A aldeia do Souto, no concelho de Abrantes, recebe nos dias 1 e 2 de agosto a terceira edição da Festa do Futuro, um festival que junta cultura, ambiente e participação comunitária e que este ano tem como tema "Água – Fonte de ideias, maré de encontros".
Ao longo de dois dias, a organização preparou um programa multidisciplinar que inclui teatro, música, dança, literatura, oficinas, exposições, cinema, atividades ambientais e momentos de convívio, envolvendo vários espaços da aldeia.
Em declarações à Rádio Antena Livre, a coordenadora Carolina Serrão explicou que o objetivo é convidar o público a refletir sobre a importância da água em diferentes dimensões. "A água não é apenas o líquido que conhecemos. Está presente no nosso corpo, faz parte da nossa relação com a natureza e lembra-nos também fenómenos extremos, como as tempestades e as cheias. Queremos celebrar o rio Zêzere, pensar o futuro e, sobretudo, criar momentos para estarmos juntos", afirmou.
Entre os destaques da programação (VER AQUI) está o Observatório dos Rios do Souto, promovido pelo Coletivo Guarda-Rios, que alia arte e ciência num percurso entre a aldeia e o rio Zêzere, com instalações artísticas e atividades de sensibilização ambiental.
A Biblioteca Itinerante de Abrantes volta a associar-se ao festival, desta vez com sessões de leitura expressiva dedicadas ao tema da água e dirigidas às famílias e ao público infantil.
Outro dos momentos em destaque será a conversa sobre os antigos lavadouros do Souto, recuperados após os estragos provocados pela tempestade Kristín. A iniciativa pretende preservar as memórias das mulheres que utilizavam aquele espaço e poderá dar origem a encontros mensais para recuperar essa tradição comunitária.
Carolina Serrão, Associação Além Mundus
A música também terá um papel central, com atuações de AP Braga, Et Toi Michel, Trio Alcatifa, Mish Mish e vários DJ sets, encerrando os dois dias de programação.
Durante o festival será ainda pintado o Mural Água, da autoria do artista abrantino Helénio Mendes, uma obra que ficará como marca permanente da iniciativa e que integra o objetivo de criar, no futuro, uma rota de arte pública na aldeia.
Carolina Serrão destacou ainda que esta edição só foi possível graças ao apoio da comunidade, depois de a organização ter recorrido a uma campanha de crowdfunding. Cerca de 200 pessoas contribuíram financeiramente para garantir a realização do festival.
"Percebemos que este é um festival muito acarinhado. Houve donativos de pessoas do Souto, de outras regiões e até de emigrantes que quiseram ajudar. Foi uma enorme demonstração de solidariedade que nos deu força para continuar", sublinhou.
A organização espera voltar a reunir residentes e visitantes num evento que pretende afirmar o Souto como um espaço de encontro entre cultura, natureza e comunidade.