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Calor: Alvega volta a liderar temperaturas em Portugal com 44,1 ºC. País vive uma das mais intensas ondas de calor dos últimos anos

5/07/2026 às 11:13

Alvega, no concelho de Abrantes, registou este sábado, 4 de julho, 44,1 graus Celsius, voltando a ser a localidade mais quente de Portugal continental, num dia marcado por temperaturas extremas em várias regiões do país.

De acordo com os registos oficiais apenas das estações meteorológicas com Instituto Português do Mar e da Atmosfera os valores mais elevados registados durante o dia foram: Alvega (Abrantes) – 44,1 ºC; Mora – 43,6 ºC; Lousã (Aeródromo) – 43,2 ºC; e Monção (Valinha) – 43,0 ºC.

Embora ainda distantes do recorde absoluto nacional, estes valores confirmam a intensidade da onda de calor que afeta Portugal e colocam Alvega novamente entre as localidades mais quentes do país.

Os maiores registos de temperatura em Portugal

Portugal já ultrapassou os 46 ºC em diversas ocasiões, sobretudo no Alentejo, Ribatejo e Vale do Tejo. Entre os maiores registos oficiais destacam-se:

47,3 ºC          Amareleja (Moura)            1 de agosto de 2003

47,0 ºC          Pinhão                               14 de julho de 2022

47,0 ºC          Viana do Alentejo              1 de agosto de 2003

46,8 ºC          Alvega (Abrantes)              4 de agosto de 2018

46,6 ºC          Mora                                   29 de junho de 2025

46,5 ºC          Amareleja                           23 de julho de 1995

46,4 ºC          Santarém                           7 de agosto de 2023

O recorde absoluto continua a pertencer à Amareleja, no concelho de Moura, onde foram registados 47,3 ºC, durante a histórica onda de calor de agosto de 2003, um valor que permanece como o máximo oficial em Portugal continental.

Porque está tanto calor?

Esta vaga de calor resulta da combinação de vários fatores meteorológicos: uma massa de ar muito quente proveniente do Norte de África, a presença de um anticiclone persistente sobre a Península Ibérica e um bloqueio atmosférico que impede a entrada de massas de ar mais fresco vindas do Atlântico.

O resultado são vários dias consecutivos com temperaturas muito acima da média para a época, noites tropicais e um elevado risco de incêndio rural.

Os climatologistas alertam que este tipo de fenómenos está a tornar-se cada vez mais frequente e intenso devido ao aquecimento global. Segundo Filipe Duarte Santos, "vamos continuar a ter ondas de calor cada vez mais frequentes e mais intensas", à medida que a temperatura média do planeta continua a aumentar.

Alvega confirma ser um dos locais mais quentes do país

Estação Meteorológica fica situada junto à EN 118

O registo de 44,1 ºC deste sábado reforça a posição de Alvega como uma das localidades portuguesas onde frequentemente se observam temperaturas extremas. Em agosto de 2018, a estação meteorológica local registou 46,8 ºC, um dos cinco valores mais elevados alguma vez medidos em Portugal.

Com previsões de manutenção de temperaturas muito elevadas nos próximos dias, as autoridades continuam a recomendar cuidados acrescidos, nomeadamente evitar a exposição ao sol nas horas de maior calor, reforçar a hidratação e reduzir atividades físicas intensas no exterior.

Estes são valores das estações meteorológicas do IPMA. Mas por estes dias as redes sociais inundam-se de valores, alguns a chegar ao absurdo, registados em automóveis.

Depois há também uma nota que tem de ser feita que é temperatura absoluta é diferente de índice de calor. Temperatura do ar é o valor medido pelos termómetros das estações meteorológicas, colocados à sombra e em condições normalizadas. É a temperatura "real" do ar.  Índice de calor (heat index ou temperatura aparente) representa como o corpo humano sente o calor, combinando a temperatura do ar com a humidade relativa. Quanto maior a humidade, mais difícil é a evaporação do suor e maior é a sensação de calor.

Dia 1 de julho  
Reguengos, S. P.Corval  42,4
Alvega 42,3
Alcoutim, Mart.Longo 42,3
Mértola, Vale Formoso 42
Castro Verde, N.Corvo  41,7
Ponte de Sôr/Aeródromo 41,5
Amareleja  41,3
Elvas 41,1
Évora 40,3
   
Dia 2 de julho  
Alvalade  43,9
Mora  43,9
Mértola, Vale Formoso 43,4
Portel, Oriola 43,2
Reguengos, S. P.Corval 43,1
Coruche / Cruz Do Leão 43
Castro Verde 42,9
Coruche 42,8
Évora  42,5
Alcácer do Sal  42,5
   
20.º Alvega 41,5
   
Dia 3 de julho  
Mora 44,3
Coruche / Cruz Do Leão 43,3
Alvega 42,9
Coruche 42,6
Santarém, Fonte Boa 42,4
Chamusca / Chouto 42,4
Ponte de Sôr/Aeródromo 42,4
Lousã (Aeródromo) 42,3
Alvalade  42
Reguengos, S. P. Corval 42
   
Dia 4 julho  
Alvega 44,1
Mora  43,6
Lousã (Aeródromo) 43,2
Monção, Valinha 43
Alvalade  42,9
Amareleja  42,9
Portel, Oriola 42,8
Pinhão, Santa Bárbara 47,7
Reguengos, S. P. Corval 42,7
Coruche / Cruz Do Leão 42,6

Sete distritos continuam com aviso vermelho

Temperatura prevista Windy 15h (domingo)

Segundo o IPMA, o aviso vermelho, o mais grave numa escala de três, está hoje ativo - até às 23:00 - nos distritos Portalegre, Évora, Beja, Santarém, Lisboa, Setúbal e Castelo Branco.

Viana do Castelo, Porto, Braga, Coimbra, Aveiro, Leiria passaram a estar sob aviso laranja, o segundo nível mais grave.

Os distritos de Bragança, Viseu, Guarda, Faro e Vila Real continuam também hoje sob aviso laranja, devido à persistência de valores muito elevados de temperatura, quer da máxima, quer da mínima.

Na Madeira, também devido à persistência de valores elevados da temperatura máxima, o IPMA mantém para hoje o aviso laranja nas regiões montanhosas, prolongando-o até às 18:00 de terça-feira, enquanto o resto da ilha da Madeira e o Porto Santo se encontram sob aviso amarelo, que se estende igualmente até às 18:00 de terça-feira.

O aviso vermelho surge numa altura em que Portugal continental atravessa num período de temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar aos 44 graus Celsius (ºC) e mínimas entre os 24ºC e os 28ºC.

Calor, baixa humidade e vento dispara risco de incêndio

O Governo declarou na quinta-feira situação de alerta em Portugal devido às altas temperaturas esperadas até segunda-feira, tendo emitido despachos de exceção para proibir a utilização de maquinaria em atividades agrícolas.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou também na quarta-feira o estado de prontidão especial para o nível III (intermédio/alto), tendo em conta o previsível "agravamento muito significativo” do perigo de incêndios rurais nos dias seguintes.

Nesse dia, o dispositivo de combate a incêndios rurais foi reforçado para entrar na sua capacidade máxima.

DGS recoimendou abertura de espaços públicos climatizados

Na quarta-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou recomendações aos municípios para protegerem as populações das temperaturas elevadas e ondas de calor, alegando o “papel de proximidade essencial” que desempenham na preparação e resposta a esses fenómenos.

Segundo a DGS, as autarquias devem garantir, em parceria com várias entidades, a sinalização de pessoas mais vulneráveis, mantendo atualizada essa listagem, assim como realizar contactos preventivos e promover, sempre que possível, visitas domiciliárias.

Já ao nível das medidas comunitárias, a direção-geral aconselha que sejam abertos locais de abrigo temporário (zonas de arrefecimento) e disponibilizada água potável, garantindo o bom funcionamento dos bebedouros públicos, assim como recomenda o prolongamento dos horários de bibliotecas, piscinas e equipamentos climatizados de proximidade.

Para os espaços públicos, é sugerido que sejam reforçadas as zonas de sombra, instaladas estruturas temporárias de sombreamento e arrefecimento, e adaptados os horários dos trabalhos municipais realizados no exterior.

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