O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, revelou que o concelho está a acompanhar de perto o processo de definição das futuras Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (ZAER), considerando que o Pego reúne condições para atrair novos investimentos ligados à produção, armazenamento e consumo intensivo de energia.
A informação foi avançada após uma reunião de trabalho promovida pelo Ministério do Ambiente e Energia, realizada em Porto de Mós, a 22 de julho, a convite do secretário de Estado Adjunto e da Energia. O encontro decorreu na sequência do encerramento da consulta pública do Programa Setorial das Zonas de Aceleração da Implantação de Energias Renováveis (PSZAER) e teve como objetivo analisar os contributos recebidos, discutir os próximos passos do processo e definir os critérios para a integração destas zonas nos instrumentos de gestão territorial municipais.
Segundo Manuel Jorge Valamatos, a reunião permitiu esclarecer várias matérias, embora algumas questões permaneçam em aberto, estando previstas novas reuniões com o Governo.
"O Pego, pela presença do ponto de injeção e do posto de corte, é de facto uma área com grande potencial, quer para quem produz energia, quer para quem consome energia", afirmou.
O autarca considera que são expectáveis novos investimentos para esta zona, sobretudo tendo em conta o futuro leilão da capacidade remanescente da antiga central a carvão.
"Vai decorrer um leilão, quer para a produção de energia, quer também para o armazenamento de energia, e é expectável que projetos de produção, de armazenamento e projetos que necessitam de muita energia venham a acontecer", referiu.
Entre esses investimentos, Manuel Jorge Valamatos recordou que existem já projetos conhecidos para a instalação de centros de dados.
"Quando falamos, por exemplo, dos data centers, há pelo menos dois projetos que são projetos de interesse nacional, conhecidos publicamente e em desenvolvimento para esta zona", destacou, acrescentando que "todo o potencial do ponto de injeção permite muitos investimentos que possam vir a acontecer naquela zona industrial do Pego".
Leilão continua sem data
Relativamente ao leilão da capacidade elétrica ainda disponível após o encerramento da central a carvão, o presidente da Câmara reconheceu que continua sem existir um calendário definido.
"Tem vindo a ser adiado. Era para acontecer no ano passado e o secretário de Estado não adiantou datas", afirmou.
Ainda assim, explicou que o Governo pretende que o projeto da Endesa, vencedor do primeiro concurso, possa iniciar a produção de energia em 2027, ao mesmo tempo que prepara o lançamento do concurso para a capacidade remanescente, tanto para produção como para armazenamento de energia.
"Acreditamos que esta zona do território será muito apetecida para investimentos futuros e é isso que estamos a acompanhar com todo o interesse", frisou.
Municípios terão de identificar áreas para renováveis
Durante a reunião foi igualmente abordada a estratégia nacional para a expansão das energias renováveis, que prevê que todos os municípios identifiquem áreas destinadas à instalação de centrais fotovoltaicas e parques eólicos.
"É uma decisão do Governo em que todos os municípios irão identificar no seu território 1% para painéis fotovoltaicos e 1% para energia eólica. É uma responsabilidade do país para cumprir os compromissos com a Europa na descarbonização e na afirmação das energias renováveis", explicou Manuel Jorge Valamatos.
Três reuniões sobre energia, ambiente e desenvolvimento
O autarca revelou ainda que participou recentemente em três reuniões distintas com membros do Governo. Além do encontro sobre as zonas de aceleração das energias renováveis, reuniu com o secretário de Estado do Ambiente para discutir o futuro da gestão dos resíduos urbanos e voltou a encontrar-se com o secretário de Estado da Energia, desta vez em Abrantes, para abordar vários projetos estruturantes para o concelho.
Entre os temas em análise estiveram o ponto de corte do Pego, o projeto da Endesa, a futura mina hídrica, a Zona Livre Tecnológica e o desenvolvimento do Parque de Ciência e Tecnologia.
"A mina hídrica é um projeto muito ambicioso para o território, faz sentido do ponto de vista ambiental, das energias renováveis e da requalificação do açude", afirmou.
Quanto à Zona Livre Tecnológica, Manuel Jorge Valamatos sublinhou que já existe regulamentação para o concelho e que o objetivo passa por atrair projetos de inovação e investigação.
"Queremos construir, dentro do Parque de Ciência e Tecnologia, uma equipa capaz de mobilizar todos aqueles que tenham interesse no território. Esta é uma fase decisiva de expansão e crescimento do concelho, com impacto em toda a região", concluiu.
O presidente da Câmara adiantou ainda que estes contactos deverão prosseguir nas próximas semanas, estando prevista uma reunião com a ministra do Ambiente para definir futuras ações estratégicas para o concelho de Abrantes.