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Sardoal: Fumeiro, vinho e pão estão de regresso e mostram a qualidade dos produtos portugueses (com/áudio)

18/04/2026 às 15:20

Já lá vão mais de dez anos desde que se realizou a última edição da Feira do Fumeiro de Sardoal. Este ano, Município e Tagus voltaram a dar as mãos para fazer regressar o evento num formato ligeiramente diferente. Ao fumeiro juntaram o pão, essencial numa mesa de petiscos, e depois o vinho dos produtores de Sardoal.

Juntou-se um programa musical, oficinas para os mais novos, provas de vinhos para os mais velhos e misturou-se tudo para ganhar tempero. Depois foi servir no Quartel dos Bombeiros de Sardoal.

E é até às 20 horas de domingo que pode visitar o certame e provar o fumeiro de Trás-os-Montes, Beira Alta e Serra da Estrela, Beira Baixa, Alentejo e Abrantes. Falta apenas a presença dos Açores.

A inauguração contou com a presença do secretário de Estado da Agricultura e Fanfarra dos Bombeiros Municipais de Sardoal. Mas foi o presidente da Câmara Municipal de Sardoal a iniciar a cerimónia.

Pedro Rosa, entre cumprimentos, destacou a importância de fazer regressar este evento.

“A gastronomia também é tradição e a tradição é, sem dúvida, um motor de desenvolvimento económico.”

Destacou os produtores, os expositores e também o Agrupamento de Escolas, por aceitar este desafio de se associar esta feira valorizando o património material do Sardoal, através do envolvimento dos alunos, na exposição alusiva ao Mestre Gil. “O Sardoal, com o seu vasto património material e imaterial, é um espaço de aprendizagem constante, uma verdadeira sala de aula viva”, indicou Pedro Rosa.

Depois voltou o olhar para uma parceria sólida que reforça a ligação da Tagus ao território. “Sem o seu envolvimento, esta iniciativa dificilmente seria uma realidade.”

E de seguida a mensagem para o secretário de Estado e para o vice-Presidente da CCDR: “a valorização dos territórios, em particular dos de baixa densidade, exige hoje uma abordagem integrada, participativa e profundamente enraizada nas comunidades locais.

É neste contexto que os Grupos de Ação Local (GAL) assumem um papel absolutamente determinante. Os GAL são muito mais do que estruturas de gestão de fundos europeus, são verdadeiras plataformas de articulação entre autarquias, associações, empresas e cidadãos, que partilham o objetivo comum, promover o desenvolvimento sustentável dos seus territórios. São estruturas de proximidade, que conhecem o território como ninguém, que escutam a população e que transformam as necessidades reais em respostas concretas.”

Pedro Rosa vincou a importância para que os GAL “continuem a ser valorizados, reforçados e reconhecidos em todas as suas dimensões, garantindo que o caminho futuro não se afasta destes princípios.”

E concluiu a dizer que o trabalho que a TAGUS tem desenvolvido ao longo dos anos é prova concreta da relevância destas estruturas e “constitui, por si só, uma justificação inequívoca da sua continuidade.”

 

Pedro Rosa, presidente CM Sardoal

Conceição Pereira apresentou depois este novo arranque de um evento que já fazia parte do calendário de atividades de Sardoal.

Frisou que esta parceria é um bom resultado para esta dinamização económica. Depois evocou a mascote, Mestre Gil, para fazer a ligação à escola. “O Mestre Gil, fruto também do apoio que o Município do Sardoal fez, como elemento importante na educação e de que as crianças passem a conhecer a sua identidade, o seu valor, a sua arte e a sua cultura. Portanto, esperamos mesmo que seja uma banda desenhada bem-sucedida e que as crianças comecem a reconhecer também o seu património do Sardoal.” Mestre Gil que na sexta-feira mostrou que as crianças já começam a identificar a figura.

Conceição Pereira explicou o evento e não esqueceu a programação da feira. Foi feito um cartaz para tentar agradar ao público, “E temos atividades para as crianças, atividades pós-idosos da terceira idade, atividade para aqueles que comem mais, para aqueles que bebem mais, para aqueles que acordam mais cedo. Portanto, isto para dar conta que há aqui uma diversidade de um programa para todos.”

 

Conceição Pereira, coordenadora da Tagus

Conceição Pereira deixou depois o desafio para “da mesma maneira que este (retomar) foi aceite, haja também uma continuidade porque o trabalho e o esforço é grande.”

O secretário de Estado da Agricultura, João Moura, foi o convidado de honra para a abertura desta Feira do Fumeiro de Sardoal. Visitou os expositores, provou produtos, fez perguntas e foi sempre elogiando o trabalho que é feito em Portugal.

No seu discurso começou por destacar o número de turistas estrangeiros que entram em Portugal. E apresentou os números para os ligar à qualidade dos produtos portugueses, porque os turistas procuram, cada vez mais, produtos da terra, produtos de qualidade e endógenos, e não apenas as grandes cidades ou as praias.

Afirmou ter prazer nos profissionais que representa. “São os agricultores, são aqueles que trabalham a terra, aqueles que produzem o bom vinho, o bom pão, o bom azeite, o peixe, a carne, os enchidos, os ovos, as frutas, os legumes, as flores, etc, etc. E em cada um destes exemplos que eu vos acabei de dar, façam um exercício e imaginem o que são os produtos, comparativamente, os mesmos produtos de outros países. Comparem-nos. E invariavelmente vamos chegar à conclusão que Portugal produz, se não for o melhor do mundo, está entre os melhores do mundo. Em todos.”

O governante deixou depois umas notas sobre este setor. “Hoje, em Portugal, a produção animal vive dos melhores dias de sempre. E não vos digo que o preço da carne está ao preço que está por causa das guerras e das contrariedades que temos no mundo, mas que o preço que é pago ao produtor é de valores que nunca se conheceram em Portugal. Hoje temos escassez de carne em Portugal. Porquê? Porque exportamos muita carne, seja de ovino, seja de bovino. Exportamos. Ainda não estamos a fazer aquilo que nós queríamos que fosse feito, que é, estamos a exportar os animais vivos, e nós preferiríamos que os animais fossem transformados em Portugal para que o valor acrescentado ficasse em Portugal.”

João Moura deixou ainda o tom de que a agricultura hoje “é altamente tecnológica. A agricultura hoje é altamente especializada. A agricultura hoje é altamente eficiente por isso nós temos que cativar os nossos jovens, como aqueles que estão aqui nas Mouriscas (Escola Profissional de Desenvolvimento Rural) que eu já tive a oportunidade de visitar ao lado deste concelho, por várias vezes, para o estimular.”

O governante indicou ainda que foram feitos alguns acordos no Ministério da Agricultura “para lhes dar sinais que os apoiamos e que queremos que o ensino especializado na área da agricultura em Portugal seja tão apetecível como outro qualquer da área das letras ou das ciências, ou das medicinas. E é importante, concluiu, para que “eles [alunos] vejam um horizonte do futuro tão promissor e que, deste modo, venham ocupar os nossos espaços rurais. Venham ser felizes nestes territórios, como eu sou.”

 

João Moura, secretário de Estado da Agricultura

Um país pequeno, mas com uma diversidade enorme

 

João Moura, em declarações aos jornalistas frisou a importância do regresso desta feira, que pode “contagiar esta região de forma muito forte, porque esta região tem fortes tradições no fumeiro.”

O governante destacou a qualidade do fumeiro do nosso país, e em grande parte com recurso a carnes de raças nossas, autóctones. “São as raças que nos seus diferentes solares que se têm do norte a sul do país contam a história e conservam o património de Portugal, eram geralmente raças associadas ao trabalho dos agricultores, portanto, elas hoje transformadas, dão um produto magnífico”, indicou o governante que cumprimentou todos os expositores.

João Moura frisou ainda a diversidade de produtos que existem num país tão concluindo “só tenho formas de me sentir muito orgulhoso daquilo que é a produção nacional.”

 

João Moura, secretário de Estado da Agricultura

De referir que o vice-presidente da CCDR centro para o setor da Agricultura, Vasco Estrela, acompanhou o secretário de Estado nesta visita ao Sardoal.

Do fumeiro às empadas de alheira criadas…. No Sardoal em 2011

Do fumeiro há representantes do Alentejo, do concelho de Abrantes, das Beiras e Serra da Estrela e também de Trás-os-Montes. Foi no território de Mirandela que Sofia Cardoso conta o que trazem para Sardoal.

“Nós o que temos aqui, alheirinha de carne, porque agora já há muitas variedades para outros gostos e outras dietas. Mas o que temos neste momento é alheira tradicional de Mirandela, porco, galinha e peru, e alheira de caça. E depois temos uma terceira alheira que trazemos de outra região, Vinhais, que é só de porco Bísaro. Então é um porco que é, vamos dizer que é primo do porco preto Alentejano, sendo alimentado com frutos secos e torna-se um porco diferente, com outro peso, com outro gosto, com outro nível de gordura.”

Quando questionada sobre o que é que as pessoas procuram, Sofia Cardoso responde “em geral, as pessoas procuram alheira com muita carninha, não com uma carne específica.”

A melhor forma de fazer a alheira é grelhada. Porque não frita? Sofia responde: “porque ela já tem a gordura do azeite. Se vamos fritá-la em óleo ela vai ficar um bocadinho mais pesada. Então nós, por essa razão, preferimos sempre grelhá-la e, porque a pele também fica estaladiça.”

E o truque para a alheira não rebentar? “Seja assada no forno, seja na brasa, seja numa sertã ou frigideira, como vocês chamam, deve sempre ser em lume brando. O segredo para ela não rebentar é o lume brando. Uma gordura, quando é aquecida, ela vai crescer. O azeite vai ter tendência a forçar a pele da alheira para secar para fora. Se nós cozinharmos em lume brando, ela já não vai fazer esse esforço.”

E sobre as empadas de alheira. Quando se chega a este produto a resposta é uma surpresa absoluta. "Foi uma criação que surgiu aqui, no Sardoal. Mais ou menos há 13, 14 anos, nós viemos fazer a feira e trouxemos massa folhada para fazer um folhado para nós comermos aqui. Só que começamos uma ideia de repente de fazer empadas e nesse ano foram 800 empadas vendidas aqui.”

 

Sofia Cardoso, Mirandela (à direita, na foto)

E a experiência ganhou corpo e é um novo produto que continua a fazer parte da oferta, de novo em Sardoal.

Os tintos casam bem com enchidos

Nos vinhos há três produtores de Sardoal: Quinta do Côro, Vale do Armo e Agro Wine. O mais recente é o Agro Wine, projeto iniciado em 2018 pelo enólogo Tiago Alves. “Já andei por outras empresas, mas resolvi montar uma empresa de consultoria, que é a Agro Wine. Só que a paixão que eu tenho pela terra obriga-me a ter o meu produto próprio. Tentei recuperar e ir à procura de quintas míticas e vinhas míticas da nossa região, que têm uma entidade muito própria. Neste caso, as vinhas mais antigas da Quinta do Pouchão. Portanto, recuperei-as, estou a explorá-las. É daí que vem um da nossa parte dos vinhos. Outra é uma quinta emblemática no Sardoal, a Quinta Vale da Lousa, que tem uma ligação grande com o Bocage. Este ano vamos desenvolver a parte do Enoturismo. Vamos fazer as nossas provas tanto de vinho como de mel, também como azeite.”

Nos vinhos a empresa tem a linha Atmosférico e Subsolo. “São vinhos com um carácter muito próprio, com uma entidade muito própria, com uma elegância muito, muito da característica destas vinhas já com 40 e 50 anos. E lançamos este ano, portanto, vinhos de 25. Um branco e um tinto.”

Tiago Alves mantém o bichinho da terra e da produção, mas diz não querer aumentar muito a produção. “Nós produzimos à volta de 10 mil garrafas de vinho e não queria crescer muito mais do que isso.”

Mas há coisas que não mudam, tal como os sonhos. “Tenho aqui uma pequena tentação de fazer espumante. Fomos dos primeiros espumantes, fomos dos primeiros produtores do Ribatejo, noutro projeto que eu tive, a fazer espumantes e continuo com esse bichinho.”

Os vinhos casam bem com enchidos. “Mais tintos, e também o nosso portfólio é de mais de tintos, portanto qualquer um encaixa bem.”

 

Tiago Alves, Agro Wine

E depois há ainda o pão, com a empresa Ti Pereira e a associação Artelinho, de Alcaravela. Há também pão para todos os gostos, até porque fumeiro tem mesmo de ter pão para ser o petisco que todos gostam.

A Feira do Fumeiro, Vinho e Pão está de portas abertas até às 20 horas deste domingo em Sardoal, no Quartel dos Bombeiros Municipais.

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