A criação do Centro de Recolha Oficial (CRO) de animais de Proença-a-Nova permitiu resolver o problema dos cães de rua, mas em relação aos gatos a situação está “descontrolada”, disse à Lusa o veterinário Fernando Monteiro.
“Com a criação do Centro Intermunicipal de Recolha de Animais Errantes (CIRAE), em maio de 2009, e posteriormente com o CRO, foi possível resolver a situação dos cães de rua, deixando de haver problemas associados a matilhas. Vamos tendo um ou outro cão que é sinalizado, para ser feita a sua recolha, mas é agora mais pontual”, explicou.
O problema maior prende-se com os gatos: “O número de gatos errantes, ou gatos de rua, está descontrolado, porque não temos capacidade, nem a noção de quantos andam por aí.”
O veterinário do CRO lamentou haver “pessoas que, mesmo sem o deverem fazer, alimentam os gatos de rua e só avisam as autoridades sobre a situação destes animais quando estes ficam doentes, ou quando começam a ser muitos e a causar algum transtorno”.
O especialista lembrou que já existe o programa público CED (Capturar – Esterilizar – Devolver), uma medida que “pode ser adotada por cada município que assim o entenda, ou até mesmo pelos cidadãos, que podem apanhar e pedir a esterilização dos gatos das colónias”.
“O problema surge quando tem de ser feito o registo, porque a maioria [das pessoas] não quer responsabilizar-se por estes animais”, acrescentou.
De acordo com a lei em vigor no país, o registo de gatos é obrigatório e deve ser feito através da aplicação de um ‘microchip’ e do respetivo cadastro no Sistema de Informação de Animais de Companhia (SIAC). Nesse registo, também fica referido quem é a pessoa responsável pelo animal.
A responsabilização de cada um “não é uma questão de somenos, porque se está a falar da segurança dos animais e pessoas, de questões de salubridade e saúde pública”.
O centro intermunicipal tem as esterilizações protocoladas com a Escola Superior Agrária da Universidade Politécnica de Castelo Branco, mas em breve também terá essa valência no seu espaço.
“Está em fase de conclusão a instalação de centro cirúrgico no CIRAE de Proença-a-Nova, que deverá entrar em funcionamento no final do mês de setembro”, disse à Lusa o presidente da Câmara, João Lobo.
“Estamos a terminar de montar os equipamentos do bloco operatório, pelo que no final de setembro deve estar tudo pronto para começarmos a fazer ali a esterilização dos animais que recolhemos”, esclareceu o autarca.
O CRO de Proença-a-Nova está instalado no CIRAE, que é gerido por uma associação dos municípios de Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova, Sertã, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão (distrito de Castelo Branco), Ferreira do Zêzere e Mação (Santarém), Nisa (Portalegre) e Pampilhosa da Serra (Coimbra).
Em 2024, foram inauguradas novas instalações, duplicando a capacidade de recolha. “Em breve, também vamos criar um hotel canino, para que as pessoas possam ir de férias, por exemplo, e deixar ali, [em vez de os abandonarem], como acontece muitas vezes”, referiu João Lobo.
A legislação que proibiu o abate de animais errantes nos centros municipais como forma de controlo da população e que criou os CRO foi aprovada em junho de 2016 e publicada em 23 de agosto desse ano. Entrou em vigor em 23 de setembro, mas teve um período transitório de dois anos, para adaptação.
Com esta proibição, foram estipuladas regras para o acolhimento dos animais envolvendo a esterilização antes do encaminhamento para adoção.
Em 2025, deram entrada no CIRAE, provenientes dos 11 municípios, 198 canídeos e 61 felídeos. Durante o mesmo período, "foram occisados [abatidos de acordo com a lei] 64 canídeos e 33 felídeos, esterilizados 76 canídeos e 27 felídeos, e adotados 54 canídeos e 18 felídeos".
Além disso, "todos os animais encaminhados para adoção foram devidamente identificados eletronicamente e vacinados, incluindo com a vacina antirrábica.
No âmbito dos cuidados de saúde e bem-estar animal, foram administradas cerca de 300 vacinas de caráter não obrigatório, além da desparasitação interna e externa periódica de todos os animais alojados no CRO. “E foram realizados diversos rastreios, designadamente à leishmaniose e à dirofilariose, abrangendo cerca de uma centena de animais", segundo a informação disponibilizada.
Lusa