O secretário de Estado da Proteção Civil classificou hoje como um “verdadeiro desígnio nacional e coletivo” o Compromisso Visão Zero, para atingir zero vítimas mortais e zero feridos graves em acidentes rodoviários até 2050.
“Mais do que nunca a estratégia Visão Zero assume-se como um verdadeiro desígnio nacional e coletivo assente no principio de que nenhuma morte na estrada deveria ser aceitável”, disse Rui Rocha na assinatura do protocolo “Visão Zero – Mais Cidadania para as Estradas de Portugal” entre Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) e a Infraestruturas de Portugal, a quarta concessionário a aderir a este compromisso depois da Lusoponte, da Brisa e da Ascendi.
O protocolo prevê também a redução, em pelo menos 50%, do número de vítimas mortais e de feridos graves até 2030, tendo por referência os dados de 2019, o que significaria a redução do número de vítimas mortais nas estradas portuguesas para um máximo de 313 pessoas em 2030.
O secretário de Estado da Proteção Civil realçou que os protocolos assinados com concessionárias da rede rodoviária demonstram que há um movimento de uma consciência coletiva para esta causa.
“Porque a segurança rodoviária não é a responsabilidade de um só, exige um esforço coletivo”, disse adiantando que foi também lançado um desafio aos municípios portugueses a aderir referindo que existem já manifestações de interesse para projetos-piloto que passam pela análise da velocidade nos centros urbanos com a sua redução ou ainda por programas de gestão de velocidade com a instalação de radares de velocidade média.
Também o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, defendeu que a questão da segurança rodoviária é uma cultura que deve ser assumida por todos.
“Esta temática da segurança rodoviária não é uma temática de uma instituição por isso é tão importante a colaboração entre entidades”, disse classificando como basilar para resolver o problema porque “nenhum o fará sozinho”.
O presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), Miguel Cruz, destacou que para o período 2024-2030 foi definido um plano para a redução da sinistralidade rodoviária que considera estruturante e que surge num contexto de um aumento do número de vitimas nas estradas portuguesas.
Segundo Miguel Cruz, com a assinatura do compromisso a IP compromete-se a desenvolver ações no tratamento de travessias urbanas, na separação de sentido nas vias rurais, no tratamento da área adjacente à faixa de rodagem, na distração e fadiga e em zona de acumulação de acidentes, num investimento de 33,6 milhões de euros.
“Todas estas medidas esperam atingir impactos diretos em matéria de sinistralidade rodoviária e contribuir para a construção de um sistema de mobilidade mais seguro e em conjunto com os vários intervenientes podermos ter uma estratégia que aborde a segurança rodoviária em Portugal de uma forma efetiva e rápida”, disse.
Presidente da ANSR - Pedro Clemente | Secretário de Estado da Proteção Civil - Rui Rocha | Secretário de Estado das Infraestruturas - , Hugo Espírito Santo | Presidente da IP - Miguel Cruz.
Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), hoje divulgado, em 2025 registaram-se 146.759 acidentes de viação, o que corresponde a um aumento de 3,8%.
Registaram-se 448 vítimas mortais no local ou no percurso até à Unidade de Saúde, representando menos 6,1%, embora se tenha registado um aumento de feridos graves, que ascendeu a 2.816 (+2,2%) e no número de feridos leves, que atingiu os 45.460 casos (+1,9%).
Em 2025 o número global de vítimas de acidentes de viação, 48.724, aumentou 1,8% face ao ano anterior.
Quanto à natureza dos acidentes, e com base em dados provisórios, as colisões foram responsáveis por 46,6% das vítimas mortais e 47,8% dos feridos graves. E houve uma redução significativa da mortalidade associada a atropelamentos (-46%).
As maiores reduções na mortalidade verificaram-se nos distritos de Braga e Leiria (-12% em ambos), bem como da Guarda (-10%). Ao contrário os maiores aumentos registaram-se em Aveiro e Bragança (mais 7% em ambos), assim como em Portalegre (mais 6%).
Quanto à criminalidade rodoviária o relatório revela que aumentou em termos gerais 24% no ano passado, com os 38.463 casos registados a representarem uma subida de 7.441 participações em relação a 2024.
Segundo os dados, aumentou a condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,3 gramas por litro, aumentou a condução perigosa de veiculo, aumentou grandemente a condução sem habilitação, aumentou ligeiramente o homicídio por negligência em acidente de viação, e baixou bastante a ofensa à integridade física por negligencia em acidente de viação.
Os dados do RASI apontam também para um registo de mais de 460.000 infrações por excesso de velocidade, o que representa uma diminuição de 10%.
Lusa