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Crucifixo: Ribeira de Alcolobre já tem Centro interpretativo e uma pequena rota homologada (c/áudio)

23/03/2026 às 11:46

A Ribeira está lá desde sempre. Mas agora tem na antiga escola do Crucifixo um centro interpretativo. Ou seja, um local que explica a fauna, flora e eco-sistemas de uma linha de água que continua preservada com pouca presença humana. E há animais e plantas que ficam longe dos olhares dos humanos, mas que podem ser apreciados neste centro.

“A Ribeira de Alcolobre é muito mais do que um curso de água. Não é apenas de um curso de água que se trata é património natural, histórico e identitário daquilo que nos distingue e que nos liga ao nosso território.” Foi desta forma que o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos iniciou o discurso de inauguração do Centro Interpretativo da Ribeira de Alcolobre (CIRA) que ocupa duas salas do rés do chão da antiga escola primária, assim como o espaço exterior que tem uma exposição de fotografia de Paulo Mendes.

Promovido pelo Município de Abrantes, ao abrigo de uma candidatura do programa PDR2020 – Renovação das Aldeias, com uma comparticipação aprovada de 129 mil euros, e um investimento total de 200 mil euros, o projeto do CIRA assenta na recuperação, beneficiação e apetrechamento da antiga escola primária do Crucifixo. Juntou-se depois a criação de um percurso pedestre circular de 11,2 km, a PR5 que faz a ligação aos Caminhos do Tejo.

Manuel Jorge Valamatos disse que “o centro nasce da recuperação desta antiga escola primária do Crucifixo, um espaço que volta a cumprir a sua missão, a sua missão inicial de ensinar, de partilhar conhecimento e de aproximar as pessoas."

Mas este projeto não se esgota aqui dentro de uma sala. Ele liga-se ao território com a criação de um percurso pedestre, a Pequena Rota (PR5). É um percurso circular de mais de 11 km que permite descobrir, sentir e respeitar esta paisagem única em ligação ao Caminho do Tejo. "Quisemos uma intervenção equilibrada, respeitadora da natureza, não invasiva, que preserva a biodiversidade e valorize os vestígios arqueológicos existentes."

O percurso pedestre criado, de dificuldade média e homologado pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, tem partida e chegada do Centro Interpretativo e desenvolve-se, maioritariamente, em caminhos florestais e agrícolas, com uma fase de trilhos e levadas que dão acesso à Ribeira de Alcolobre e permitem apreciar o vale, os vestígios arqueológicos existentes no local (forno, termas, balneário, uma necrópole e uma barragem/represa), bem como a fauna e a flora.

Mas o autarca indicou que não houve desistência do propósito inicial de criar um albergue para apoio aos caminhos do Tejo. “Aquilo que vamos fazer a seguir, é um trabalho sobretudo de albergue, ter aqui condição para receber pessoas nos diferentes projetos da freguesia e do concelho. Vamos trabalhar para concretizar esse objetivo, articulando-o com as novas valências, ligando o desporto, a natureza, o treino, a orientação, o ciclismo, e é isso que queremos fazer aqui, criar condições neste espaço para ele poder ter um conjunto de outras valências de resposta à nossa comunidade.”

Há uma dinâmica associada a este no centro interpretativo e nova rota. “Queremos trazer a Ribeira para dentro da escola, mas também levar as escolas até à nossa Ribeira. Queremos que as nossas crianças cresçam com esta consciência e ter o cuidado com a natureza e cuidar do futuro. Nos próximos meses vamos desenvolver um plano de atividades com caminhadas e outras atividades.”

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes 

António José Carvalho, presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, destacou a importância da ribeira e do CIRA para o seu território. E começou por dizer que “o Crucifixo tem o foco na Ribeira da Alcolobre ou na Ribeira da Coutada. Aqui é a Ribeira da Alcolobre, a Ribeira da Coutada, ela vai mudando de nome, mais acima chamam-lhe das Ribeira Bicas, mas é sempre uma linha de água, é uma das linhas de água afluentes aqui da margem esquerda do Tejo, que ainda se representa com uma preservação bastante boa.”

Depois indicou que esta linha de água tem ainda um sítio arqueológico em vias de classificação. Trata-se de uma barragem romana junto à vila também de Alcolobre que fica na extrema do concelho de Abrantes, onde liga a Constância.

António José Carvalho, presidente JF Tramagal 

A segunda fase do projeto vem criar mais oportunidades e oferta, quer para o Crucifixo, quer para o Tramagal. António José Carvalho frisou estar a ver alternativas de alojamento turístico na freguesia. “Não somos propriamente conhecidos como um lugar turístico, apesar do potencial turístico que temos e muito especialmente ligado a este turismo de natureza, de turismo rural.

António José Carvalho indicou ainda que na semana de início da primavera as crianças já plantaram árvores e os jovens estão a criar uma aplicação para serem identificadas no Google Maps árvores que são um património especial da freguesia. “Temos também uma árvore monumental na freguesia. No concelho só há duas: a Oliveira do Mouchão, nas Mouriscas, e o Freixo da Fonte Nova, no Tramagal. São árvores classificadas e património nacional. Mas temos depois muitas outras árvores com história que é o projeto que os nossos jovens estão a trabalhar.”

A cerimónia de inauguração do CIRA teve início com uma visita guiada à Ribeira de Alcolobre, num percurso de cerca de 3,5 quilómetros, que terminou com a abertura do Centro.

No final da cerimónia, foram plantadas árvores no espaço exterior do CIRA, pelos escuteiros do Agrupamento 273 de Escuteiros de Tramagal, Sociedade União Crucifixense, Junta de Freguesia de Tramagal e Câmara Municipal de Abrantes.

A interpretação da Ribeira de Alcolobre

A ribeira está lá, com a sua biodiversidade, fauna e flora. Quem passa pode observar, mas é preciso interpretar. Ou seja, é preciso conhecer os territórios e aquilo que muda no percurso de 11 quilómetro da Pequena Rota. E para melhor perceber os eco-sistemas o Centro Interpretativo da Ribeira de Alcolobre (CIRA) explica e mostra o que existe. O que se vê e o que não se vê (animais), mas que fazem parte daqueles terrenos.

O biólogo Manuel Malva fez a interpretação da ribeira: “a grande maioria das pessoas, quando rodeadas de um espaço natural, tem dificuldade em interpretar exatamente aquilo que a rodeia. Há muitos tons de verde diferentes, mas dificilmente conseguimos perceber, conseguimos atribuir uma espécie correspondente a cada um deles. O objetivo aqui é que fiquem a conhecer todos os elementos, todas as espécies protagonistas deste espaço e que possam aprender mais com ele assim que se encontrem mergulhados nesta imensa diversidade que por vezes é tão difícil de conseguir interpretar.”

 

Manuel Malva, biólogo

E neste contexto deixou um resumo no ar. “Para todas as áreas mais simples, nós dividimos o espaço natural em três grandes ambientes, os Matos Baixos, o Bosque Mediterrâneo e a Ribeira de Alcolobre. Para cada uma destas áreas tem as espécies mais protótipas, seja da flora, seja da fauna, claro que são uma fração muito reduzida de um leque gigante de vida que existe nestes espaços, mas podem ficar a conhecer, por exemplo, nos Matos Baixos, a Raposa ou o Pisco, aqui no Bosque Mediterrâneo, o Gaio ou o Carvalho Português e na Ribeira de Alcolobre, por exemplo, o Amieiro ou o Lagarto d'água. Existem muitas outras espécies, há curiosidades fascinantes para conhecer acerca de todas elas e algumas delas estão precisamente no espaço descritivo, no texto que acompanha cada uma das imagens.”

A fauna e flora da PR 5

Paulo Mendes, foi o fotógrafo que passou horas “escondido” à espera do momento certo para captar aquela espécie que, modo geral, escapa aos olhares dos humanos. “Estou muitas horas ali, às vezes sem fazer nada. Mas depois há aqueles pequenos momentos em que apagam essa frustração, muitas vezes, que existe em andar a fotografar a natureza. O que é que eu pretendo com isso? Pretendo sensibilizar as pessoas e dar-lhes a conhecer, porque muitas vezes temos vizinhos que vivem junto a nós, quer de dia, uns de dia, outros de noite, e que nós nem sequer temos a perceção de que eles existem.”

Paulo Mendes é o autor da exposição de fotografia que pode ser observada nos painéis no exterior do edifício e que mostra fauna, flora e a ribeira. “Com estas minhas imagens quero-vos mostrar alguns daqueles que muitas vezes frequentam e passam perto da nossa porta de casa e nós nem nos damos conta disso”, disse o autor das imagens.

Paulo Mendes, fotografo 

E acrescentou que muitas das fotografias são feitas em caminhadas, mas a maior parte delas, são feitas em abrigos, “onde eu estou escondido, à espera que se passe alguma coisa no palco.”

 

Ações programadas para os próximos meses (março a agosto):

- 30 de março a 6 de abril: “Férias em Movimento” com atividades de interpretação da Natureza;

- 13 de abril: Caminhadas Abrantes 2026 “Pela Ribeira de Alcolobre”;

- 22 de abril: Dia Mundial da Terra – “Polinizadores: construção de hotel de insetos”;

- 22 de maio: Dia Internacional da Biodiversidade – “Construção de ambientadores”;

- 30 de maio: VI Trail Solidário Rota da HAKEA;

- 5 de junho: Dia Mundial do Ambiente – “Viver a ribeira”, caminhada de observação da Natureza;

- 15 de junho a 17 de julho: “Férias em Movimento” com atividades de interpretação da Natureza;

- 28 de julho: Dia Mundial da Observação da Natureza, com workshop de fotografia “A alma de Alcolobre”, por Paulo Mendes.

 

Outras atividades de promoção do Ecoturismo e de Observação da Natureza:

- Bioblitz da Ribeira de Alcolobre (atividade em que os participantes registam o máximo de espécies de diferentes grupos de biodiversidade, acompanhados por especialistas de diversas áreas da biologia);

- Oficinas de identificação de aves, animais e de plantas aromáticas e medicinais;

- Oficina de desenho da Natureza;

- Passeio micológico;

- Clube de exploradores do CIRA.

Visitas guiadas e percursos de observação da Ribeira por marcação prévia através do e-mail cira@cm-abrantes.pt

Galeria de Imagens

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