A possível transferência da farmácia de Rio de Moinhos para Alferrarede levou a que a Junta de Freguesia de Rio de Moinhos aprovasse e enviasse uma Moção em defesa da permanência da farmácia na freguesia.
Célia Lopes, presidente da Junta, falou à Antena Livre sobre a Moção e as preocupações que afetam os habitantes de Rio de Moinhos e aldeias limítrofes.
Explicou que, “logo que tomámos posse, começámos a ouvir falar neste tema da eventual deslocalização da farmácia de Rio de Moinhos”. O Executivo da Junta, “de imediato, reunimos com a doutora, a proprietária da farmácia, que nos deu nota de todas as dificuldades que realmente apresenta por se encontrar localizada numa zona com poucos habitantes e, atendendo às fragilidades financeiras, estava a ponderar essa deslocalização”.
Quanto à Moção, a autarca esclareceu que “tem como princípio manifestar uma posição de defesa da permanência da farmácia em Rio de Moinhos, uma vez que os nossos fregueses são pessoas já com alguma idade, também com dificuldades de mobilidade e, portanto, era essencial a permanência da farmácia, até porque já está ali há muitos anos e tem sido um serviço que tem tido um papel essencial para com a população da nossa freguesia”.
Da conversa com a proprietária da farmácia, Célia Lopes confirmou que houve alguma abertura para que a decisão não seja irreversível mas lembrou que “estamos a falar de uma atividade financeira, estamos a falar de uma empresa e, de facto, também não podemos ter aqui uma atitude individualista relativamente àquilo que a empresa está a tentar fazer, não é? Pronto, quando existe alguma fragilidade há que tentar encontrar soluções”.
E foi aqui que a presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos deixou um apelo à sua população. Célia Lopes alertou para a importância de que “as pessoas façam as suas compras, comprem os seus medicamentos na farmácia, comprem os seus produtos no comércio local, porque muitas vezes só quando se perdem as coisas é que as pessoas dizem, que, se calhar, também podia ter ido ali buscar os meus medicamentos e se calhar acabei por comprá-los no outro lado. Portanto, aproveitar para dizer às pessoas que realmente é importante valorizar aquilo que temos perto de casa, nomeadamente em termos comerciais. Também passa um pouco pela sensibilização da população”.
Quanto à deslocalização da farmácia, “a doutora, desde o primeiro momento, deu-nos nota que, de facto, se isso viesse a acontecer, seria uma situação que lhe iria custar muito. No entanto, não existe neste momento nenhum prazo para que realmente essa situação possa acontecer. Não será algo a curto prazo, até porque as farmácias estão sempre dependentes de uma autorização prévia do Infarmed. Ainda para mais, no local para onde se queria deslocalizar também existe ali uma fragilidade com uma outra farmácia que também queria instalar-se. Portanto, neste momento não existe qualquer tipo de prazo para a farmácia de Rio de Moinhos sair. Se isso vier a acontecer, a doutora deixa a porta aberta para assegurar um posto de medicamentos em Rio de Moinhos. Será algo que depois, em conjunto, e se vier a acontecer, iremos analisar”.
A Moção da Assembleia de Freguesia já foi enviada para a Assembleia Municipal de Abrantes, Direção do Infarmed e Ministério da Saúde. Pretende a Junta, com a Moção, “dizer aos nossos fregueses que estamos do lado deles, que estamos a acompanhar a situação e que tudo faremos para que a farmácia de Rio de Moinhos possa permanecer o máximo tempo possível ali, para servir a população. E que queremos estar também sempre em contacto com a farmácia para tentar, de alguma forma, encontrar as melhores soluções para que as pessoas não fiquem desprotegidas deste serviço”.
Câmara pronuncia-se apenas em termos urbanísticos mas também manifesta preocupação
À margem da reunião de Câmara de Abrantes, o presidente da Câmara Manuel Jorge Valamatos comentou o caso à Antena Livre e reiterou que a decisão é do Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, mas também manifestou preocupação pela desproteção da população.
“A Câmara tem, ao longo dos últimos anos, mantido sempre a mesma postura. Fazemos a nossa análise do ponto de vista urbanístico e deixamos ao Infarmed a decisão da deslocalização da farmácia, que é quem tem essa competência e tem mecanismos de análise da importância da farmácia”, disse o autarca.
Contudo, Manuel Jorge Valamatos adiantou que, “mesmo que só nos manifestemos do ponto de vista urbanístico, sempre achámos - e desde o início temos manifestado essa preocupação - que perdemos ali um serviço importante para a nossa população de Rio de Moinhos e um bocadinho da zona norte do nosso concelho. Manifestámos sempre preocupações desse ponto de vista, mas deixámos a decisão para o Infarmed, porque é quem analisa do ponto de vista técnico essa deslocação”.
Relativamente à Moção aprovada pela Junta de Freguesia, o presidente da Câmara considera que é “uma preocupação perfeitamente legítima por parte da Assembleia de Freguesia que, no fundo, vem reforçar aquelas que também são as nossas preocupações na proteção das nossas populações. Portanto, o Infarmed terá conhecimento, obviamente, desse processo e tomará também as devidas decisões, embora, como digo, nós nos tivéssemos manifestado urbanisticamente, mas manifestámos também sempre esta preocupação de proteção das pessoas e o garantir do acesso ao medicamento de forma fácil por parte dos operadores”.
Questionado se este caso é semelhante ao de Bemposta, Manuel Jorge Valamatos confirmou que “é de todo muito igual ao que aconteceu em Bemposta, ao que aconteceu em Alvega, ao que aconteceu em Rossio ao Sul do Tejo, também com a deslocação de uma das farmácias. Portanto, isto tem acontecido ao longo dos anos e a Câmara tem-se manifestado sempre de forma técnica, mais do ponto de vista urbanístico”.
Relembrar que há três anos que a farmácia de Bemposta também está num processo idêntico, tendo visto recusada a autorização por parte do INFARMED e recorrido da decisão. Processo que já levou a que se manifestassem em reunião de Câmara, a alertar para esse facto, antes de haver uma decisão relativamente à farmácia de Rio de Moinhos. De referir que existem obras a decorrer num edifício em Alferrarede, que, alegadamente, poderá vir a acolher a farmácia de Rio de Moinhos.
O presidente da Câmara de Abrantes também lembrou que “há aqui uma questão económica, de sustentabilidade e rentabilidade das farmácias”. Por outro lado, “também temos que olhar para os cidadãos, para as pessoas, e aí o Infarmed terá que tomar a sua posição”.