabilidades que ultrapassam a defesa do território e da soberania nacional, nomeadamente na proteção das populações, na cooperação civil-militar e na formação de militares.
Dez anos depois, considerou que essa missão está consolidada, reconhecendo o trabalho dos anteriores comandantes e de todos os militares e civis que contribuíram para a afirmação do Regimento.
O comandante destacou a atividade operacional desenvolvida ao longo do último ano, nomeadamente a participação do Exército na resposta às intempéries e na prevenção e combate aos incêndios rurais.
Durante a campanha de verão, o RAME assegurou diretamente 106 patrulhas de vigilância e deteção de incêndios e, através do Centro de Operações de Apoio Militar de Emergência, acompanhou e controlou 3.014 patrulhamentos, envolvendo 6.380 militares e cerca de 314 mil quilómetros percorridos.
A atividade incluiu ainda a monitorização de destacamentos de engenharia responsáveis pela desobstrução de cerca de mil quilómetros de itinerários florestais, bem como a intervenção de pelotões de rescaldo e de meios de engenharia no apoio ao combate aos incêndios, num esforço que envolveu aproximadamente 700 militares.
O Siborro Leitão salientou também a intervenção na resposta às tempestades, com mobilização de militares e equipamentos, e o trabalho desenvolvido na formação especializada em apoio militar de emergência.
Coronel Siborro Leitão

Na área da formação de praças, o RAME incorporou, ao longo de 2026, um total de 468 soldados, mais 20% do que no período homólogo de 2025. Destes, 130 participaram no juramento de bandeira integrado nas comemorações do aniversário.
O comandante das Forças Terrestres, tenente-general Luís Monsanto, considerou que o RAME conseguiu ultrapassar o ceticismo e as dificuldades que marcaram os primeiros anos de existência, afirmando-se como uma unidade de referência na atuação do Exército.
O responsável militar destacou a importância de uma resposta rápida, coordenada e eficaz em situações de emergência, acidentes graves e catástrofes, considerando que a proteção das populações constitui uma das dimensões essenciais da missão das Forças Armadas em território nacional.
Luís Monsanto sublinhou igualmente a necessidade de continuar a investir na qualificação dos militares, na modernização dos equipamentos e na melhoria dos procedimentos operacionais.
Outro dos projetos destacados foi a preparação do Manual de Apoio Militar de Emergência, que se encontra em fase de conclusão e pretende uniformizar conceitos, procedimentos e formas de atuação, reforçando a coordenação entre os diferentes intervenientes.
Tenente-General Luís Monsanto

O comandante das Forças Terrestres reconheceu ainda a importância da cooperação entre o Exército, as autarquias, as forças de segurança e os agentes de proteção civil, numa atuação que permite reforçar a capacidade nacional de resposta a situações de exceção.
A celebração do 10.º aniversário ficou também marcada pelo juramento de bandeira dos soldados-recrutas, um dos momentos mais solenes da vida militar.
Antes do compromisso, foram recordados os deveres previstos no Regulamento de Disciplina Militar, entre os quais a obediência, a disponibilidade, a lealdade, a honestidade, a correção e o aprumo.
Deveres

Perante a Bandeira Nacional, os militares assumiram o compromisso de servir as Forças Armadas, cumprir os deveres militares e defender Portugal.
Juramento

Dirigindo-se aos soldados-recrutas, o comandante do RAME destacou que o juramento representa simultaneamente o fim de uma etapa de formação e o início de uma responsabilidade maior perante o Exército e os portugueses.
Também Luís Monsanto dirigiu uma mensagem aos novos militares, classificando o juramento como um pacto de coragem, honra e entrega, apelando à lealdade, à determinação e ao orgulho no serviço à Pátria.
Numa intervenção mais pessoal, fora do discurso preparado, o comandante das Forças Terrestres recordou que o juramento de bandeira é um momento que permanece na memória de quem o vive, mesmo várias décadas depois.
A cerimónia integrou ainda a imposição de condecorações a militares e a um trabalhador civil, como reconhecimento do desempenho profissional, dedicação e serviços prestados.
Foram atribuídas a Medalha de Mérito Militar de 4.ª classe e condecorações da Medalha de D. Afonso Henriques – Mérito do Exército, de 2.ª e 4.ª classes.
Entre os distinguidos estiveram o sargento-ajudante Walter Samuel Martins Ivo, o major Dino Alexandre Alves Bento, o cabo-adjunto Cláudio Miguel Espadinha da Silva e o assistente operacional Carlos Alberto Sequeira Pereira.
As comemorações do 10.º aniversário reafirmaram também a ligação do RAME ao concelho de Abrantes, onde a unidade está instalada desde a sua criação e mantém relações de cooperação com o Município, instituições locais e agentes de proteção civil.
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