A região do Médio Tejo, no distrito de Santarém, registou 265 ocorrência e 11 desalojados/deslocados na sequência da depressão Kristin, que atravessou Portugal continental na madrugada, segundo dados da Proteção Civil.
De acordo com fonte da Proteção Civil do Médio Tejo, até às 13:00 há a registar 265 ocorrência e um total de 11 desalojados e/ou deslocados em Ourém (três deslocados e dois desalojados), Tomar (três deslocados), Ferreira do Zêzere (um deslocado) e Mação (dois desalojados).
Em declarações à Lusa, o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) alertou que a combinação entre a depressão Kristin e a subida acentuada dos caudais do Tejo e afluentes deixou o Médio Tejo numa “situação de muita fragilidade”, com seis municípios a ativarem planos de emergência.
Segundo Manuel Jorge Valamatos, Abrantes, Sardoal, Tomar, Ourém, Mação e Ferreira do Zêzere, acionaram os Planos Municipais de Proteção Civil “atendendo ao estado caótico” provocado pela queda de árvores, danos em edifícios públicos e privados, vias obstruídas e falhas prolongadas de energia.
“Sem energia há um conjunto de estruturas que podem colapsar, nomeadamente o abastecimento público de água”, alertou, destacando ainda o efeito combinado da tempestade com os caudais elevados do Tejo, Zêzere, Nabão e várias ribeiras, algumas já a transbordar.
Afirmando que não há registo de feridos graves associados diretamente à depressão, Manuel Jorge Valamatos sublinhou a “devastação muito significativa” no território e a mobilização de juntas de freguesia, municípios, bombeiros, forças de segurança, Cruz Vermelha, sapadores e empresas para fazer face aos estragos da depressão.
Vários municípios do distrito de Santarém registam também constrangimentos no abastecimento de água, segundo a Tejo Ambiente e a Águas do Ribatejo, que servem cerca de 250 mil pessoas em 13 concelhos.
A Unidade Local de Saúde (ULS) da Lezíria do Tejo, por sua vez, indicou perturbações em unidades de cuidados de saúde primários nos concelhos de Almeirim, Cartaxo, Chamusca, Coruche e Rio Maior, estando o Centro de Saúde de Rio Maior temporariamente sem condições de funcionamento.
As equipas de proteção civil e bombeiros dos 11 concelhos do Médio Tejo e mantêm trabalhos de remoção de árvores e detritos, enquanto o Plano Distrital de Emergência de Santarém foi também ativado, prevendo-se vários dias até à normalização.
Segundo a GNR, os cortes de estradas provocados diretamente pela tempestade são residuais, mas a subida dos caudais do Tejo mantém mais de duas dezenas de vias submersas e interditas em concelhos como Coruche, Cartaxo, Santarém, Golegã, Salvaterra de Magos, Rio Maior, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Almeirim, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.
A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rastro de destruição, vários desalojados e causou quatro mortos, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
A Proteção Civil está em estado de prontidão especial de nível 4, o máximo, em toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal, e há avisos meteorológicos vermelhos (nível mais grave) em toda a costa do continente.
Lusa