As cheias no Tejo deixaram hoje 94 estradas cortadas ou condicionadas no distrito de Santarém e o encerramento da ponte da Chamusca expuseram as limitações da rede de travessias, distantes entre si 100 quilómetros e quase todas centenárias.
“É preocupante”, disse hoje à Lusa o presidente da Comissão distrital da Proteção Civil de Santarém e da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, lembrando que “com várias estradas submersas ou interditas e a ponte da Chamusca encerrada, ficam muito poucas alternativas de travessia”, o que, afirmou, “torna urgente o reforço das infraestruturas e investimentos que há muito reclamamos para o Médio Tejo e a Lezíria”.
O encerramento da ponte da Chamusca, determinado esta madrugada por falta de condições de circulação na EN243, no lado da Golegã, está a agravar os constrangimentos de mobilidade num distrito já afetado por 94 estradas submersas, interditas ou condicionadas devido às cheias do Tejo e dos seus afluentes.
A alternativa mais próxima indicada pelo município é a ponte da Praia do Ribatejo, em Constância, que assegura a ligação a Vila Nova da Barquinha, mas onde é proibida a circulação a veículos pesados, limitando fortemente o transporte de mercadorias e a mobilidade de serviços essenciais.
“A situação é crítica”, afirmou Valamatos, “porque quando uma travessia central como a Chamusca fica encerrada, as alternativas ficam muito distantes e inadequadas, complicando a mobilidade quotidiana, o transporte de mercadorias e a atuação dos serviços de emergência”.
No distrito de Santarém existem apenas cinco travessias rodoviárias sobre o Tejo: a ponte de Abrantes, a ponte da Praia do Ribatejo (Constância), a ponte da Chamusca, a ponte D. Luís, em Santarém, e a ponte Salgueiro Maia, também em Santarém.
Estas travessias estão distribuídas ao longo de mais de 100 quilómetros de rio entre Abrantes e Santarém, sendo quase todas centenárias e com características desajustadas às necessidades atuais de mobilidade.
“São muito poucas e antigas as travessias sobre o Tejo no nosso distrito”, afirmou Valamatos, acrescentando que “quando alguma delas fica interrompida, como agora com a ponte da Chamusca, as alternativas ficam longe e limitadas, o que evidencia a necessidade urgente de novas infraestruturas que garantam mobilidade, economia e resposta a situações de emergência”.
Manuel Jorge Valamatos, presidente Comissão Distrital Proteção Civil

Com a ponte da Chamusca cortada desde a madrugada de quinta-feira, sem previsão de reabertura, e a de Constância condicionada a veículos ligeiros, as alternativas viáveis passam, na prática, por Abrantes ou Santarém, obrigando a percursos longos num momento em que dezenas de vias permanecem intransitáveis em vários concelhos do distrito, situação que Valamatos disse ser “preocupante” e “reveladora de um problema estrutural há muito identificado”.
“Estamos numa situação caótica do ponto de vista da proteção civil, mas que também expõe algo que há muito reclamamos: a necessidade de investimento sério na rede viária do distrito”, afirmou.
Questionado sobre o impacto imediato, o responsável destacou as dificuldades acrescidas no socorro, na circulação de pessoas e no abastecimento.
“As pessoas chegam a fazer centenas de quilómetros para conseguir atravessar o Tejo. Isto cria enormes fragilidades na emergência, na saúde, na proteção civil e no transporte de bens”, disse.
Sobre a oferta atual de travessias, Valamatos sublinhou que “são muito poucas e centenárias”, defendendo a necessidade de novas soluções e da concretização de infraestruturas previstas há décadas, como o IC9.
“Não era preciso chegarmos a este ponto para perceber a importância destes investimentos para a competitividade da região e para responder a situações de crise”, referiu.
Apesar de alguma melhoria nas últimas horas, Valamatos alertou que a situação nas estradas continua condicionada por derrocadas, queda de árvores e solos saturados, recomendando prudência e respeito pelas indicações da proteção civil.
“Estas ocorrências repetem-se com maior frequência e obrigam-nos a planear melhor. O distrito carece há muito destas infraestruturas por razões de coesão territorial, competitividade e segurança. É tempo de passar das promessas aos investimentos”, concluiu.
A Proteção Civil alerta para o risco de novas inundações, transbordos e instabilidade de vertentes, recomendando retirar bens de zonas inundáveis, proteger animais, evitar travessias de vias alagadas e seguir informações oficiais.
O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo foi ativado em nível amarelo no dia 24 de janeiro e elevado para alerta vermelho na quinta-feira, face ao agravamento dos caudais e risco extremo de inundações, segundo a Proteção Civil.
Só para que se perceba bem esta preocupação, fica a lista de estradas cortadas ou condicionadas devido às cheias e mau tempo no distrito de Santarém. O Comunicado da Proteção Civil é das 22 horas de sexta-feira, dia 6 de fevereiro de 2026.
Município do Cartaxo
• Submersão EN114-2 – Entre Setil e a Ponte do Reguengo submersa;
• EN3-2 – Ponte do Reguengo – Valada submersa.
• Submersão Rua Prof. Fernando Jaime Soares da Costa – entre Vila Chã de Ourique EN114-
2 (acesso à A1).
• EM 587 – Estrada Lanço 3 Pontas / Vale de Santarém
• Isolamento da Povoação do Setil;
• Isolamento da população de Valada, Porto de Muge e Palhota.
Município de Santarém
• Submersão EN365-4 Ponte de Alcaides;
• Submersão Ponte do Alviela - EN 365 – Pombalinho/Vale de Figueira;
• Submersão EM 1348 Vale de Figueira /Santarém - Estrada do Campo em Vale Figueira;
• Submersão cais de embarque Ribeira de Santarém;
• Submersão pelo Rio Alviela – Estrada do Livramento – Pernes;
• Submersão do acesso à Quinta da Califórnia;
• Submersão EN365 – Ponte do Celeiro;
• Ribeira de Santarém (Rua Direita Palhais; Rua do Alcorce; Rua dos Limões; Rua da Amendoeira);
• Azoia de Baixo (Rua dos Xendros);
• Isolamento da Povoação do Reguengo do Alviela;
• Av. Padre Fernando Martins – Vaqueiros / Louriceira de Alcanena – submersão pelo rio Alviela;
• Estrada Principal Baixinho submersa;
• Calçada Santa Clara – Santarém cortada (deslizamento de terras).
• Quinta de Cabanos – Vale Flores / Belida – Submersa;
• Azoia de Baixo – Casal Barreto – Submersa;
• Casal da Estrada – Fonte da Pedra / Nabais – Submersa;
• EN365 – Alcanhões – Assacaias – Submersa
• Inundação a Ribeira de Santarém (Praça Oliveira Marreca)
• Isolamento da Aldeia do Reguengo do Alviela;
• Submersão da EM que liga Santarém às Caneiras.
• Isolamento da povoação de Caneiras (evacuada).
Município de Golegã
• Submersão CM 1 – Estrada dos Lázaros;
• Submersão EN 365 – Pombalinho/Vale de Figueira (Reguengo do Alviela isolado);
• Inundação dos campos agrícolas nas freguesias de Golegã, Azinhaga e Pombalinho (região do Paúl
do Boquilobo, Rio Almonda e Rio Alviela);
• Estrada da Cholda parcialmente inundada, trânsito condicionado (Ligação entre Quinta da Brôa e
Mato de Miranda);
• EM572 – São Caetano – Quinta da Cardiga – Vila Nova da Barquinha – Ponte em risco de colapso;
• Submersão CM 7 – Pombalinho / EN 365;
• Submersão Estrada do Burnel (Pombalinho);
• Submersão CM 30 – Estrada Rabo dos Cágados;
• EN365 – Golegã – Broa;
• EN243 – no Dique dos Vinte/ Ligação Golegã » Chamusca submersa;
• EN365-4 – Pombalinho – Mato de Miranda submersa;
• Rua do Campo – Acesso ao KM71 interdita;
• Rua São Lourenço – Acesso ao KM71 interdita;
• Rua José Farinha Relvas – Acesso ao KM71 interdita;
• Rua Manuel Monteiro Barbosa – Pombalinho – inundada;
• Rua Carolina Infante da Câmara – Pombalinho – inundada;
• Estrada Del Rei – Pombalinho;
• Rua do Cardoso – Azinhaga.
• Totalmente inundáveis as zonas ribeirinhas da Azinhaga e do Pombalinho
Município de Chamusca
• Arripiado Tancos – Ligação fluvial interdita;
• Estrada 16 de Setembro – Chamusca/Vale de Cavalos;
• Estrada das Covas Fundas – Freguesia de Ulme;
• Estrada do Gavião – Freguesia do Chouto;
• EN118 – Vale de Cavalos-Chamusca submersa (alternativa via Vila de Ulme).
Município de Alpiarça
• EN 368 Alpiarça (km6,400) / Tapada (km 0,000) – via submersa;
• EM1391- EM1370 ↔ Rua General Norton de Matos (Frade de Cima) - inundada;
• Estrada Rural A1 – Reserva Cavalo Sorraia – ETAR Almeirim Alpiarça inundada, com abatimento /
aluimento de parte da plataforma rodoviária;
• EM1369 – interdição (Estrada do Meio) – EN368 <-> EN368;
• Estrada do Mouchão do Inglês ligação á AM 1369 submersa;
• Parque do Carril inundado devido ao transbordo da Vala de Alpiarça;
• EM1368 -1 Lagoalvas submersa;
• EM1370-1 Casalinho – Frade de Cima submersa;
• Alpiarça à EN368 – Rua João Sousa Falcão – Galgamento da Vala – Submersão da Rua até ao KM7;
• Estrada Rural A3 – Rua Matadouro – Ponte Casal Branco – Galgamento Vala – submersa;
• Estrada Rural A4 – EM1368 – Ponte do Touco – Galgamento da Vala – submersa;
• Casal de Nossa Senhora da Piedade e Quintas da Lagoalva (Cima e Baixo) isoladas;
• Quinta de Vale e Arsénio isoladas;
• Galgamento do Tejo para a Vala na Zona das Alamedas (Patacão);
• Rua José Malhou da Costa – Praça Velha – Carril – Galgamento da Vala. Estrada submersa.
Município da Azambuja
• Isolamento da localidade de Carvalhos/ Manique do Intendente/Azambuja.
• Acesso à localidade de Maçussa interdita por via submersa.
• Submersão EN 3-2 – Azambuja e Valada;
• Submersão da estrada que liga Azambuja – Virtudes.
• Vila Nova da Rainha - taludes do Rio Ota e Rio Alenquer, cederam.
Município de Benavente
• Submersão da E.M 1456 – Benavente/Reta do Cabo;
• Rua Rio do Almansor - Parque Ribeirinho – inundada;
• Rua 1º Maio – Estrada dos Alemães / N119 submersa.
• EM 515 Benavente / Barrosa – Submersa
• EN 118 Estrada do Convento de Jericó – inundada;
• EN 118 – Pontão Estrada Real – Submersa;
• Rua do Vale – Rua de St. º António / Rua das Flores – Foros da Charneca - aluimento de terras.
Município de Almeirim
• ER – A2 (Ponte de Benfica do Ribatejo – EN114) cortada com lençol de água;
• ER – A2 (EN114 – EN368) cortada com lençol de água;
• EM1390 – EN118-> Foros de Benfica submersa;
• ER – A6 Foros de Benfica para Muge cortada;
• EM581 Zona industrial para Fazendas de Almeirim submersa;
• EM583 – Estrada Barreira Branca para Fazendas de Almeirim;
• EN114 – Almeirim para Tapada submersa.
Município de Abrantes
• Estação de canoagem de Alvega inundada (Zona Verde).
• EN118 Rossio Sul do Tejo – Tramagal interdita;
• EN118 Rossio Sul do Tejo – Pego interdita;
• EN118 Alvega – Gavião interdita;
• EN2 - Rossio Sul do Tejo – Bemposta submersa;
• Submersão da EN 3 dentro da localidade de Rio de Moinhos;
• Movimento de massa EN358-2 interdita;
• Alameda da Igreja de São Miguel interdita;
• Rua do Serrado interdita.
Município de Constância
• Submersão do parque de estacionamento Ribeirinho;
• Rua do Tejo submersa;
• Estrada do Campo submersa;
• Zona ribeirinha da Vila submersa;
• Praça Alexandre Herculano - Submersa
Município de Torres Novas
• Submersão Estrada Municipal 570 (Torres Novas / Golegã);
• Casal da Pinheira/Ribeira Ruiva – Submersa;
• Acesso Moinho da Cova – Ponte submersa;
Município de Vila Nova da Barquinha
• Cais do Almourol interdito;
• Cais de Tancos submerso;
• Parque ribeirinho submerso;
• Quinta da Cardiga – ponte em risco de ruir;
• Rua do Tejo submersa.
Município do Sardoal
• Área de Lazer da Lapa (margem esquerda) submersa;
• Estrada de São Domingos para Brescovo;
• EM Mivaqueiro para Salgueiral
Município do Entroncamento
• EM1179 submersa.
Município de Mação
• CM Caminho do Tejo, Lagar do Machado/estação de Ortiga – submerso.
Município de Tomar
• Caminho Municipal 1134 – Charneca do Maxial;
• Avenida António Fonseca Simões;
• EN110 Carvalhos de Figueiredo.
Município de Ourém
• Estrada de Formigais para Casal da Igreja;
• Rua da Barreira e Vale do Carro;
• Cruzamento de Lagoa do Grou e Perucha;
• Rua Principal de São Jorge;
• Estrada de Seiça para Fontainhas de Seiça;
• Rua dos Namorados.
Município de Alcanena
• Estrada de Moseiro - Vaqueiros – Encerrada;
• R. do Convívio – R. Maria Carmo – Encerrada;
• Estrada Louriceira – Alcanena – Condicionada;
• Estrada Monte Branco – Condicionada
c/ Lusa