Ainda não será a Feira Mostra desejada, mas terá uma série de mudanças nos palcos e na disposição do espaço que vão ser percecionadas pelos visitantes. É assim que o presidente da Câmara de Mação fala do maior evento anual do concelho que volta, este ano,a apostar forte no presunto, como produto endógeno de que Mação é a “catedral”.
Entrevista por Jerónimo Belo Jorge
É a 1.ª Feira Mostra enquanto presidente, mas é a 31.ª enquanto participante. Já anunciou algumas alterações ao espaço. O que pretende com estas mudanças?
Obviamente que em tão pouco tempo não temos tempo para fazer mudanças de fundo. Também o espaço não é o mais adequado para aquele tipo de Feira que eu preconizo.
Portanto, a seu tempo estas situações podem ser vistas, mas para já, neste tão curto espaço de tempo e com as condicionantes do espaço em que está e a forma como está distribuída não vamos aqui atalhar caminho. Vamos de alguma forma dar, pôr o dedo naquilo que entendemos que poderia ser uma dinâmica melhor. Acho que é possível dar outro colorido, acho que é possível dar uma dinâmica diferente ao espaço. É uma Feira Mostra que vem muito do passado e que honra o passado, mas que leva ali já um dedo de outra coisa diferente.
O presunto volta a ser “rei” nesta Feira Mostra. Considera que perdeu importância no concelho ao longo dos anos? Porquê essa aposta?
O presunto, acho que foi perdendo a importância, até porque algumas unidades de fabricantes foram fechando, outras não se modernizaram. Mas entendemos que o presunto pode ser um balão de oxigénio, até porque há novos projetos, há novas dinâmicas. Houve uma fábrica que foi recentemente transacionada, existem projetos para a instalação de uma nova fábrica e, temos que aproveitar o capital que temos. Não somos Capital do presunto, somos Catedral do presunto, mas temos que aproveitar este capital bem aproveitado, porque ele está em todo o lado. E se nós conseguirmos, com isto, fazer a promoção do concelho e do tecido empresarial... Aliás, o Ricardo Araújo Pereira, em horário nobre na televisão, brincou com as sandes de presunto.
Na feira, dar uma ênfase, dar um destaque maior ao presunto, que foi perdendo este destaque nos últimos anos. Vai ter ali algumas estruturas que são diferentes, o palco vai estar num local diferente, o secretariado vai estar num local diferente, a restauração, embora esteja no mesmo local, mas tem ali outra mexida, o bar vai estar num outro local, a biblioteca, a feira do livro vai estar num outro local, mas, pronto, genericamente, é uma feira mostra que vai ter ali alguns expositores.
Continuam a mostrar o artesanato, as atividades económicas, as associações, muda um bocadinho é a apresentação?
Sim, tudo isso vai estar lá. A fórmula como vai estar lá é que entendemos que há possibilidade de explorar novos modelos, e é isso que queremos fazer, mas o que muda é um bocadinho a configuração do espaço, acho que conseguimos otimizá-lo melhor, e dando, obviamente, destaque ao presunto e aos enchidos, e aos produtos endógenos do concelho...
...até porque Mação já foi considerado a terra dos três A. Bons Ares, Águas e Azeites?
Portanto, são produtos endógenos. Temos ainda a exploração de águas na Ladeira de Envendos, temos o presunto quase por todas as freguesias, e o azeite que se vai fazendo, o azeite de Oliveira Galega, que se vai fazendo aqui, que é um azeite que aguenta, e um azeite muito bom e que as pessoas apreciam. Temos ainda muitos lagares de azeite a funcionar, portanto, temos que valorizar aqui o que é nosso. E o Ar da nossa floresta.
Não somos Capital do presunto, somos Catedral do presunto, mas temos que aproveitar este capital bem aproveitado
O Núcleo Museológico de Envendos, dedicado exatamente ao presunto e às carnes, está a andar?
Esse é um problema que está aí em cima da mesa, porque a construção deste espaço, ou seja, a reconstrução de um imóvel de uma antiga fábrica de presuntos que existe em Envendos, foi desenvolvido um projeto, por sinal financiado, mas que já foi a concurso, se duas ou três vezes, e os concursos têm ficado desertos. O último concurso foi já neste mandato. Entendemos que ainda havia muita obra por concluir e os empreiteiros ainda não estariam tão disponíveis para pegar num projeto destes. Aquilo que estamos a tentar fazer é reformular um bocadinho o conceito. Ser um espaço museológico do presunto, espaço de cowork, mas eventualmente também ter a possibilidade de se manter aberto todo o dia, onde os visitantes não precisam de ir à procura da chave para poder visitar o núcleo museológico. É uma situação que vamos agora... Vamos virar a agulha, no sentido de redefinir o projeto.
O cartaz musical não foi inteiramente escolhido por este executivo, já haveria alguns contratos assinados. Está tudo ao vosso gosto?
Temos que trazer espetáculos, artistas que se enquadrem em todos os escalões e em todos os gostos. Queremos é que todo o público possa ficar satisfeito com os artistas que apresentamos porque é diversificado e sendo diversificado agrada a todos os públicos.
Preferencialmente que venham todos os dias aos espetáculos e à restauração e à feira, à mostra, onde há sempre produtos à venda e é isto que faz um bocadinho a economia circular e a economia do concelho porque as pessoas estão ali um bocadinho para mostrar, mas também para vender, porque para muitos artesãos é a oportunidade de poderem aqui vender alguns produtos.
Ponto de situação das obras na vila e em Cardigos?
A requalificação Urbana da Vila de Mação tem duas fases, adjudicadas pelo anterior executivo. Foi consignada por nós em duas fases. A zona norte da vila com a execução de passeios e depois a colocação do asfalto. As coisas serão menos pacíficas quando entrarmos dentro da vila, porque aí mexe muito mais com o movimento diário do trânsito, das pessoas. Mexe com as pessoas abrir valas à porta da casa delas. Relativamente a Cardigos, depois de algum tempo parados e de andarmos aqui a tentar negociar a retoma das obras com o empreiteiro, finalmente fez-se luz e conseguimos chegar a um acordo.
Não podemos fugir ao tema. Como está o processo na Mantela, de uma unidade de produção de ovos?
Entrou, em 2021, um PIP [Pedido de Informação Prévia] na câmara que entretanto caducou. Em 2025 entrou um novo PIP e um pedido de construção de muros e de vedações que é legítimo e nada que tenha a ver com edifícios. É um terreno, é legítimo que se façam muros e vedações. Aguarda-se realmente, com este burburinho que anda por aí, que entre na Câmara o processo oficial para a Câmara poder avaliar.

E haverá uma sessão pública, que já foi prometida pelo empresário?
Obviamente que não havendo projeto entrado no município não pode haver questões oficiais da parte do município. Às vezes existe muito o conceito de que o presidente da Câmara defende o aviário. O presidente da Câmara não defende nem deixa de defender. O presidente da Câmara está cá, juntamente com os vereadores, quando o processo der entrada na Câmara, que traga os pareceres das entidades competentes, para fazer essa análise. Eu sou apoiante do desenvolvimento e do progresso do concelho de Mação e se não houver nenhum parecer que condicione a feitura daquele aviário, e se entendermos que ele é uma mais-valia para o concelho, avança. Se, pelo contrário, existirem pareceres ou situações que nos dão garantias que aprovar aquele projeto é mau, pois o presidente da Câmara e a Câmara cá estarão para dizer não ao projeto. Neste momento é prematuro estarmos aqui a classificar e a rotular coisas que não existem.
As tempestades no início do ano afetaram bastante o norte do concelho. Teve que haver alterações ao que tinham previsto no vosso programa para este ano?
Sim, teve que haver algumas alterações nomeadamente tudo o que era o diagnóstico e a implementação de coisas novas no município, nomeadamente ao nível da orgânica, da gestão da estrutura, porque menos de três meses após tomarmos posse, cai-nos uma tempestade no colo. Nesse momento, todo o foco ficou virado para aquela situação. Até hoje, ainda andamos com grande parte do foco nessa situação e tem sido muito intenso. Primeiro foi o socorro e depois foi a forma como podemos ajudar as pessoas a recorrer a apoios para salvar e recuperar as suas casas, as suas empresas. Financeiramente ainda não chegámos lá, mas há essa possibilidade de termos de fazer ajustes orçamentais. São cerca de 6 Milhões de Euros de prejuízos no concelho em infraestruturas públicas, onde incluímos juntas de freguesia e associações. Portanto, vai haver um momento em que ou fazemos, ou não fazemos ou alocamos dinheiro, ou não alocamos dinheiro. E se alocamos dinheiro àquilo que não estava previsto vamos descompensar do outro lado. Dizer que, financeiramente, o município não está mal [e isto tem que ser dito], mas ao nível de equipamentos operacionais e ao nível de operacionais de recursos humanos, estamos muito mal. Portanto, não basta só ter dinheiro, é preciso também ter recursos e no campo dos recursos temos tido muita dificuldade para fazer aqui algumas coisas.
Aviário: "O presidente da Câmara está cá, juntamente com os vereadores, quando o processo der entrada na Câmara, que traga os pareceres das entidades competentes, para fazer essa análise."
Vem aí o verão. As praias fluviais estão a postos para mais uma época balnear?
A abertura está prevista para dia 13 de junho. Temos aqui até 13 de junho dois ou três constrangimentos. Estamos em crer que efetivamente vamos conseguir ter tudo pronto. As dificuldades foram muitas porque as praias ficaram com muita madeira, ficaram muito destruídas. Em Carvoeiro queríamos fazer obras de fundo que optámos por não fazer porque não tínhamos tempo e estamos a todo o gás a tentar que no dia 13 estejam concluídas as obras para podermos avançar.
Em Cardigos também queríamos fazer algumas obras nomeadamente vedações porque os javalis invadem a praia e durante a noite destroem muito daquele espaço. Não tivemos tempo. O trabalho pesado de retirar madeira já está feito, estamos a fazer pinturas e limpezas. Carvoeiro está num estado mais avançado do que Cardigos. Queremos acreditar que sim que no dia 13 vamos abrir as praias fluviais e que no dia 15 estaremos a cerimónia da bandeira azul na praia fluvial do Carvoeiro.
E o alojamento no concelho? Continuam a surgir alojamentos locais e turismos rurais? Já conseguem dar conta para a procura?
É preciso fazer aqui um trabalho de fundo sobre isso é preciso inventariar locais. Neste momento não tenho dados de quantos alojamentos locais objetivamente é que existem.
A construção está a ter uma grande movimentação no concelho e na vila. Há muitas obras em execução e verificamos que estão a surgir muitos alojamentos locais. Mas temos que fazer aqui um trabalho muito integrado com os alojamentos locais, com os operadores que existem, com empresas, com associações. Tudo isto tem que passar por todos estes setores. Por exemplo, as praias fluviais dão uma dinâmica muito grande aos alojamentos locais, temos perfeita noção disso. Mas temos fazer uma radiografia, depois criar aqui uma base de dados e um site de apoio a tudo isto. É uma forma de podermos ajudar estes alojamentos locais, colocá-los no mercado e a divulgá-los ainda mais para trazer pessoas para este território.