O Município de Torres Novas associa-se ao programa nacional das comemorações do V Centenário do Matrimónio da Infanta D. Isabel de Portugal com o Imperador Carlos V, uma iniciativa da Academia Portuguesa da História, desenvolvida em colaboração com os municípios de Almeirim, Alter do Chão, Chamusca, Elvas, Lisboa, Monforte, Ponte de Sor e Torres Novas.
Neste âmbito, a Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes vai receber, no dia 12 de abril, a conferência «D. Isabel (1503-1539): infanta, rainha e imperatriz. Poderes, imagens, geografias e património — da história à programação cultural.» com António Camões Gouveia, professor entre 1981 e 2024 na NOVA FCSH, que se destaca pelos seus estudos na área da História da Sociedade e da Cultura (séculos XVI a XVIII) e da programação de Cultura.
A iniciativa tem início às 16 horas, com o acolhimento das entidades e apresentação do evento, seguido de um momento musical com o quarteto «Prometheus», composto pelos músicos Pedro Lopes, Luciana Cruz, Gabriela Barros e César Gonçalves. O início da conferência está marcado para as 17 horas. A sessão abordará a figura de Isabel de Portugal, personalidade muitas vezes eclipsada pelo amplo conhecimento que existe sobre o Imperador Carlos V. Procurar-se-á, através da apresentação de imagens e documentos, aprofundar o papel político, cultural e simbólico de Isabel, valorizando a sua relevância histórica. Mais do que revisitar factos, pretende-se que esta abordagem permita compreender o património associado à sua memória e refletir sobre a vitalidade da programação cultural que dele pode nascer.
A evocação dos 500 anos do casamento da Infanta Isabel com Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, assinala um acontecimento de particular relevância na história política europeia do século XVI. Celebrado em Sevilha, a 11 de março de 1526, e por procuração em Almeirim, a 1 de novembro de 1525, este matrimónio simbolizou uma poderosa aliança política e dinástica, reforçando os laços diplomáticos, económicos e culturais entre os reinos ibéricos e os vastos territórios governados por Carlos V. O casamento ocorreu num momento em que Carlos V já exercia plenamente a dignidade imperial — título para o qual fora eleito em 1519 e coroado em 1530 — acumulando-o com os de Rei de Castela e de Aragão.
A ligação de Torres Novas a este acontecimento histórico é particularmente significativa, uma vez que na reunião das Cortes Gerais, que ocorreu na Igreja de São Pedro entre 15 de setembro e 20 de outubro de 1525, teve lugar um passo decisivo do processo matrimonial: a aprovação do pagamento do dote da Infanta Isabel, que ascendeu a 900 000 cruzados. A 17 de outubro foi assinado o contrato matrimonial da infanta com o Imperador Carlos V, seguindo-se, no dia 18, o juramento solene do contrato pelo rei D. João III e pela própria infanta, na presença dos embaixadores de Carlos V.