O proTEJO – Movimento pelo Tejo exige legislação que estabeleça limites ao consumo de água e energia pelos centros de dados e defende que os dois projetos anunciados para o concelho de Abrantes sejam sujeitos a uma avaliação ambiental conjunta antes do licenciamento.
Em causa estão o Hyperion, previsto para Alvega, e o EDC One, junto ao Pego, dois investimentos que, segundo o movimento, poderão representar em conjunto uma potência de 500 megawatts e consumir até 4.380 gigawatts-hora de eletricidade por ano.
Mas é sobretudo o impacto nos recursos hídricos que preocupa o proTEJO.
O movimento estima que, dependendo da tecnologia escolhida para arrefecer os equipamentos, os dois centros de dados poderão consumir entre 3,6 e 22,2 milhões de litros de água por dia, quando estiverem a funcionar em plena capacidade.
O proTEJO sublinha que existe uma diferença superior a seis vezes entre as diferentes soluções tecnológicas e afirma que nenhum dos promotores revelou ainda qual será o sistema de arrefecimento utilizado nem o consumo de água previsto.
Por isso, exige a divulgação desses dados antes de qualquer licenciamento e a realização de um Estudo de Impacte Ambiental cumulativo, que avalie em conjunto os dois centros de dados e as restantes pressões sobre a bacia hidrográfica.
O movimento inclui nessa avaliação projetos como o novo açude entre Constância e Praia do Ribatejo, a barragem do Alvito, um eventual transvase de água do Tejo para a bacia do Guadiana e projetos hidroelétricos previstos em Espanha.
O proTEJO considera que analisar cada investimento isoladamente não permite conhecer o verdadeiro impacto sobre um rio que já enfrenta problemas de escassez e alterações do regime de caudais.
Entre as medidas propostas estão também a criação de limites máximos vinculativos para o consumo de água e energia, a publicação dos dados de desempenho ambiental de cada centro de dados e penalizações graduadas para situações de incumprimento.
O movimento pede ainda sessões públicas de esclarecimento em Alvega e na Concavada, destinadas às populações diretamente abrangidas pelos projetos, e defende que os municípios devem manter a possibilidade de impor condições ambientais mais exigentes.
O proTEJO questiona também a utilização da Zona Livre Tecnológica do Pego como enquadramento para projetos desta dimensão, considerando que o regime foi criado para testar tecnologias ligadas às energias renováveis.
Apesar das críticas, o movimento afirma reconhecer a importância da modernização digital, da reconversão energética do Pego e da atração de investimento para o Médio Tejo, mas defende que esse desenvolvimento não pode colocar em causa os recursos hídricos.
Para o proTEJO, os promotores devem demonstrar, antes das autorizações, que os centros de dados são compatíveis com a disponibilidade de água na bacia do Tejo.