Em julho de 2025, o preço pedido médio em Abrantes estava nos 916 €/m². É mais do que há um ano e confirma a tendência de subida com “soluços” mensais: há meses em que corrige um pouco e, a seguir, volta a subir. A leitura dos próximos tempos é esta: pressão de preços ainda presente, mas com maior seletividade — casas bem localizadas e prontas a habitar continuam a sair primeiro.(histórico do dealista)
Para perceber o contexto nacional, o INE mediu uma aceleração no início do ano: no 1.º trimestre de 2025, o Índice de Preços da Habitação cresceu +16,3% face ao mesmo período de 2024 (vendas efetivas, não apenas anúncios). Ou seja, não é só “preço pedido”; nas escrituras também se pagou mais. Fonte: GEE
1) Procura com um pouco mais de fôlego.
Em 2025, as taxas das novas hipotecas recuaram gradualmente. Em junho, a taxa média dos novos créditos à habitação desceu para 2,91% (valor mais baixo desde 2022 - BdP). Pequenas melhorias no custo do crédito voltam a pôr famílias no mercado.
2) Oferta que chega devagar.
Licenciar, construir e colocar no mercado leva tempo. Há projetos a avançar, mas o impacto é gradual, sobretudo nas tipologias mais procuradas (T2/T3). Isso mantém a competição por casas “prontas”. (Os dados de Abrantes mostram bem o padrão de zigue-zague mensal.)
3) Custos de construção persistentes.
Mesmo sem picos, construir continua mais caro do que há um ano: em junho de 2025, o Índice de Custos de Construção de Habitação Nova subiu +3,9% homólogo (mão-de-obra +7,3%). Isto sustenta o preço da obra nova e limita descidas generalizadas. (dados do Instituto Nacional de Estatística)
2025 (mensal) — preços pedidos (€/m²)
Jul: 916 | Jun: 937 | Mai: 891 | Abr: 886 | Mar: 905 | Fev: 910 | Jan: 900.
Nota: padrão com oscilações mensais e tendência anual positiva. Idealista
(valor de dezembro de cada ano; para 2025 usa-se julho por ser o último disponível)
Ano |
€/m² |
2015 |
659 |
2016 |
602 |
2017 |
615 |
2018 |
636 |
2019 |
591 |
2020 |
551 |
2021 |
588 |
2022 |
716 |
2023 |
859 |
2024 |
901 |
2025* |
916 (julho) |
Fonte: histórico de preços de Abrantes (idealista). Em março de 2019 o portal indica mudança de metodologia, o que pode afetar ligeiramente a comparação longa. Idealista
O que é realista esperar nos próximos tempos
● Preços: tendência de subidas suaves e desiguais — localização, estado do imóvel e eficiência energética pesam cada vez mais no preço final. (Em linha com o padrão observado em 2025.)
● Oferta:vai chegando aos poucos; o alívio é lento.
● Crédito: ambiente um pouco mais favorável do que há um ano (BdP);
1) Simular primeiro, propor depois.
Antes de avançar, simule prazos, tipos de taxa (fixa, mista, variável), entrada e custos associados (seguros, comissões). Pequenas variações na taxa ou no prazo mexem muito na prestação e no custo total do empréstimo. Como a casa é, para muitas famílias, o maior investimento, o foco deve ser o esforço mensal sustentável e o custo total, não apenas a prestação do mês.
Para comparar cenários rapidamente, pode, por exemplo, usar um simulador de crédito à habitação:
2) Flexibilizar critérios sem perder identidade.
Alargue a procura sem abdicar do essencial: zonas próximas com bons acessos costumam ser mais em conta. Casas com necessidade de pequenas obras podem ser oportunidade — desde que, somando os custos das obras, o total caiba no orçamento. Defina o que é imprescindível (quartos, estacionamento, escola, etc.) e o que é negociável (andar, elevador, estado da cozinha, etc.).
Esteja atento e acompanhe as notícias e mudanças (taxas, licenças, políticas de habitação): o mercado pode mexer de um mês para o outro.
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