ESPECIAL COVID-19

Gripe: Plano de Contingência ativado no ACES e Centro Hospitalar do Médio Tejo

2016-12-14

A Gripe Sazonal é uma doença contagiosa, provocada por um vírus, que se transmite de pessoa para pessoa e que provoca infecção do aparelho respiratório. A gripe ocorre todos os anos, sobretudo nos meses do Outono e Inverno, atingindo um número considerável de indivíduos.

Por estas razões, anualmente, os hospitais e os centros de saúde efetivam um Plano de Contingência para a gripe. Foi esse mesmo plano e os mecanismos de articulação entre o ACES do Médio Tejo e o Centro Hospitalar do Médio Tejo que foi anunciado esta terça-feira, em conferência de Imprensa, no Hospital de Torres Novas.

Sofia Theriaga, diretora executiva do ACES, explicou a disponibilidade dos cuidados de saúde primários e alertou para a existência de centros de saúde abertos aos fins-de-semana e feriados. A diretora referiu que, relativamente aos cuidados de saúde primários, “o nosso trabalho já se iniciou em outubro, com uma ampla campanha de vacinação” sendo que, neste momento, já foram ministradas 28 300 vacinas contra a gripe. Sofia Theriaga adiantou ainda que “desde o dia 5 de dezembro, “todas as unidades têm indicações, em função do aumento da procura, converterem a consulta programada em consulta aguda”. “E para que não haja risco de contágio de determinados grupos de risco, que não interessa que nesta altura estejam a frequentar as nossas salas de espera”, anunciou.

A diretora do ACES lembrou ainda que “aos fins-de-semana e feriados nós temos três unidades em funcionamento desde manhã até às 20 horas”, referindo-se às unidades de Ferreira do Zêzere, Mação e Ourém pois são as mais distantes de uma unidade hospitalar e que podem ser utilizadas nesta época por utentes de qualquer outro concelho.

Exames disponíveis nos Cuidados de Saúde Primários

Cristina Gonçalves, diretora clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo, falou do que está a ser feito e adiantou ainda que, durante o mês de janeiro, vão estar disponíveis exames de urgência para quem vier dos centros de saúde, sem necessidade de recorrer à urgência.

“Vamos agilizar a possibilidade de os utentes que se dirigem ao ACES puderem realizar exames de urgência. Ou seja, as pessoas podem dirigir-se aos Centros de Saúde e se o médico que os vê considerar que há necessidade de fazer análises, esses utentes poderão vir fazer essas análises ao CHMT e terão o resultado no prazo de 2 horas”, esclareceu a médica.

Uma medida que se pensa poderá ser dissuasora de vinda de doentes diretos para a Urgência Hospitalar e que pode desobstruir o funcionamento destas mesmas urgências. “Muitas vezes as pessoas sentem necessidade de virem à urgência só porque há a possibilidade de se efetuarem exames e desta forma, se as pessoas tiverem acesso a exames de urgência, tem a mesma eficácia de atendimento e impede-se que venham diretamente à urgência hospitalar”.

O ACES e o Centro Hospitalar deixaram dois alertas para que a população se possa proteger melhor durante esta época. Vacinação e recorrer à Linha Saúde 24 foram os pedidos deixados pelo delegado de saúde do ACES, José Martins.

“As pessoas não devem dirigir-se logo às urgências, assim que aparecem os primeiros sintomas. Em primeiro lugar devem ligar para a Linha Saúde 24, para se informarem e ficarem mais tranquilas”, alertou José Martins, acrescentando serem “estes dois aspetos fundamentais para não termos as urgências cheias de gente. Há muitas pessoas que confundem os sintomas de resfriado com os da gripe. Há uma série de degraus que devem ser seguidos: em primeiro lugar devem ligar para a Saúde 24, e só se encaminhados devem dirigir-se aos cuidados de saúde primários e, só no último caso, devem recorrer às urgências. Até porque os espaços de espera das urgências são potenciais de contágio e pode dar-se o caso de um utente chegar à urgência com um resfriado e sair de lá com uma gripe ou outra patologia de contágio”, salientou o médico.

Também Carlos Andrade, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo, falou dos esforços que estão a ser realizados para esta época de pico da gripe.

Carlos Andrade sublinhou que “continuamos a trabalhar novas abordagens, à procura de respostas cada vez mais integradas entre nós e o ACES para darmos um atendimento cada vez melhor aos nossos utentes”.

Reforço de meios

Com a afluência de pacientes já infetados pelos vírus da gripe, o Centro Hospitalar do Médio Tejo já reforçou as suas equipas. Desde dia 15 de novembro que os hospitais foram reforçados com médicos, enfermeiros e assistentes operacionais. Cristina Gonçalves, afirmou estarem já abertas 30 camas do Plano de Contingência da gripe: “no Centro Hospitalar do Médio Tejo temos monitorizado do fluxo de doentes à urgência e a gravidade dos casos. Temos vindo a ativar o plano de contingência para a gripe gradualmente. Nesse contexto já fizemos o reforço das equipas de urgência, não só a médico-cirúrgica, mas também das urgências básicas. Abrimos camas de internamento, na Medicina Interna, nomeadamente hoje são abertas mais 6 camas, que juntam a outras 24 camas que já foram abertas. Se tivermos em atenção as camas que tínhamos o ano passado, temos este ano mais 56 camas do que em igual período do ano passado”.

Apesar de ainda não estarmos no pico da gripe, a curva ascendente já começou. No entanto, e devido às notícias acerca da maior agressividade da estirpe do vírus da gripe deste ano, José Martins não confirmou que será mais grave que em anos anteriores.

Vacinação, utilização dos cuidados de saúde primários e evitar correr às urgências quando não é de todo necessário, são assim os pedidos dos responsáveis pelo ACES e Centro Hospitalar do Médio Tejo que já têm no terreno o Plano de Contingência para a Gripe.

2016-12-14