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Médicos Família: PSD questiona estratégia para os cuidados de saúde em Abrantes e Câmara garante manutenção dos polos nas freguesias (c/áudio)

24/07/2026 às 10:13

A estratégia para os cuidados de saúde primários em Abrantes esteve em destaque na reunião do executivo municipal, depois de o vereador Fernando Nogueira, que substituiu João Morgado na bancada do PSD, ter questionado o futuro da reorganização dos serviços de saúde no concelho.

O eleito social-democrata começou por reconhecer o reforço de médicos de Medicina Geral e Familiar conseguido este ano, destacando a entrada de dois novos profissionais na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) Plátanos, futura Unidade de Saúde Familiar (USF) Norte.

Apesar de considerar positiva esta evolução, Fernando Nogueira afirmou que continuam a existir preocupações quanto ao acesso da população aos cuidados de saúde.

O vereador perguntou quantos utentes continuam sem médico de família e quantos passaram a estar abrangidos com a entrada dos dois novos médicos, solicitando ainda esclarecimentos sobre a reorganização da futura USF Norte, que abrangerá as freguesias de Aldeia do Mato e Souto, Carvalhal, Fontes, Martinchel, Mouriscas, Rio de Moinhos e a União das Freguesias de Abrantes e Alferrarede.

Uma das principais preocupações do PSD prende-se com a possibilidade de a concentração da equipa médica em Alferrarede conduzir ao encerramento dos atuais polos de saúde de Carvalhal, Mouriscas e Rio de Moinhos.

Fernando Nogueira defendeu que os investimentos em novas infraestruturas são importantes, mas considerou essencial que a população saiba de que forma essas obras irão melhorar efetivamente o acesso aos cuidados de saúde.

"Não bastam os anúncios de obras. É preciso perceber para que servem essas obras e de que forma beneficiam os cidadãos", afirmou.

 

O vereador criticou ainda aquilo que considera ser um desenvolvimento desigual entre a zona urbana e as freguesias rurais, alertando que a centralização dos serviços públicos poderá acelerar a desertificação do norte do concelho.

Segundo referiu, a perda de serviços de saúde poderá desencadear o encerramento de farmácias, comércio e outros equipamentos, agravando o isolamento das populações mais envelhecidas. 

Na resposta, o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, rejeitou as críticas e afirmou que o município tem vindo a investir "milhões de euros" na saúde, assumindo responsabilidades que, na sua perspetiva, competiriam ao Estado.

"Nós não gastámos milhões. Nós investimos milhões de euros na saúde", começou por afirmar.

O autarca recordou que foi a Câmara Municipal quem construiu as Unidades de Saúde Familiar Dom Francisco de Almeida e Beira Tejo e que está atualmente a investir mais de dois milhões de euros na adaptação da antiga Escola das Hortas para acolher a futura Unidade de Saúde Familiar Plátanos.

Segundo Manuel Jorge Valamatos, foi precisamente esta estratégia, iniciada em articulação com a antiga Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e atualmente prosseguida com a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, que permitiu captar profissionais para o concelho.

"Hoje temos 17 médicos jovens a trabalhar nas nossas três unidades de saúde familiar", afirmou.

O presidente revelou ainda que, de acordo com os dados apresentados recentemente pela ULS Médio Tejo, apenas 0,5% da população de Abrantes se encontra sem qualquer cobertura dos cuidados de saúde primários.

Contudo, esclareceu que essa resposta continua a ser complementada por três médicos prestadores de serviços e por um médico integrado no projeto Bata Branca.

 

Respondendo diretamente às dúvidas levantadas pelo PSD, Manuel Jorge Valamatos garantiu que nunca esteve prevista a desativação dos polos de saúde das freguesias.

"Desde o início da estratégia mantivemos sempre o compromisso de manter os polos de saúde de Mouriscas, Carvalhal e Rio de Moinhos em funcionamento e, se possível, reforçar o número de horas de atendimento médico", afirmou.

O autarca acrescentou que a prioridade passa agora por concluir a nova Unidade de Saúde Familiar Plátanos até ao final do ano e reforçar as equipas médicas, estimando que a entrada de mais dois ou três médicos permita responder praticamente à totalidade da população.

No final da reunião, Manuel Jorge Valamatos voltou a explicar aos jornalistas que a criação das três unidades de saúde familiar constitui a principal aposta do município para captar médicos para Abrantes.

O presidente reiterou que a futura USF Plátanos funcionará como centro de coordenação da resposta clínica, mas assegurou que os polos de saúde de Mouriscas, Carvalhal e Rio de Moinhos continuarão a prestar cuidados de proximidade às populações.

O autarca revelou ainda que a unidade conta atualmente com cinco médicas, duas das quais colocadas recentemente, e reafirmou que o objetivo passa por continuar a reforçar as equipas para reduzir progressivamente a necessidade de recorrer a médicos prestadores de serviços.

Questionado sobre os dados relativos aos utentes sem médico de família, Manuel Jorge Valamatos esclareceu que os 0,5% divulgados pela ULS Médio Tejo correspondem a cidadãos sem qualquer resposta dos cuidados de saúde primários e não apenas sem médico de família atribuído, uma vez que os utentes continuam a ser acompanhados através de médicos prestadores de serviços e do programa Bata Branca.

O presidente sublinhou ainda que Abrantes apresenta atualmente uma situação mais favorável do que vários outros concelhos do Médio Tejo, defendendo que os investimentos realizados em instalações modernas e condições de trabalho têm sido determinantes para atrair profissionais de saúde para o concelho.

"O caminho é continuar a criar boas condições para captar mais médicos e garantir que toda a população tenha acesso aos cuidados de saúde primários", concluiu.

 

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