Abrantes: Executivo aprova voto de pesar pela morte de Mário Soares

10/01/2017 às 00:00

Foi hoje aprovado por unanimidade, na reunião do executivo camarário de Abrantes, um voto de pesar pela morte do antigo Presidente da República, Mário Soares.

Milhares de pessoas, dos quais 500 convidados marcaram hoje presença no último adeus a Mário Soares, num dia emotivo que começou nos Claustros do Mosteiro dos Jerónimos e terminou com o funeral no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

Depois de ter estado em câmara ardente aberta ao público desde segunda-feira, a urna de Mário Soares foi transportada esta manhã para os claustros do Mosteiro.

Ali realizou-se uma sessão solene evocativa de homenagem, que contou com diversas interpretações musicais e os discursos emotivos dos filhos, João e Isabel Soares, de uma mensagem de vídeo do primeiro-ministro, António Costa, do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e terminou com a intervenção do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A coragem de Mário Soares nos momentos difíceis da sua vida foi recordada com emoção pelos filhos e ouviu-se também a voz de Maria de Jesus Barroso, mulher do antigo chefe de Estado também já falecida, a declamar "Os dois sonetos de amor da hora triste", de Álvaro Feijó.

António Costa recordou, num vídeo de cerca de dez minutos gravado na Índia durante a visita de Estado, "o rosto e a voz" da liberdade em Portugal e Ferro Rodrigues definiu o antigo Presidente da República como "o militante número 1" da democracia portuguesa e um homem entre os "imprescindíveis" que "pôs sempre Portugal em primeiro lugar".

Já o Presidente da República falou de Mário Soares como um "singular humanista e construtor de portugalidade" e considerou que, como "um homem que fez história", merecia ser homenageado num lugar como o Mosteiro dos Jerónimos.

Para o primeiro funeral de Estado realizado em Portugal depois do 25 de Abril, deslocaram-se a Lisboa diversas entidades estrangeiras que estiveram também presentes da cerimónia de evocação, entre os quais o rei Felipe VI de Espanha e os Presidentes do Brasil, Cabo Verde e Guiné-Bissau, o presidente do Parlamento Europeu, o presidente da Assembleia Nacional angolana e o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba.

Após a cerimónia, que durou pouco mais de uma hora, à saída do Mosteiro dos Jerónimos, seis F-16 da Força Aérea sobrevoaram os céus da zona de Belém sob aplausos de centenas de pessoas.

O cortejo fúnebre passou pelo Palácio de Belém, onde muitos funcionários acompanharam o momento pelas varandas, e pela avenida D. Carlos I, onde centenas de pessoas viram em silêncio passar o armão que transporta o corpo do antigo chefe de Estado.

À passagem pela Fundação Mário Soares e Assembleia da República centenas de deputados, funcionários e cidadãos saudaram o histórico socialista com um longo aplauso.

De seguida, uma multidão concentrou-se no Largo do Rato, em frente à sede do Partido Socialista, o ponto do cortejo onde mais pessoas se concentraram, a onde chegaram autocarros de vários pontos do país.

Lágrimas nos olhos dos populares, gritos de "Soares amigo, o povo estará contigo" e rosas amarelas e cravos vermelhos foram uma constante ao longo de todo o cortejo que terminou no Cemitério dos Prazeres, com a realização do funeral.

Depois das cerimónias em frente à capela, durante as quais Marcelo Rebelo de Sousa entregou aos filhos a bandeira nacional que cobria a urna de Mário Soares e se ouviu a voz do antigo chefe de Estado, o cortejo passou ainda em frente ao jazigo de Jaime Cortesão.

"A verdade não pertence em exclusivo a ninguém e não há nada que substitua a tolerância", ouviu-se pela voz de Soares, em 1986.

Numa cerimónia mais reservada, a urna de Mário Soares entrou no jazigo da família, tendo-se ouvido muitas palmas dos presentes.

Entre os cerca de 3.000 pessoas, segundo a polícia, que assistiram ao funeral, houve quem pedisse que o ex-Presidente da República desse o nome à atual avenida da Liberdade.

Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa. O Governo português decretou três dias de luto nacional, até quarta-feira, dia em que haverá ainda uma homenagem durante a sessão parlamentar, na qual serão projetadas imagens do antigo chefe de Estado nas telas gigantes da sala de sessões da Assembleia da República.

C/Lusa

O voto de pesar foi lido por Maria do Céu Albuquerque, presidente da CMA, ao restante executivo:

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