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Entrevista: De Abrantes para Nova Friburgo - José Miguel Rodrigues dirige concerto histórico no Brasil

5/09/2026 às 12:02

O maestro abrantino José Miguel Rodrigues aceitou o convite para dirigir a Banda Sinfónica Campesina Friburguense, em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, num concerto comemorativo do Dia da Independência do Brasil, marcado para 6 de setembro. No dia seguinte, 7 de setembro, participará também no tradicional desfile da Independência.

 

Entrevista por Jerónimo Belo Jorge

 

Que evento é este e o que vai acontecer a 6 de setembro?

É um concerto comemorativo do Dia da Independência do Brasil. O Dia da Independência é celebrado a 7 de setembro, mas o concerto que terei a oportunidade de dirigir será no dia 6, na cidade de Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro.

 

É um concerto da Banda Sinfónica Campesina Friburguense. O que significou receber o convite para dirigir esta banda?

Na verdade, eu não estava à espera de me deslocar ao Brasil tão depressa. Há sempre uma relação de proximidade com o Brasil, fruto também das outras vezes que lá estive. Já estive no estado de São Paulo e no estado de Santa Catarina e era provável que, mais cedo ou mais tarde, pudesse regressar ao Brasil.

Mas, em três semanas, não estava à espera.

Este contacto com a Banda Campesina já existe há cerca de três anos. Recentemente, a banda esteve em Portugal, em Idanha-a-Nova, num intercâmbio com a Filarmónica Idanhense e com o maestro João Abrantes. Eu tive oportunidade de ir até lá, conversar pessoalmente com o maestro Marcos Almeida e com o Carlos Maguinho, presidente da direção, e foi aí que surgiu o convite para dirigir este concerto em setembro. Fiquei, naturalmente, muito surpreendido e muito satisfeito.

 

E não é um concerto qualquer. Estamos a falar da celebração da Independência do Brasil. É uma data com um peso simbólico enorme?

Exatamente. Tem uma carga muito grande. Não é apenas um concerto. Existe um grau de responsabilidade muito elevado do ponto de vista artístico, porque há um simbolismo muito forte associado à relação entre Portugal e Brasil.

Estamos a falar de um maestro português que vai dirigir um concerto exclusivamente de música brasileira. Foi, aliás, uma das primeiras perguntas que fiz: qual seria o repertório? É exclusivamente música brasileira. É quase uma condicionante, mas, ao mesmo tempo, é um desafio. E eu gosto de desafios. Quem me conhece sabe que gosto de experimentar outras coisas e de procurar constantemente a minha evolução.

É um desafio dirigir uma banda numa data histórica. Quando estive em Itajaí, por exemplo, tive oportunidade de assistir aos ensaios de preparação para o 7 de Setembro e perceber a carga emocional que aqueles desfiles têm.

Parece que todo o Brasil pára para comemorar o 7 de Setembro.

Que preparação é necessária para um evento desta dimensão? Para além do estudo das partituras, existe também uma preparação mental do maestro?

É preciso estarmos emocionalmente autorregulados, sabermos quem somos e para onde vamos e termos uma capacidade versátil de adaptação.

Foi uma das coisas que aprendi na minha primeira viagem ao Brasil. É uma realidade completamente diferente da nossa. Apesar de serem países irmãos, têm especificidades muito próprias.

Estamos a falar da América Latina e temos de ser versáteis na nossa adaptação. Não podemos ser estanques na nossa forma de trabalhar e de estar.

Trabalhar com uma banda em Portugal não é a mesma coisa que trabalhar com uma banda em Espanha, no Brasil ou nos Estados Unidos.

 

Mas música é música?

A música é uma linguagem universal. Mas estou a falar de nós enquanto pessoas.

Um maestro tem de fazer esse trabalho. Não pode limitar-se a agir em função da partitura. Tem também de cuidar de si enquanto pessoa, do ponto de vista físico e mental.

Há treino físico, treino mental e uma espécie de coaching próprio. Temos de estar preparados para responder quando surgem as oportunidades.

Estou a trabalhar tanto nas questões administrativas como na componente musical.

Mas posso dizer, por exemplo, que para fazer o concerto do dia 6 de setembro vou ter uma tarde inteira de ensaio no dia 5 e depois farei o concerto no dia 6.

Não vou ter uma semana de ensaios com a banda. No entanto, fiz um pré-diagnóstico. Estive uma tarde a assistir aos ensaios da banda em Idanha-a-Nova, onde a Campesina e a Filarmónica Idanhense fizeram recentemente um concerto com a Fafá de Belém, integrado na Feira Raiana.

 

Há treino físico, treino mental e uma espécie de coaching próprio

 

É, portanto, um desafio que também nos permite perceber quem somos do ponto de vista profissional e pessoal?

É um grande desafio. Muito grande.

E é um grande desafio também pela carga emotiva que o próprio concerto traz.

Quando falamos de música exclusivamente brasileira, estamos a falar de um repertório que hoje também é conhecido pelas bandas filarmónicas portuguesas. A Banda de Mouriscas, que dirijo, tem também essa realidade de trabalhar repertório mais conhecido e não apenas peças clássicas.

 

Quando falamos em música exclusivamente brasileira, estamos perante música mais conhecida, adaptada para banda, ou peças mais clássicas da música brasileira?

Vou partilhar aqui uma confidência, mas não vou falar propriamente do programa.

Tudo está ainda em fase de construção e temos muito pouco tempo para essa construção.

Quando falamos de bandas filarmónicas, é muito importante que o maestro perceba esta realidade.

Por isso, para mim, foi muito importante ter feito aquele pré-diagnóstico e ter conhecido a banda sem os músicos saberem que eu seria o maestro que iria dirigir o concerto um mês depois.

Os músicos não me conheciam. As únicas pessoas que me conheciam eram o maestro e o presidente da direção. Não houve qualquer contacto com os músicos, para além de um “bom dia” ou “boa tarde”.

 

E quando falamos da Banda Sinfónica Campesina Friburguense, estamos mesmo a falar de uma banda sinfónica?

Sim, é uma banda sinfónica. Não temos violinos, mas temos violoncelos e contrabaixos. Há aqui uma mistura de toda a gama da formação sinfónica com os restantes instrumentos da banda.

Sendo educadores musicais, conseguimos também educar uma comunidade. E nada melhor do que partir da música que as pessoas conhecem para as educar musicalmente.

Uma coisa é ouvir Fafá de Belém com a sua banda e outra é ouvir Fafá de Belém acompanhada por uma banda filarmónica.

E temos atualmente outros exemplos, como os Quinta do Bill, que já apresentaram concertos com acompanhamento de bandas filarmónicas?

Sim. É uma fusão de estilos que já tem uma história de cerca de 16 a 18 anos em Portugal. Começou com bandas profissionais e bandas militares e foi-se estendendo às bandas filarmónicas.

Por um lado, é uma oportunidade para as bandas desenvolverem projetos artísticos diferenciadores e darem a conhecer às comunidades o seu trabalho e o seu percurso. Mas é também uma forma de saírem da sua zona de conforto.

E também mudou muito a composição das próprias bandas. Hoje temos muitos jovens, ao lado de músicos com décadas de experiência.

Sim, e isso levanta desafios. Ao longo dos anos fui mudando um pouco a minha forma de pensar, fruto também de algum trabalho que tenho desenvolvido no norte do país. Continuo a dizer que as pessoas mais velhas fazem falta às bandas. Fazem falta para criar equilíbrio com os mais novos.

Tenho visto espetáculos no Europarque, em Santa Maria da Feira, onde tenho participado como comentador num festival, e tenho visto esse encontro de gerações a fazer música a um nível altíssimo e com uma qualidade artística muito elevada.

 

Quem puxa quem? São os mais jovens que puxam pelos mais velhos ou, muitas vezes, acontece o contrário?

É uma opinião muito pessoal, mas diria que, às vezes — nem sempre — são os mais velhos que puxam pelos mais novos.

É incrível porque as pessoas de mais idade, da idade dos nossos pais ou avós, estão hoje a ter oportunidades que nunca tiveram.

Quando pensamos na música que se praticava na nossa região há 30, 40 ou 50 anos, essas pessoas não tinham oportunidade de conhecer outros tipos de música ou outras estéticas. Estavam muito fechadas.

 

É um desafio dirigir uma banda numa data histórica

 

Dentro de uma espécie de campânula. Isso ainda tem reflexos hoje?

Às vezes, sim. Quando vamos trabalhar com uma banda, seja a banda A, B ou C, ainda encontramos pessoas muito fidelizadas àquilo que se praticava há 50 anos. Mas essa campânula já desapareceu ou tem tendência para desaparecer.

E a qualidade da construção musical também é diferente. É diferente porque já permite a passagem de outras influências. Estamos a falar de bandas filarmónicas, um termo muito português, associado a uma escola de música direcionada para o povo e para a comunidade.

 

O concerto terá como convidados Eric Almeida e os Brazilian Piper. Já conheces estes artistas?

Não pessoalmente. Já fiz alguma pesquisa para perceber quem são. Os Brazilian Piper são um agrupamento musical autónomo da Campesina, mas tiveram origem na própria Campesina. O Eric é um tenor convidado. A Campesina tem, quanto a mim, uma visão espetacular ao convidar artistas para fazer concertos diferenciadores com a própria banda. Muito provavelmente vou conhecer essas pessoas no dia 5.

Isto começou de algum lado. Há aqui o miúdo Zé Miguel. Começou a tocar o quê e como?

Nasci no Rossio, em casa dos meus avós. O meu avô foi músico da Sociedade de Instrução Musical Rossiense durante 70 anos, ininterruptamente, e a casa onde nasci é parede-meia com a sede da banda. Eu e o meu irmão já ouvíamos os ensaios desde bebés.

O meu avô levava-me para a banda desde muito pequeno e fui desenvolvendo o carinho e o gosto pela música. Sempre fui uma criança muito distraída e a música acabou por me obrigar à concentração. Se hoje, passados 36 anos e a caminho dos 37 desde que comecei a aprender música, cá estou, muito devo aos meus pais e ao meu avô.

Tive o privilégio de nascer numa família que me proporcionou isso. Do lado paterno tive o contacto com a música e, do lado materno, o apoio, inclusivamente material, porque estudar música em Portugal não é propriamente barato.

 

Ainda em criança já reparava no maestro?

Sim. Lembro-me perfeitamente do maestro Amílcar Correia. Eu achava piada aos músicos estarem todos juntos e, sobretudo, ao maestro. Pensava: “O que é que ele faz com as mãos? E porquê?” Depois imitava, porque a tendência das crianças é imitar.

Longe de mim saber que um dia iria desenvolver essa paixão. Dirigir é uma paixão. O gesto é uma forma de comunicar com o músico e de, através dele, dar vida àquilo que o compositor escreveu na partitura.

 

E o instrumento foi logo o saxofone?

Foi. Ainda comecei a aprender clarinete, mas a paixão estava no saxofone. Lembro-me de abrir uma caixa de instrumentos e dizer: “Eu quero aprender este.” Queriam que aprendesse clarinete, porque o meu pai também tinha tocado clarinete, mas eu queria o saxofone.

Houve até uma pessoa que me disse: “Ou aprendes clarinete ou eu não te ensino mais.” E eu respondi: “Então vou aprender saxofone.”

Tive sempre um bocadinho de teimosia e ainda bem que a tive. Essa escolha permitiu-me conhecer pessoas como o senhor Joaquim Cadete e o senhor António Mingote e aproximou-me ainda mais do meu avô.

 

Tenho de ser muito disciplinado com o meu tempo

 

O avô foi uma inspiração?

Foi uma inspiração de vida, não apenas de música. Foi um homem incrível, que teve de se superar e foi um exemplo para todos nós e para a banda. Toda a gente tinha um carinho enorme pelo senhor Fernando.

Costumo dizer que não nasci num berço de ouro, mas nasci num berço de ouro na família. Essa família permitiu-me ter o percurso que tenho hoje e ensinou-me que o trabalho é a melhor ferramenta para conquistarmos aquilo que queremos.

 

Quando foi tomada a decisão que a música podia ser o futuro, houve resistência da família?

Claro que sim. Sobretudo do lado da minha mãe havia preocupação: “A música não dá dinheiro. O que é que vais fazer na vida?” Passei por isso tudo.

Comecei a estudar música oficialmente tarde. Naquela altura, as oportunidades eram muito menores. Para estudar tinha de sair de Abrantes e ir para Tomar. Hoje há muito mais soluções, escolas e acesso ao ensino musical.

 

Entrar no Conservatório de Tomar foi um momento decisivo?

Sem dúvida. Entrei na mudança do 10.º para o 11.º ano, enquanto frequentava o secundário na área das ciências. Quando entrei pela primeira vez no Conservatório pensei: “Isto é diferente. Será que algum dia vou conseguir tocar assim?”

Foi a primeira vez que vi colegas a tocar saxofone com um nível que nunca tinha visto. Havia dias em que entrava de manhã e saía à noite. Aquilo era fascinante.

Apesar de ter começado tarde, essa circunstância também me obrigou a trabalhar mais e fez-me valorizar as conquistas.

 

Hoje os jovens têm muitas mais oportunidades. Será que as valorizam?

Nós, no nosso tempo, tínhamos de correr atrás. Para estudar em Tomar tínhamos de sair de Abrantes e, para ter experiências artísticas diferentes, era preciso ir a Lisboa, ao Porto ou às Caldas da Rainha.

Hoje há um sentido de oportunidade muito grande. Ter a possibilidade de estudar música é um privilégio. Às vezes dizem: “O meu filho não tem tempo para estudar música.” Isso é um erro. Eu também faço scroll no telemóvel. É preferível estudar música do que passar horas a fazer scroll.

 

Ia à boleia para os ensaios. Eram ensaios à noite e muitas vezes fora de Tomar.

 

Durante o percurso académico, alguma vez o sonho de ser maestro ficou para trás?

Não. Aliás, hoje sou maestro fruto da minha teimosia. Quando saí de Abrantes para estudar em Leiria, fiz o curso de professores do ensino básico e depois a variante de Educação Musical. O meu sonho continuava a ser estudar saxofone na Escola Superior de Música de Lisboa. Até pensei em concorrer a uma banda militar e estudar por essa via.

Entretanto, comecei a trabalhar como professor de Educação Musical, com 20, quase 21 anos. Mas nunca deixei de procurar formação. As minhas férias eram passadas em masterclasses e o dinheiro que ganhava era muitas vezes utilizado para pagar formações e estudar com diferentes mestres.

 

E aos 21 anos surgiu a primeira oportunidade de dirigir uma banda.

Foi a Banda da Pedreira de Tomar. Ainda tinha pouca experiência. A primeira formação de direção musical que fiz foi em representação da Sociedade de Instrução Musical Rossiense, na Fundação INATEL, em Lisboa.

Foi aí que percebi, aos 21 anos: “É isto que quero fazer”. Gosto muito de ensinar e hoje é impensável deixar o ensino, mas também gosto muito deste lado artístico, porque é o lado do sonho.

 

E havia dificuldades até para chegar aos ensaios.

Eu não tinha carta de condução. Ia à boleia para os ensaios, porque nem sempre os meus pais me podiam levar. Eram ensaios à noite e muitas vezes fora de Tomar.

Hoje olho para essas histórias e rio-me. Na altura eram um grande desafio. Quando acreditamos num sonho e só nós estamos a vê-lo, temos de convencer as pessoas que estão à nossa volta. Não é fácil. Temos de nos sujeitar a tudo: ir à boleia, de autocarro, fazer o que for preciso.

 

Hoje sou maestro fruto da minha teimosia

 

Houve também uma formação do INATEL que foi determinante.

A Sociedade Rossiense recebeu a informação de que ia haver uma formação de direção musical no Centro de Férias de Oeiras. Eram dois selecionados por distrito. Eu dizia ao meu avô: “O distrito de Santarém é enorme. Alguma vez vou ser selecionado?”

Ele respondeu-me com uma frase que me acompanha para a vida: “Se não preencheres a folha, não sabes se vais ou não.”

Preenchi e fui selecionado, juntamente com o Pedro Mota Correia, de Santarém. Eu tinha 21 anos e era o mais novo. Os restantes tinham 30, 40 anos. Tive muito receio e alguma falta de confiança em mim próprio, mas estudei imenso.

 

O avô acabou por ser o mentor?

 Sim. Hoje existe o conceito de mentor. Na altura, o meu mentor era o meu avô, juntamente com o meu pai e a minha mãe. Já estudei com professores portugueses e estrangeiros extraordinários, mas o maior professor que tive foi o meu avô Fernando.

Uma das grandes perdas da minha vida foi tê-lo perdido fisicamente. Hoje percebo que ele continua comigo. O meu avô acompanha-me para sempre.

E onde começa verdadeiramente a sua carreira de maestro?

Na Sociedade de Instrução Musical Rossiense, quando comecei a ensinar aquilo que sabia aos jovens músicos. Foi aí que comecei a despertar para a direção.

No Conservatório também participei como coralista no Corpo de Câmara e tive a professora Ana Paula, uma maestrina fantástica. A forma como dirigia fascinava-me. Eu olhava para as mãos e tentava perceber como é que o gesto se transformava em som.

Foi aí que considero que começou a génese da minha aprendizagem da direção musical. Depois, estudar com professores de renome alimentou ainda mais esse sonho.

 

 Lembro-me de abrir uma caixa de instrumentos e dizer: “Eu quero aprender este (saxofone)”

 

Além de maestro, também é compositor. Como surgiu essa dimensão?

Comecei a escrever música em 2004. Já tenho 15 peças para banda, muitas canções infantis e um livro editado com seis canções para crianças.

A primeira peça surgiu nesse ano, quando o meu avô celebrava 70 anos de músico filarmónico. Eu estava num estágio de Orquestra de Sopros em Aveiro e o maestro era também compositor. Estreámos uma obra dele, Cassiopeia, e achei fantástico tocar uma obra e estar a ser dirigido pelo próprio compositor.

Essa experiência levou-me a experimentar. Quis escrever uma peça para homenagear o meu avô. Foi assim que nasceu Artium Artes. O meu avô, além de funcionário da Fundição do Rossio, era sapateiro, era um homem de muitas artes, um faz-tudo.

Escrevi a obra em casa dos meus avós. Perguntava-lhe: “Avô, o que é que achas disto?” Ele não sabia exatamente o que eu estava a fazer.

A peça acabou por ser estreada pela Banda de Montalvo. No final, chamei o meu avô ao palco e disse-lhe: “Esta peça é dedicada a ti.” Foi um momento de enorme emoção. Ele percebeu naquele momento aquilo que eu andava a fazer.

Durante algum tempo tive dificuldade em voltar a tocar essa peça. Foi preciso fazer o meu luto. É uma obra com uma carga emocional muito grande.

 

A Banda Filarmónica Mourisquense é um dos seus projetos atuais e já a dirige há cerca de três anos?

Dirijo a Banda Filarmónica Mourisquense há quase três anos e sou também coordenador da Escola de Música.

É importante perceber que uma coisa é a banda e outra é a Escola de Música. O meu trabalho tem-se centrado mais na banda e tenho tentado dar ferramentas aos músicos da casa.

Em 2026, por onde anda José Miguel Rodrigues para além do ensino?

Sim. Terminei o meu mestrado em Ensino de Música em 2026, portanto foi mais uma etapa da minha formação académica e profissional.

Tenho ainda integrado o Festival Filarmonia, promovido pela Academia Portuguesa de Bandas, e continuo a desenvolver a minha atividade no mundo das bandas e da música.

Sou também diretor artístico da Federação das Bandas Filarmónicas do distrito de Portalegre onde tenho um contacto privilegiado com 15 associações que têm bandas filarmónicas.

Sou maestro da Orquestra de Sopros do Alto Alentejo e da Orquestra Juvenil do Alto Alentejo e tenho participado como comentador no Festival Filarmonia de Ouro, promovido pela Academia Portuguesa de Banda, com o apoio da marca francesa de instrumentos Buffet Crampon. Tenho tido, portanto, a minha dinâmica normal.

 

E há tempo para tudo isso?

Tenho de ser muito disciplinado com o meu tempo. Tenho de dormir, descansar, dar aulas e estar presente na minha família.

 A minha força motriz é a família, desde a minha mulher aos meus pais. O tempo tem de ser gerido “como pinças”, para conseguirmos fazer um bom trabalho e dar uma resposta de qualidade em todos os domínios.

Concluí agora o meu mestrado como queria, mas tive de sacrificar domingos, levantar-me de madrugada, fazer investigação e continuar a responder a uma agenda muito preenchida.

No fundo, é a mesma ideia que me acompanha desde criança: é preciso sonhar, mas depois é preciso trabalhar para concretizar o sonho.

 

É possível?

É possível. Por exemplo, terminei o meu mestrado há quase um mês e não queria terminá-lo de qualquer maneira. Usando aqui um bocadinho de falsa modéstia, terminei o meu mestrado como queria. Mas tive de me preparar para isso. Tive de sacrificar domingos, levantar-me de madrugada, fazer investigação e passar por todo esse processo, ao mesmo tempo que continuava a dar resposta a uma agenda bastante preenchida.

É possível, mas exige disciplina, organização e, acima de tudo, saber aquilo que queremos.

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