A MOSTRA – Encontro de Artes em Espaço Rural regressa ao concelho de Abrantes entre 25 e 27 de setembro e 3 e 4 de outubro. O projeto, que nasceu em Água das Casas, ganha este ano uma nova dimensão e estende a programação a Matagosa, à cidade de Abrantes e a Fontes.
Dança, música, teatro, edição, artes visuais, oficinas e encontros fazem parte da edição de 2026 da MOSTRA, promovida pela associação Mundo em Reboliço, que pretende continuar a aproximar artistas e habitantes e estabelecer relações entre práticas artísticas, memórias e os lugares onde decorre a iniciativa.
O projeto nasceu em Água das Casas, através de um trabalho de proximidade com a aldeia e a população. Depois de um Ano Zero, em 2024, e da edição realizada em 2025, assume agora a designação MOSTRA – Encontro de Artes em Espaço Rural.
Água das Casas continua a ser um dos pontos centrais do evento, mas a programação passa também por Matagosa, Abrantes e Fontes, numa tentativa de criar relações entre diferentes localidades do concelho e levar propostas artísticas a novos públicos.
A abertura acontece a 25 de setembro, em Água das Casas, com o Encontro de Artistas Residentes do Plano Nacional das Artes – Médio Tejo e Oeste. A iniciativa, de participação por convite, pretende promover a partilha de experiências relacionadas com o desenvolvimento de residências artísticas em escolas e comunidades educativas.
No dia seguinte, 26 de setembro, a atividade começa às 10h30, no Salão de Festas de Água das Casas, com a oficina “Bule-Bule – Novas Danças Tradicionais”, orientada por Marta Coutinho, Ruca Rebordão e Paulo Pereira. A proposta cruza raízes rítmicas e movimentos de Portugal, Cabo Verde, Angola e Brasil, entre outras influências.

O trio regressa ao mesmo espaço às 19h00 para um baile onde se cruzam dança tradicional e contemporânea.
Antes, às 16h00, na Igreja da Matagosa, sobe ao palco MOURA, projeto de Pedro Moura e Bruna de Moura, com “Azul Assim Apenas”. Guitarra portuguesa, violoncelo e eletrónica juntam-se numa proposta que parte da folk e das memórias dos lugares para construir novas paisagens sonoras.
Às 17h00 é lançado, em Água das Casas, o livro “Guarda-Rios”, de José Martinho Gaspar. A obra dá continuidade ao trabalho desenvolvido em Água das Casas: uma Amostra, publicado em 2025, e centra-se nas transformações da educação antes e depois do 25 de Abril.
Para a investigação, o autor entrevistou mais de duas dezenas de pessoas, alargando a recolha de memórias a aldeias vizinhas de Água das Casas.
No dia 27 de setembro, às 15h00, o Grupo de Teatro Comunitário do Souto apresenta “Projetar o Souto”, de Cuca M. Pires.
A peça parte de problemas comuns a muitas comunidades do interior e coloca questões sobre o que é necessário para atrair população, combater o esquecimento dos territórios e construir um futuro diferente.
Na história, duas mulheres, uma do Souto e outra de Rio de Moinhos, apresentam um projeto que promete transformar a zona norte do concelho de Abrantes. A população acaba chamada a ouvir as propostas, questioná-las e tomar uma decisão.
MOSTRA chega à cidade de Abrantes

A segunda parte da programação começa a 3 de outubro, desta vez no Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida, em Abrantes.
Às 15h00, José Martinho Gaspar volta a apresentar Guarda-Rios, numa sessão acompanhada pela projeção de fotografias de João Jerónimo relacionadas com a MOSTRA e com o mural desenvolvido no âmbito do projeto.
Segue-se, às 16h30, um concerto de guitarra portuguesa por Pedro Moura, músico que trabalha com diferentes projetos desde 1984 e procura explorar o instrumento para além de uma visão exclusivamente ligada à tradição.
A edição de 2026 termina no dia 4 de outubro, no Largo do Coreto, em Fontes.
Às 15h00 há nova apresentação de Guarda-Rios, acompanhada por uma exposição de fotografias de João Jerónimo. Às 16h30, Marta Coutinho orienta a oficina “Danças do Mundo Criativas”, que cruza tradições, ritmos e movimentos de países como Portugal, Espanha, Cabo Verde, México e Índia.
O artista Anacleto Guia volta igualmente a participar na MOSTRA. Depois do mural realizado em 2025, propõe este ano pintar animais, sobretudo pássaros autóctones da região, numa intervenção relacionada com o trabalho de recolha de memórias desenvolvido por José Martinho Gaspar.
Para a curadora do evento, Filipa Francisco, o crescimento da iniciativa não altera a sua filosofia de proximidade.
“Este ano, a Mostra cresce e chega a novos lugares, mas mantém o mesmo compromisso: uma relação próxima com as pessoas e com o território.”
Segundo a curadora, é essa proximidade, construída progressivamente, que continua a dar sentido ao projeto.
A MOSTRA é promovida pela Mundo em Reboliço, com apoio institucional da Câmara Municipal de Abrantes – Finabrantes e do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto/DGARTES, contando ainda com o Plano Nacional das Artes como parceiro nacional e várias associações e entidades locais.
