O balanço final dos prejuízos em Vila de Rei após a passagem da tempestade Kristin, está feito. Paulo César Luís, presidente da Câmara Municipal, admitiu que “conseguimos ser céleres em Vila de Rei porque adotámos uma estratégia de não nos escudarmos e darmos a cara. As regras eram conhecidas, aplicámos as regras, dedicámos equipas neste sentido. Uma equipa dedicada à parte processual, outra equipa de dois elementos dedicados à parte da avaliação dos estragos”.
Relativamente aos números apresentados, o autarca confirmou que “tivemos 231 candidaturas, das quais foram aprovadas 125 e foram indeferidas 96”. Os 96 indeferimentos, disse, estão, “na maior parte dos casos, associados a infraestruturas que não são habitações próprias permanentes e outras que têm a ver com desistências, logo na parte inicial, porque as habitações receberam dinheiro dos seguros e os promotores desistiram da sua submissão. Estamos a falar de um valor total aprovado na ordem de pouco mais de 300 mil euros”.
Foram estes os números de candidaturas que passaram pela Câmara, ou seja, “todas aquelas que foram instruídas na CCDR, na plataforma, e que necessitaram de validação por parte da Câmara Municipal de Vila de Rei”.

Já no que diz respeito ao Município, “recebemos a primeira tranche, associada aos nossos danos e temos vários processos a decorrer”. Paulo César Luís adiantou que “ainda não finalizámos a totalidade das infraestruturas municipais, estamos a ultimar o projeto do pavilhão da escola, porque foi a maior infraestrutura e aquela que ficou mais danificada, estamos também a ultimar a questão do campo de padel e também a sede da Tuna. Trata-se de um edifício municipal, o antigo espaço internet, que ficou seriamente afetado. Já recuperámos a cobertura, mas é necessário recuperar também os vãos, nomeadamente a caixilharia, porque o edifício tem um conjunto de características particulares, é muito assente em vãos, ou seja, em caixilharia de alumínio. É um edifício com muita luz e o facto do telhado ter ficado afetado, a entrada de água comprometeu seriamente a infraestrutura elétrica e precisa do sistema todo novo. Estamos a recuperar todos aqueles edifícios que foram danificados e que precisam de obras mais profundas. Tal e qual como a própria escola, cuja obra está praticamente finalizada, tivemos que ajustar, porque já havia painéis celulares montados e que foram destruídos pela tempestade. Depois, em consonância com a CCDR, estes estragos daquilo que já estava montado foi alocado à destruição por parte da tempestade e já adquirimos os novos painéis, estão para ser montados a todo momento, para substituir aqueles que tinham sido colocados no âmbito da obra”.
A Antena Livre recordou depois que, nos primeiros meses de mandato, Paulo César Luís já teve que lidar com destruição devido ao mau tempo em termos de enxurradas e depois com as tempestade. Contudo, o presidente assumiu na reunião de Câmara de dia 19 de junho, “que nada disto irá mudar aquilo que são os nossos planos e o manifesto eleitoral”. Questionado de que forma é que consegue contornar a situação, o autarca respondeu que “primeiro, temos que dizer que obtivemos por parte do Governo a sensibilidade de que era preciso recuperar aquilo que a tempestade afetou. E, de facto, temos recebido verbas associadas aos diversos projetos de revitalização, seja da parte edificada, seja da necessidade de recuperar a rede viária e florestal, seja da necessidade de melhorar aquilo que são as condições com que olhamos para o próximo período crítico de incêndios. E temos trabalhado nestas vertentes, sendo que recebemos verbas para o fazer”.
Por outro lado, “estamos a projetar o futuro de acordo com aquilo que são as candidaturas a que nos tínhamos comprometido, nomeadamente ao Portugal 2030, porque vamos encerrar no final do mês de junho aquilo que é o PTRR e as obras de habitação acessível e da escola vão estar finalizadas. Portanto, aquilo que nos permite estar com este discurso e com esta opinião sobre aquilo que é o nosso futuro, tem a ver com o nosso grau de compromisso das obras associadas aos fundos comunitários que cumprimos, finalizámos, com aquilo que temos projetado para o Portugal 2030, que estamos certos que também vamos cumprir, e também uma saúde financeira que nos permite ter este discurso. É que, de facto, temos as verbas necessárias para todos estes projetos e uma capacidade de endividamento brutal que decorre da boa gestão que ocorreu até aqui e que nos possibilita ter graus de possibilidade de obtenção de crédito para, unicamente, fazer face a candidaturas, para potenciar o grau de execução no concelho de Vila de Rei”.