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Abrantes: Transporte a Pedido em Abrantes muda de funcionamento: passageiros passam a escolher a hora de chegada ao destino (c/áudio)

13/10/2026 às 15:15

O Transporte a Pedido (TaP) no concelho de Abrantes passou a funcionar com um novo sistema que permite aos passageiros escolher a hora a que pretendem chegar ao destino, em vez de estarem sujeitos a horários fixos de passagem nas paragens. A alteração entrou em vigor a 1 de outubro, abrange seis circuitos e pretende tornar o serviço mais flexível e ajustado às necessidades das populações. A novidade foi explicada à Antena Livre por Miguel Pombeiro, primeiro secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT).

A mudança resulta da introdução de uma nova plataforma de gestão do Transporte a Pedido, que organiza os percursos em função das reservas efetuadas e dos horários de chegada pretendidos pelos utilizadores.

Até agora, os passageiros tinham um horário fixo de referência para aguardar o transporte na paragem, mas a duração dos percursos podia variar consoante o número de pedidos e as localidades abrangidas. Isso obrigava a admitir margens de espera que, em alguns casos, podiam chegar aos 10 ou 15 minutos.

Com o novo modelo, o passageiro indica a hora a que pretende chegar à sede de freguesia ou à cidade de Abrantes. A plataforma reúne os pedidos, organiza o circuito e calcula a hora de passagem do veículo em cada paragem.

«Agora o que as pessoas escolhem é a hora a que querem chegar à sede de freguesia ou à sede do concelho. Escolhem o horário da chegada ao destino», explicou Miguel Pombeiro.

O responsável acrescentou que, por volta das 17 horas do dia anterior à viagem, os passageiros recebem uma mensagem escrita com a indicação da hora exata a que o transporte deverá passar na paragem escolhida.

«A pessoa recebe às 17 horas do dia anterior um SMS que lhe começa a dizer: a sua viagem amanhã, passaremos às 8h52 na paragem respetiva que indicou», exemplificou.

Segundo Miguel Pombeiro, esta alteração permite reduzir os tempos de espera e tornar o serviço mais previsível, mantendo a obrigatoriedade de reserva antecipada.

Seis circuitos de Abrantes abrangidos pelas alterações

A reorganização abrange os circuitos de Aldeia do Mato, Alvega, Bemposta, Carvalhal, Mouriscas e Tramagal, que continuam a funcionar nos dias úteis, exceto feriados.

O serviço mantém as ligações dentro das freguesias e destas à cidade de Abrantes, permitindo o acesso a serviços públicos, estabelecimentos comerciais, equipamentos de saúde e outros destinos.

Miguel Pombeiro esclareceu que não está em causa uma alteração dos territórios servidos, mas uma modernização da forma como são organizadas as viagens.

«O serviço mantém-se exatamente o mesmo», afirmou, sublinhando que a principal diferença está na possibilidade de escolher o horário de chegada e receber antecipadamente a informação sobre a hora de partida.

A mudança faz parte de um processo de modernização que será progressivamente alargado aos restantes municípios da região.

Atualmente, o Médio Tejo dispõe de cerca de 80 circuitos de Transporte a Pedido, estando a CIMT a proceder à migração para a nova plataforma concelho a concelho.

Nas declarações à Antena Livre, Miguel Pombeiro destacou também o crescimento da utilização deste serviço, criado em 2013 e que começou por ser encarado como uma solução de mobilidade com procura limitada.

Mais de 12 anos depois, o Transporte a Pedido movimenta mais de 4.500 passageiros por mês no Médio Tejo, número que o primeiro secretário executivo acredita poder ultrapassar em breve os cinco mil.

«É uma experiência que vamos acumulando, já com mais de 12 anos, e um método que julgávamos inicialmente que seria residual. Nós estamos a transportar mais de 4.500 passageiros por mês através desta modalidade», afirmou.

Miguel Pombeiro considera que o Transporte a Pedido constitui uma resposta particularmente importante para as aldeias e localidades com menor população, onde a reduzida procura não justifica a existência de carreiras regulares de autocarros.

«Esta é a única modalidade possível para aldeias e para circuitos que têm uma procura muito baixa, e portanto a oferta é que se tem que adequar à procura», defendeu.

O responsável salientou ainda que o Médio Tejo foi pioneiro na implementação deste modelo em Portugal e afirmou que a CIMT é atualmente a comunidade intermunicipal com maior número de passageiros transportados nesta modalidade.

Desconfiança inicial deu lugar a uma maior adesão

Miguel Pombeiro recordou que a introdução do Transporte a Pedido encontrou inicialmente alguma resistência, sobretudo entre as populações mais idosas, habituadas às tradicionais carreiras de autocarros.

A necessidade de reservar antecipadamente a viagem e o facto de o transporte ser frequentemente assegurado por veículos ligeiros, em vez de autocarros, contribuíram para alguma desconfiança.

A situação foi sendo ultrapassada através da divulgação do serviço pelas juntas de freguesia, associações locais e pelos próprios utilizadores.

Segundo o primeiro secretário executivo, a experiência demonstrou que o envolvimento das entidades locais e a transmissão de informação entre habitantes foram determinantes para aumentar a procura.

O responsável destacou a facilidade que o serviço proporciona a quem vive em localidades mais isoladas, permitindo deslocações às sedes de freguesia ou de concelho e, em muitos casos, o regresso a casa no final da manhã.

Questionado pela Antena Livre sobre a disponibilidade de operadores, numa altura em que algumas localidades têm vindo a perder serviços de táxi, Miguel Pombeiro garantiu que, no caso de Abrantes, tem sido possível assegurar a continuidade do Transporte a Pedido.

Miguel Pombeiro, primeiro secretário Executivo CIMT

O responsável reconheceu que alguns taxistas manifestam reservas relativamente a este modelo, por considerarem que os horários contratualizados podem limitar a realização de outros serviços mais rentáveis.

No entanto, explicou que têm surgido soluções de colaboração entre profissionais, permitindo distribuir os serviços e assegurar as viagens.

«No caso de Abrantes temos renovado os contratos, temos feito os procedimentos e, felizmente, temos tido taxistas disponíveis para continuar a fazer o trabalho», afirmou.

Reservas até às 15 horas do dia anterior

Apesar da mudança no sistema de organização das viagens, as regras de reserva mantêm-se.

Os passageiros devem efetuar a marcação até às 15 horas do dia anterior, através do número gratuito 800 209 226, disponível nos dias úteis entre as 9 e as 15 horas, ou pela plataforma tap.mediotejo.pt.

As reservas online podem ser realizadas todos os dias, respeitando o mesmo prazo limite.

Os bilhetes simples custam entre um euro e um euro e cinquenta cêntimos, dependendo da distância percorrida. Os conjuntos de dez viagens têm preços entre sete euros e dez euros e cinquenta cêntimos.

As crianças até aos três anos viajam gratuitamente e as crianças dos quatro aos 12 anos beneficiam de um desconto de 50%.

O Transporte a Pedido é promovido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e cofinanciado pelo Fundo Ambiental.

Com a modernização agora introduzida em Abrantes, a CIMT pretende melhorar a organização dos percursos e a informação prestada aos passageiros, mantendo uma alternativa de mobilidade para as populações das localidades onde a oferta de transporte público regular é mais reduzida.

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