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DECIR 2026: Abrantes aposta no ataque rápido e musculado aos incêndios (c/áudio e fotos)

29/05/2026 às 09:21
Fotos CMA

O dispositivo de combate aos incêndios florestais de Abrantes para o verão está a postos, num ano de novos desafios, principalmente no norte do território.

Para além dos bombeiros, a maior força operacionais, juntam-se os ‘kits’ de primeira intervenção das juntas de freguesia, a Cruz Vermelha, GNR e a Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS), PSP, Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), sapadores florestais da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e da Associação de Agricultores, associações de caçadores e empresas da fileira florestal.

Em 2026, o município celebrou contratos interadministrativos com 11 juntas de freguesia para operacionalizar 12 ‘kits’ de primeira intervenção, num investimento total de 180 mil euros a que juntou mais sete protocolos com outras tantas associações de caçadores.

Desde 2019, o município já investiu cerca de 1,3 milhões de euros neste dispositivo.

São carrinhas equipadas com depósitos de água, rádios ligados e operacionais prontos a serem distribuídos numa espécie de malha pelo território de Abrantes com um objetivo claro de fazer a primeira intervenção rápida a qualquer ignição que seja detetada. A estratégia é atacar o “inimigo” na fase “nascente” quando ainda é pequeno e facilmente controlável.

Cada ‘kit’, apoiado com 15 mil euros, integra viaturas ligeiras equipadas com tanque de água, mangueiras, maquinaria e sistemas de comunicação rádio, sendo posicionados em locais estratégicos durante períodos de maior risco.

A poucos dias do início do período mais crítico de incêndios, Manuel Jorge Valamatos admitiu preocupação com as condições meteorológicas e com o impacto da tempestade Kristin, que atingiu o norte do concelho no final de janeiro.

“O norte do concelho foi afetado pela tempestade e existem muitas árvores caídas” e apesar de os principais caminhos florestais já terem sido desobstruídos, o autarca reconheceu que “até 30 de junho é uma corrida contra o tempo”.

Por outro lado, o município prepara ainda a instalação de novas câmaras de videovigilância na floresta, em articulação com a Polícia Judiciária, numa tentativa de reforçar a dissuasão e deteção de ignições.

“Somos dos concelhos com mais ignições verificadas nos anos anteriores e temos de combater isto”, declarou.

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CM Abrantes

 

De acordo com o 2.º comandante sub-regional de Proteção Civil do Médio Tejo, João Pitacas, a dispersão territorial do concelho obriga a “ter meios espalhados pelo território” capazes de chegar rapidamente a uma ignição.

Segundo João Pitacas, estes meios permitem não apenas uma primeira intervenção mais rápida, mas também vigilância, dissuasão e acompanhamento de situações de risco, incluindo queimadas autorizadas.

 

João Pitacas, segundo comandante subregional ANEPC

Sobre o concelho de Abrantes, o segundo comandante elogiou a aposta nas equipas das juntas de freguesia e das associações de caçadores. E deu um exemplo concreto: “neste período em que sazonalmente ainda são autorizadas queimas no território, estes kits também acompanham e fazem uma proximidade a essas queimas que sabemos, como é público, são uma das causas identificadas como de incêndio.”

E a aposta tem sido, repete-se este ano, num ataque rápido a qualquer ocorrência que aconteça na área territorial do Médio Tejo.

 

João Pitacas, segundo comandante subregional ANEPC

Sobre o verão, João Pitacas vincou que “temos grandes massas de combustível aglomeradas onde não tínhamos, convivência de combustíveis finos com combustíveis médios com combustíveis grossos, que depois da passagem do incêndio vão continuar com combustões mais lentas, independentemente de todo o trabalho que é feito e que é bem feito pelos combatentes.”

Referiu que ainda decorrem trabalhos, e não existe neste momento previsão de cessação desses trabalhos, de desobstrução da rede viária florestal.

João Pitacas, segundo comandante subregional ANEPC

Ao encerrar a apresentação do dispositivo para o concelho de Abrantes, o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos deixou um apelo à coordenação entre entidades e à vigilância permanente da população: “todos são importantes, não há entidades nem pessoas mais importantes do que outras quando se pretende defender um território”.

Dando um exemplo concreto, esta quinta-feira, 28 de maio, à tarde deflagrou um incêndio na cidade de Abrantes, nas proximidades de S. Lourenço. Em minutos estavam em Abrantes 65 operacionais apoiados por 16 viaturas e com apoio de um helicóptero ligeiro (sediado em Sardoal). Este ataque rápido tem como objetivo evitar que um incêndio se transforme num grande incêndio. Mesmo que muitas vezes o cidadão considere exagerada a quantidade de meios acionados, o objetivo é este: Ataque rápido e musculado para evitar grandes incêndios.

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