A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) adiantou hoje que no apagão de 28 de abril de 2025 uma das dificuldades foi a falta de combustível para os geradores dos hospitais.
Numa audição pelo grupo de trabalho da comissão parlamentar de Ambiente e Energia para apurar o que aconteceu no dia do apagão, o comandante nacional de emergência e proteção civil Mário Silvestre disse aos deputados que foi ativado um plano de comunicação de crise em todos os comandos e que foi possível, por exemplo, fazer videochamadas com a REN - Redes Energéticas Nacionais.
“Aquilo que nós não sabíamos foi que duas horas depois do evento havia hospitais sem combustíveis para os geradores”, disse o comandante.
José Manuel Moura, presidente da ANEPC, explicou que as únicas ocorrências que aumentaram estiveram relacionadas com a abertura de portas de elevadores, contabilizando-se mais de 400 episódios de pessoas fechadas em elevadores.
Em relação às mensagens enviadas pela ANEPC, que começaram a chegar já quando a eletricidade começou a ser reposta, José Manuel Moura defendeu que a ANEPC fez tudo o que podia ter sido feito. “O que nós podíamos fazer, nessa medida, foi feito. Foram carregados para o sistema mais 11 milhões de mensagens”, referiu o presidente da ANEPC, esclarecendo que a decisão de envio tardio ficou a cargo das operadoras de telecomunicações.
Sobre o conteúdo da mensagem, José Manuel Moura questionou: “O que é que as pessoas queriam saber? Quando é que voltava e o que aconteceu. Mas eram questões para um milhão de dólares”.
O corte generalizado no abastecimento elétrico afetou Portugal e Espanha durante cerca de 11 horas.
O painel de peritos europeus que investiga o incidente – a Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês) – concluiu, no primeiro relatório factual sobre o assunto, que o apagão foi provocado por uma sucessão de desligamentos súbitos de produção renovável, e subsequente perda de sincronismo com a rede continental europeia.
No relatório, de 03 de outubro de 2025, o grupo classifica o incidente como de “escala 3” — o nível mais grave previsto pela legislação europeia — e descreve-o como “o mais significativo ocorrido no sistema elétrico europeu em mais de 20 anos”.
Na terça-feira, a Comissão Europeia autorizou Portugal a abrir um concurso no âmbito do Programa Sustentável 2030 para reforçar a resiliência de hospitais, maternidades e antenas de telecomunicações, através de energia solar e baterias.
Lusa