O comandante sub-regional da Lezíria do Tejo, afirmou hoje que a região mantém um nível de preparação “idêntico” ao do ano passado para a época de incêndios, mas alertou que as tempestades recentes agravaram o risco devido à acumulação de material combustível
Falando na sessão de apresentação do Plano de Operações Sub-regional, no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026, o comandante Hélder Silva destacou que o dispositivo foi ajustado com base na experiência de 2025, com reforço de meios e melhorias operacionais.
“Houve aqui um incremento de meios, nomeadamente mais meios aéreos e o reforço dos Black Hawk da Força Aérea, que vieram trazer mais capacidade ao dispositivo”, referiu.
Segundo Hélder Silva, a preparação para este ano resultou de um trabalho de avaliação das necessidades identificadas em campanhas anteriores, envolvendo comandantes e diferentes entidades, com reforço da formação e da articulação operacional.
“A preparação está idêntica, mas fizemos um complemento daquilo que achámos que no ano passado havia a melhorar, quer no planeamento quer na formação”, afirmou.
Apesar disso, o comandante sub-regional alertou que as condições no terreno são mais exigentes este ano, na sequência das tempestades que atingiram o país no início de 2026.
“Nós temos muito material lenhoso dentro das propriedades, muitos caminhos interrompidos e deslizamentos de terras que nos podem provocar dificuldades no acesso”, disse, referindo que estes fatores podem condicionar o combate aos incêndios.
Hélder Silva considerou que a acumulação de madeira e sobrantes florestais representa “um potencial acelerador” de incêndios, uma vez que grande parte desse material não foi removido.
“Muita limpeza não foi feita porque choveu muito e depois os recursos foram canalizados para a recuperação das habitações e propriedades, ficando a floresta para segundo plano”, explicou.
O responsável acrescentou que, em muitos casos, os proprietários não têm capacidade financeira para retirar o material lenhoso dos terrenos, o que agrava o risco.
“Esse material vai secar, vai ficar desordenado, vai impedir acessos e é um potencial acelerador daquilo que podem ser os incêndios”, afirmou.
Na Lezíria do Tejo, as zonas já historicamente mais vulneráveis são também as mais afetadas por este aumento de risco, nomeadamente áreas com maior mancha florestal, apontando como exemplos a zona de Rio Maior e o concelho da Chamusca.
O comandante apontou ainda a necessidade de renovar meios, nomeadamente veículos dos corpos de bombeiros, alguns dos quais “já com algum desgaste”, defendendo também o reforço de recursos humanos.
O dispositivo terrestre da sub-região da Lezíria do Tejo acompanha uma lógica de reforço progressivo ao longo do período de risco, atingindo o seu pico na fase Delta, entre julho e setembro. Nesse período, estão previstos 103 meios, 409 operacionais e 103 veículos, incluindo 27 equipas adicionais mobilizáveis em permanência de 24 horas, destinadas ao ataque ampliado.
Antes da fase mais crítica, o dispositivo é gradualmente reforçado, passando de 50 meios e 217 operacionais na fase Bravo, entre 15 e 31 de maio, para 67 meios e 286 operacionais em junho (fase Charlie), numa evolução que acompanha o agravamento do risco de incêndio.
Ao nível dos meios no terreno, o dispositivo de bombeiros na sub-região da Lezíria do Tejo prevê um total de 87 equipas, 360 operacionais e 92 veículos, incluindo meios permanentes e reforços mobilizáveis para ataque ampliado. Destes, 60 equipas, 282 elementos e 65 viaturas encontram-se em permanência, sendo complementados por 27 equipas adicionais, com 78 operacionais e 27 veículos, acionáveis em regime de reforço.
Relativamente aos meios aéreos, o dispositivo na Lezíria do Tejo contempla a presença de meios ao longo das diferentes fases de empenhamento operacional, com até três aeronaves em simultâneo durante o período mais crítico, entre julho e setembro, incluindo helicópteros de ataque inicial e aviões médios de combate a incêndios.
Lusa