Por estes dias são muitas as campanhas de apoio às vítimas da tempestade Kristin. Entre pessoas singulares, grupos de solidariedade, empresas ou entidades oficiais, há uma onda de solidariedade enorme em Portugal.
Abrantes não foge à regra. Se um grupo informal de tramagalenses fez uma recolha de bens para ir levar à Marinha Grande onde existe uma comunidade de tramagalenses forte, a Imobiliária Era de Abrantes ou a Casa do Povo de Mouriscas também fizeram campanhas para ajudar quem mais precisa.
A União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede lançou também uma campanha, mas com uma amplitude diferente. O apelo é para a oferta de telhas e lonas. A ideia da Junta de Freguesia é fazer uma espécie de banco com as telhas recolhidas para poderem ser utilizadas por quem precise, no caso dos prejuízos da Kristin ou até para casos futuros.
João Marques, o presidente da União de Freguesias de Abrantes, explicou que a ideia é ajudar agora, mas ficar com uma reserva para situações futuras.
O autarca diz que, nestas zonas, é normal as pessoas ficarem com as sobras das casas num canto no quintal. E o apelo é para oferta dessas sobras. Quando chegarem ao estaleiro da Junta de Freguesia, serão todas separadas por tipologia e ficam em paletes por forma a poderem ser utilizadas por quem necessite. E o mesmo é feito em relação a lonas e outros materiais de cobertura.

João Marques lembra que “aqui na nossa região, lembro-me, assim de repente, da cerâmica do Salvadorinho, da cerâmica de Martinchel, do Rossio, onde cada uma fazia o seu tipo de telha e neste momento já não existem. E as telhas já não são fabricadas. Contudo, nos quintais das pessoas existem milhares de telhas que são guardadas para, pronto, ou até para construir, digamos, um galinheiro, uma coisa assim, as pessoas vão mantendo as telhas guardadas nos quintais. E nestas situações são essas mesmas telhas que estão guardadas há algumas décadas, que nos estão a ser oferecidas e que nós temos ido buscar e é aí que poderemos eventualmente fazer a diferença futuramente.”
Mas o presidente da Junta de Freguesia quer ir mais longe e diz que tem de haver ensinamentos que se tiram destas situações extremas e de catástrofe. Por exemplo, como fazer face a apagões ou falhas prolongadas de eletricidade por via da destruição da rede.
João Marques diz que, com outros presidentes de junta do concelho de Abrantes, “já estamos a pensar em ter um banco de geradores para que, face às interrupções de energia elétrica, possamos estar preparados para socorrer as nossas populações.” O autarca explica a ideia, com mais pormenor.
“Estamos a trabalhar de forma a deixarmos as associações preparadas e entregar-lhes um gerador em cada aldeia para assim poderem fazer circular o gerador para manter os frigoríficos e as arcas em funcionamento. É claro que isto só é possível em aldeias pequenas”, disse o presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede.
João Marques, presidente UF Abrantes e Alferrarede

João Marques indicou que na sua freguesia houve alguns prejuízos em habitações, mas foram as árvores tombadas e taludes a ruir os maiores problemas. “Ainda esta noite [madrugada de terça-feira, 3 de fevereiro] caíram mais de 30 árvores na aldeia das Sentieiras. A nossa equipa andou toda a manhã a retirá-las das vias. E temos os taludes que não estão a aguentar porque a água é muita. Os taludes não estão a aguentar, estão a cair. Há barreiras a ceder por toda a freguesia.”
Mas há outras campanhas oficiais, em Abrantes, o Município, está a apelar aos cidadãos para oferecerem telhas ou lonas para ajuda aos munícipes de Abrantes que tiveram problemas nas suas casas. Mas, de acordo com Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, há uma outra intenção de levar apoio aos Municípios de Ourém e Ferreira do Zêzere que foram dos mais afetados pela tempestade mais violenta que afetou o país.
“Estamos a utilizar lonas onde isso é possível. Estamos a ajudar a pôr telhas também onde isso pode acontecer. É os materiais que neste momento mais fazem falta, quer em Abrantes, quer em Ferreira do Zêzere, quer em Ourém, é telhas e lonas”, explicou o presidente da Câmara de Abrantes.
Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, 28 de janeiro,, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.