A Assembleia de Freguesia de Vale das Mós, reuniu esta quarta-feira, dia 01 de abril, na Junta de Freguesia, e contou coma uma forte participação da população. Em causa, a discussão “que permita confirmar, de forma clara, a vontade da população em avançar com o processo de criação da nova freguesia”.
No final do mês de março, o Grupo de Apoio à Criação da Freguesia de Vale das Mós tinha conseguido recolher mais de 300 assinaturas com o objetivo de promover a realização de uma Assembleia de Freguesia onde a população pudesse expressar a sua vontade de desagregação.
Na Assembleia de Freguesia realizada ontem, segundo Manuel Vitória, do Grupo de Apoio à Criação da Freguesia de Vale das Mós, “penso que nunca houve em Vale das Mós uma Assembleia de Freguesia tão participada como esta. E foi esse povo, com a sua presença, com o seu empenho, com a sua vontade, com a sua diferença mesmo, que conseguiu mais uma vitória para alcançar o objetivo da desagregação, que é uma aspiração profunda”.
Nesta Assembleia foi votada novamente a desagregação e foi aprovada por unanimidade. “Foi uma posição digna, foi uma vitória da realidade, da integridade de todos os membros desta Assembleia. O voto desta Assembleia não podia ser outro”, acrescentou.
Manuel Vitória confirmou que “foi dado mais um passo nesta conquista que a população pretende. Agora, há que respeitar a vontade da população, mesmo a nível da Assembleia da República. Essa é a próxima luta. O processo não para aqui, a população de Vale das Mós não vai desistir enquanto não forem atingidos os seus objetivos.
Foram ultrapassados todos os obstáculos e todas as dúvidas que existiam a esta vontade. E agora a Assembleia da República, também ela só pode ter uma posição: é aprovar de forma definitiva a criação da freguesia de Vale das Mós”.
Questionado sobre o andamento deste processo, se terá que passar novamente pela Câmara e pela Assembleia Municipal de Abrantes, Manuel Vitória explicou que não, que o “processo agora é só uma confirmação de todas as decisões que já foram tomadas. Não precisa de voltar à Assembleia Municipal, o processo está na Assembleia da República e a resposta foi dada diretamente à Assembleia da República. O povo de Vale das Mós quer a sua freguesia de volta, que lhe foi retirada injustamente pelo governo da troika do PSD. Portanto, agora a luta voltou-se para o campo de batalha da Assembleia da República e é nesse campo de batalha que a população vai intervir, com certeza novamente de uma forma firme”.
Sobre o que se fará no futuro próximo, entre deslocarem-se até Lisboa ou falarem com os deputados da Comissão que avalia as desagregações, “todas as opções estão em aberto”. Manuel Vitória disse que “esta decisão vai ser tomada pelo Grupo de Apoio à Criação da Freguesia” e insistiu que “há que respeitar a vontade do povo e, neste caso, como em muitos outros, a vontade foi expressa de uma forma clara”.
Segundo o porta voz do Grupo de Apoio à Criação da Freguesia de Vale das Mós, “não há dúvidas, não há dúvidas financeiras, não há dúvidas na vontade, não há dúvidas no posicionamento das populações. Só há uma hipótese, só há um caminho, que é o caminho da dignidade, da dignidade e do respeito pelas populações”.
Vale das Mós conta com cerca de 500 eleitores e entre 600 a 700 habitantes. Foi criada como freguesia autónoma a 4 de outubro de 1985, por desanexação de São Facundo, tendo sido agregada em 2013, no âmbito da reforma administrativa, passando a integrar a União das Freguesias de São Facundo e Vale das Mós.
A União de Freguesias de São Facundo e Vale da Mós logo em abril de 2022 avançou com a intenção de “separação”. A possibilidade da desagregação foi equacionada, tendo a Assembleia de Freguesia aprovado a intenção, a 14 de abril, tendo depois sido iniciado o processo formal.
O processo de desagregação elaborado pela CDU foi entregue e aprovado por unanimidade pela Assembleia de Freguesia, na sessão realizada a 2 de dezembro de 2022, sendo que a sessão ordinária da Assembleia Municipal de Abrantes decorreu antes, no dia 25 de novembro, não tendo dado entrada em tempo útil na Assembleia da República, num processo que abriu, desde logo, nova janela de oportunidade a quem ficou de fora.
